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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Viagem das meninas

Pela primeira vez, aos 50 anos, fiz uma viagem com amigas. Curta e intensa. Com momentos de silêncio, diálogo, contemplação, caminhada, leitura, refeições sem pressas e conexões que seguem ressoando. Uma pausa presente tão transformadora. Um tempo por você e para você. Apreciamos tanto que já estamos planejando a próxima edição. Recebi algumas perguntas sobre a viagem e revendo desde a chegada ao hotel e o retorno pra casa, mergulhei em reflexões que entrelaçam tantas questões, em especial, sobre a importância de nos permitimos pausar e trilhar novos caminhos. Alguns questionamentos revelam o quanto somos sufocadas por pressões externas que tentam nos enclausurar em padrões que, muitas vezes, estão totalmente desalinhados com nossa essência e afetam nossa saúde mental.

Com quem ficou os filhos enquanto você viajava? 
A clássica pergunta que muitas mães ouvem. Resposta: Com o pai. Claro que como mãe não desconectamos total, respondemos as mensagens e ligamos para ver se estão bem. Ah mas será que o pai cuida direito? É dever dele cuidar. E sim eu me preocupo com eles, especialmente com meu caçula, a do meio é bem madura, e estou ciente que a escolha do pai pelas ações facilitadoras como comer fora ou ifood acontecerão. Claro que tem muitas mães solo que não tem o companheiro e fica mais difícil sua jornada. Outros fatores como a idade dos filhos impactam nossas decisões. Tem muitos pais “presentes” e ao mesmo tempo ausentes dentro da própria casa no cotidiano de muitas famílias. A carga maior ainda está com as Mães. A luta por mudança desse cenário é longa e urgente.

Seu marido não acha ruim que você viaja sozinha?
Essa questão tem implícita tanto julgamento e não culpo quem enviou porque é a forma como as relações são desenhadas. Eu devo ser julgada assim: a louca tem coragem de viajar sem o marido e filhos. Bom, meu marido já fez várias viagens sozinho com os amigos. E tudo bem. Da mesma forma que vive se reunindo com sua turma. Então tenho feito esse movimento de me reunir com minhas amigas só as meninas sim. E aqui não é uma competição do tipo você fez e eu vou fazer também. É muito fértil e saudável nos reunirmos assim. Respeitar o espaço de cada um é importante. Tenho amigas que não vão, talvez não se sintam confortáveis ou tem seus outros motivos e tudo bem. Cada uma tem sua narrativa, princípios e etcssssss. Eu sei quem eu sou, o que sinto e faço. Relacionamento é construção de confiança.

Como é a sensação de estar sozinha com as amigas numa viagem?
Maravilhosaaaaaaaaaa! Eu já havia viajado sozinha por outras motivações e para visitar família. Dessa vez foi diferente. A ideia surgiu num dos nossos encontros femininos. E fomos numa tríade. Eu desejo fazer uma viagem solo, só eu, a mochila e o destino para desvendar. Não pude fazer isso no meu aniversário de 50 anos. Está no plano futuro. Então esse convite da viagem das meninas foi um ensaio. Muito bacana sair da sua rotina, conhecer um novo lugar, trocar experiências no trio e com outras pessoas que conhecemos. Esses momentos fortalecem o laço de nossa amizade e nos ensina a força que emana da união feminina. Quantas vezes estamos presas apenas em uma única visão de determinada situação e o olhar da outra nos traz outra leitura? Especialmente quando a intenção é para você despertar e potencializar mudanças que te farão avançar.

Eu compreendo que muitas mulheres não possuem ainda essa possibilidade de viajar sozinha por inúmeros recortes, um deles a violência que nos amedronta. As taxas de feminicídio e outras discriminações e preconceitos são gritantes. "É perigoso demais viajar sozinha." Já ouvi muito e o quanto isso tem a capacidade de nos paralisar! Quebrar essas barreiras é um chamado a nos unirmos cada vez mais. Eu sou muito grata por ter tido a oportunidade de viver esse experimento. Fomos e retornamos seguras e realizadas. Recebi outras perguntas que rendem muitas abordagens. Por hora fico por aqui e desejando que você abra espaço para viver aquilo que palpita em seu coração. O meu está fervilhando de desejos ardentes para seguir escrevendo minha história.


"Eu encontrarei meus pés no caminho" Ouça On The Way Hollow Coves
Foto da fotógrafa amiga Guiomar Leite

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O ciclo 48

Sobre maturidade, idade, envelhecer, tabus e reflexões para a nova estação. Daqui 7 dias o Sol chegará no meu signo e muitas questões florescem nessa fase lunar que antecede meu aniversário. O relógio anda ligeiro para vocês? Tem sentido palpitar mudanças no roteiro? Tem se permitido pausas reparadoras? A idade avança no tempo do seu ritmo ou nesse ditado pela pressão? O mundo que nos cerca nos influencia sim, no entanto, de que forma nos permitimos ser influenciadas? Isso faz toda diferença. Até que ponto você preserva seus princípios? Como anda a sintonia com sua essência?

