Mostrando postagens com marcador rotina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rotina. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Giro semanal

Quantas palavras ou cenas definem sua semana? Por aqui tem variedade. E contrariando esse campo raso da Internet, onde alguns apenas observam as manchetes, uns por falta de tempo, e outros porque realmente não tem interesse em enveredar pelas profundidades, eu costumo ainda escrever mais que um parágrafo. Primeiro que calendário ligeiro! O segundo semestre do ano está a galope! Começa a segunda e de repente é sexta.

Domingo 13 cheguei cedo do Rio de Janeiro, exausta da viagem noturna que, mesmo diante do sono, não consigo mais dormir no ônibus. Receio seja sinal da menopausa que bate a porta. Voltei com um rastro de saudades e muita gratidão por ter sido recebida com tanto carinho no Rio de Afeto. O mar, as companhias, as ruas, a feira, os bairros, a igreja e tantos momentos guardados na memória. Prometo encurtar a distância das visitas. Casa, descanso, sono.

Segunda-feira, despertador, acordar, trabalhar, cozinhar, etcs, retornar, casa, jantar, dormir...e dentro desse roteiro um emaranhado de percepções como contemplar o céu da madrugada com as estrelas mais nítidas e a lua brilhando no silêncio da noite. Rezar sentindo o aroma do café que aquece os sentidos, a escrita no caderno de oração, os personagens que palpitam na prece. O dia nasce no caminho e da janela do carro observo a claridade surgir e abraçar a manhã.

Manhãs e noites frias, céu claro, secura na atmosfera poluída, cansaço, rotina, borboleta branca no quintal, ligações, perrengues, correria. Teve a melhor feijoada de Osasco na quarta-feira, visita de mãe na quinta-feira. Conexões com clientes, parceiros e fornecedores e também com comerciantes na avenida dos nossos passos empreendedores. Na agenda, a rotina diferenciada, embora pareça semelhante. Aguçar o olhar te faz enxergar detalhes preciosos.

Fiquei emocionada com a gravação de João Gomes na casa de sua avó. Claro que lembrei de vozinha, vozinho, madrinha, padrinho e toda minha gente que ama. Tenho muito orgulho das minhas raízes que alicerçaram a base de quem eu sou e seguem nos meus passos por onde eu andar. Mostrei ao meu caçula e ele disse, parece terreiro da casa de Vozinha, nascida em Serrita como muitos Netos, nosso sobrenome. Salve a Missa do Vaqueiro!

Li capítulos do livro já deitada em minha cama, piscando entre as linhas. Ler é hábito que amo. E procuro exercitar todos os dias, nem que seja uma página. Pensei agora nos livros que tenho para ler e em outros que quero adquirir. Levei um livro para o RJ e li durante o percurso de São Paulo ao Rio. Que leitura arrebatadora, dessas que te prendem e seguem ecoando. Leiam Estela sem Deus de Jefferson Tenório. Aliás, indico ler e até reler livros e outras publicações para entender melhor sobre diferentes pautas, afinal muitas pessoas abordam apenas o título, que até anuncia parte do tema, mas é bem restrito sobre o conteúdo. Em tempos de IA, que sim é útil para muita coisa, porém emburrece por restringir a pesquisa aprofundada e o pensamento crítico, é preciso refinar a atenção plena para o que realmente importa.

Termino esse giro semanal com esses apelos: leiam e sejam presença real. Faz toda diferença!


Gratidão pela bênção de mais uma semana!

sábado, 29 de julho de 2023

Doses cotidianas

Há 13 anos eu iniciei minha dose diária do comprimido da tireoide. Termina uma caixa e começa outra. Anualmente eu passo no endocrinologista para os exames de rotina.  Em uma das consultas uma frase me marcou: “ninguém vai suar o seu suor.” Tem coisas que é você com você. O médico disse isso enfatizando a importância do exercício. Eu aprecio caminhar e ainda que eu falhe na disciplina da meta semanal, por conta de alguns entraves que surgem na agenda, eu sigo tentando …

… Ontem, sentada em minha cama, segurando as duas cartelas 88 do hormônio, uma avalanche de recordações desabrocharam pelos meus sentidos, reflexões sobre as muitas doses pontuadas na composição dos dias. Algumas bem amargas, umas como conta gotas, outras como injeções doloridas e outras mais suaves. Vestida com o meu pijama azul eu me enxerguei contemplando a brisa maresia no mar, na poltrona do livro, na profundidade dos mergulhos no açude, rio e ondas, nos passos das trilhas, na alvorada com a festa dos pássaros, no arrebatamento do céu noturno do sertão, no riso da minha tríade, na música da Marisa e Alceu, na reza de vozinha, no cheiro do café e tantas outras sensações tatuadas na alma…

… marcas de diferentes ciclos que brotam na memória, despertadas por elementos tão comuns quanto estranhos, como um comprimido. Sentei na rede, sentindo o vento leve da manhã tocando no sino dos ventos e mergulhei nos momentos que palpitaram. Fechei os olhos para ouvir o sussurro do som trazido de tantos cantos. As vozes dos ventos ecoam saudades. De repente lembrei-me do sonho da madrugada, eu estava na sala colorida de uma casa, que tinha uma janela pequena envidraçada. De lá eu avistava uma árvore. Nela, abraçado pelas folhas verdes vivas, sentado em um dos seus galhos, estava o Arthur colhendo frutos…

… saltei da lembrança do sonho para a claridade do dia, guardei meu comprimido na gaveta da cama e iniciei meu ritual matinal pensando nos capítulos passados, sobre a intensidade do presente que nos convida a fazer escolhas, enveredar por novos caminhos, encarar mudanças, plantar, semear, colher e seguir construindo memórias. E eis que veio a imagem da capa do caderno que no Norte ficou, das páginas que escrevi durante a viagem, das que estão sendo escritas por minhas meninas filhas. E pensei no quanto as palavras, faladas ou escritas, alimentam nossas doses cotidianas.


num único dia cabem diferentes doses...

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...