Para muitas mulheres falar de idade é desagradável, especialmente quando já estamos na pré e menopausa, uma pauta “tabu” que necessita ser ampliada. Há um padrão vigente de que sempre precisamos estar lindas e felizes....Enquanto pipocam os cabelos brancos, os hormônios desregulam, aparecem as rugas, desconfortos variáveis para cada uma...sofremos abusos, feminicídio, temos nossos direitos questionados, dizem que só reclamamos, que é mimimi e assim vamos acumulando essa carga tóxica, muitas vezes sem auxílio.

Envelhecer é um desafio também, mais um dos muitos, e que precisamos encarar com acolhimento, diálogo e troca entre nós. Quantas vezes já ouvi ao parabenizar as que passaram dos 40: “éh estou ficando velha.” Uma fala com um peso de angústia dolorida. Como se isso fosse uma sentença cruel. Acredito que não precisa ser assim e aqui não estou apenas floreando o envelhecimento. Estou refletindo sobre o quanto nos falta escuta, acompanhamento e partilha para aprendermos juntas a envelhecer com saúde integral e certa leveza também.

Já avançamos um bocado para ter nossos espaços e a luta é permanente. Já fomos tão proibidas de nos expressarmos e em alguns países isso ainda é realidade, infelizmente. Nossa voz tem poder sim e compartilhar nossas vivências amplia a rede de apoio para encontramos espaços de cura e conquistas. Numa sociedade patriarcal e machista que tenta nos silenciar, lutar pelos nossos direitos é exercício contínuo e começa por cada uma está mais perto de si, quando nos acolhemos abrimos estrada para acolher as outras.

Quanto daquela foto espetáculo do Instagram é apenas maquiagem? E aqui não estou falando da make em si que nos deixa bem bonitas, embora eu seja suspeita para falar porque não faço skin care diário, só bem raramente,falo de maquiar nossas verdades sufocando aquilo que sentimos. Isso é danoso sim, até porque muitas vezes esse sufocamento indica o sofrimento de um abuso ou necessidade de acompanhamento médico. Tem horas que precisamos gritar para ser ouvidas sim e quebrar o silêncio que nos corrói.

Ah e antes que as críticas sobre a maquiagem explodam, porque a falha na interpretação tem sido gritante e somos atacadas por nós mesmas, quando falo de sociedade machista incluo nela muitas mulheres nesse enredo, não sou contra maquiagem, minhas filhas amam, é que realmente nunca levei jeito e por muito tempo sequer tive dinheiro para um batom. Desde os 40 adquiri o hábito saudável de passar protetor solar, o que a dermatologista me passou, pinicou minha pele, o nívea 60 infantil eu indico.  E até isso que sei que é um privilégio porque muitas de nós não têm recursos para o básico, que dirá protetor solar!

Estou perto dos 48 anos e sinto na pele a idade que avança, as dores nas costas, o início dos sintomas da menopausa...porém tenho muito orgulho de estar envelhecendo pela bagagem que carrego e sede aprendiz que segue viva. Para os que me criticam por falar também de feridas, como diz Saramago, meu coração é feito de sangue e sangra todos os dias...eu sou desse tipo de DNA e no dia que eu não me doer pela dor do outro estarei morta. É reflexo da estrada de amor que sou. Esse Amor ação que move meus sentidos. Meu presente será procurar cada vez mais me acolher porque está próxima de mim é me tornar melhor proximidade para o semelhante. Que venha o novo ciclo 48!

Pronta para seguir na trilha aprendiz.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Personagens do roteiro semanal

Manhã de sexta-feira, no trajeto de casa até escola e trabalho, eu vinha pensando nos personagens da semana. Foram muitos e eu agradeço por cada um que cruzou minha agenda nesses dias. Algumas pessoas das minhas relações cotidianas, próximas como os familiares e amigos, outros que posso não ver nunca mais e que, ainda assim, me marcaram com seus relatos. Todos os dias temos a oportunidade de aprender na partilha e eu sou grata pelos diálogos semanais que seguem reverberando na memória afetiva.

Na segunda-feira recebi o abraço e senti o sorriso do meu irmão Paulo Eugênio que veio nos visitar em pleno outono paulista. Sua presença vibra alegria. Não há medida ou adjetivo para nossas conversas e gargalhadas. Quanta gratidão por ser tua irmã e filha da Maria de Fátima. Depois de três anos, que presente sua Presença!

Na companhia dele, nesta quinta, na ida e retorno da Santa Cecília com nossa Isabelly, conhecemos outros personagens, o motorista de Uber viúvo, que perdeu sua esposa ano passado para a Covid e junto com sua Mãe está cuidando das 3 filhas pequenas. Rimos um bocado no trajeto falando sobre situações que, embora tensas, conseguimos extrair humor. O riso é um bálsamo. O Sr. do fusca, palmeirense das antigas, que é seu passageiro assíduo nos jogos, o acontecimento da feira do rolo, as turbinas perdidas, os shows no Allianz, os perrengues com os pedreiros e tantos causos que daria um livro essa corrida de cerca de 1 hora pela manhã de Sampa. Que resenha! No retorno, o taxista já aposentado do bairro familiar, que fica parte do mês em São Paulo para ganhar um trocado e outra parte no sítio, contando sobre as praias que conheceu no Ceará durante sua última viagem e da sua filha. Dessas conexões territoriais, já que meu irmão mora em Jeri e eu também conheço as praias que ele citou.

Voltando para segunda-feira, teve o reencontro com minha amiga na oração do Terço que fui rezar na sua casa. Na terça uma conversa rápida e sentida no mercadinho da vila, dessas que nos tocam. Arthur almoçando conosco, depois casa tia Lane. Quarta-feira o reencontro com Dr. Lucas no Tatuapé, ortopedista que está direcionando o tratamento da minha Isabelly. Trem, metrô, táxi, almoço na tia Lane. Ainda na quarta teve o reencontro em casa e a gratidão de ver mais um passo vitorioso da madrinha da Isabelly. E de novo na quinta-feira o reencontro com a fisioterapeuta Yara, que junto com a equipe está conosco no processo de fisioterapia e eletroterapia dos pés da nossa menina. Que atendimento acolhedor, quanto afeto que promove cura.

Ontem a noite, 05/05/22, foi dia do terço de Maria na capela Santo Antônio. Que oração abençoada na companhia dos alunos da catequese e crisma e das professoras. Sentir a presença Mariana e sua intercessão em nossas vidas anima nosso espírito. Meu sono foi reparador, com sonhos leves e despertei ecoando gratidão. A sexta-feira segue seu ritmo. Amém!

Quanta memória nessas imagens entrelaçadas deste roteiro semanal

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Gratidão fevereiro/2020

Apesar do mês terminar amanhã, eu resolvi escrever hoje sobre algumas das minhas gratidões de fevereiro. Foi um marco esse mês e não apenas por causa do carnaval, que curto também. Quando paro esse instante para refletir sobre a seleção do meu post mensal de gratidão, faço um passeio pelos dias que se foram, resgatando sensações que tocaram.

Teve eventos com família e amigos, aniversário no parque, na casa, no buffett. Ah fevereiro entre Aquário e Peixes com aniversariantes especiais. Chuva e Sol. Teatro, cinema e bloquinho de carnaval. Teve problemas e soluções. Coisas boas e ruins. Nesse desafio cotidiano de seguir enfrentando os desafios de cada situação. Teve risos, lágrimas, decepção, surpresas, rua e casa.  Ah tanta mistura louca que as vezes não cabe entender, nem explicar. Só sentir e aprender.

E, para finalizar, quanta gratidão pela primeira edição do Leia Mulheres Osasco 2020. Tão bom reencontrar as mediadoras e conhecer as novas participantes. O livro do nono encontro é inquietante, intenso, perturbador. Indico a leitura de do livro Fique Comigo, da escritora nigeriana Ayòbámi Adébáyó. Fevereiro marcou também o início das aulas do curso de escrita. Leitura, escrita e partilha comungando na trilha aprendiz. Sim, voltei a estudar e que exercício inspirador que está remexendo um bocado aqui dentro. É um novo movimento. Uma preparação para este novo ano que inicio com a chegada do meu aniversário. O chamado para o novo caminho que me aproxima daquilo que amo. E que venha o novo ciclo. Março da renovação!

Eu amo janelas que descortinam horizontes

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Sobre a 5ª edição do Leia Mulheres Osasco

“Como você tem disposição para sair a noite em pleno dia da semana, depois de ter trabalhado o dia inteiro?” Ouvi essa pergunta depois de uma postagem com a foto do último encontro do #leiamulheresosasco . Sim, eu tenho energia para participar de encontros que tocam meus sentidos. Sempre apreciei a leitura, poesia, saraus. Com as crianças pequenas fiquei afastada por algum tempo e agora estou retomando a interação.

Do que você tem se alimentado? No #leiamulheres encontro um fértil alimento de histórias e poesias que vão se entrelaçado. Os livros tem esse incrível poder de gerar laços afetuosos. A convite da Marili Alexandre, participei do primeiro encontro realizado em maio/2019 na Biblioteca Monteiro Lobato. Ela que esteve presente na primeira edição é dessas “mães, amigas, irmãs” poéticas que a vida nos presenteia.

É um presente também conhecer as mediadoras Vivi e Pilar e todos os demais participantes. Cada um com seu roteiro inunda o encontro de modo especial. É sensível, é forte, é questionador, é aprendiz. A troca tem sido tão nutritiva que todos os meses tenho participado. Cada livro aflora muitas percepções.
Na 5ª edição os poemas de Wisława Szymborska foram compartilhados como uma cachoeira torrencial banhando o caminho das pedras e das águas com distintas questões. O ontem, o agora, o amanhã, pontuando um tempo que é efêmero e perene, que é sério e brincante, que tem lágrima e riso e que tem aquilo que chamo de indizível para cada personagem e, ainda assim, nos torna semelhante na estrada: o que sentimos é o que faz sentido.

#leiamulheresosasco  Participe, aqui e na sua cidade #leiamulheres 
Hoje mesmo inicio a leitura do próximo livro. Até a próxima edição.

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...