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quinta-feira, 18 de julho de 2024

Deserto invernal

Ando num redemoinho de tempestades. Olho o céu acreditando que esse deserto é apenas uma passagem e que cada passo irá me conduzindo a outro ciclo, chegada, destino...me agarro na fé que sopra esperança de que esses tempos doloridos têm um ensinamento maior. Nem sempre compreendemos de momento. Abraço minha angústia e na leveza das libélulas, borboletas, pássaros e nos sinais, vou encontrando respostas das minhas preces. Sempre fui de reza, digamos que está no DNA.

Tive um sonho intenso e nele por duas vezes a mesma passagem bíblica, uma carta de São Paulo que eu nunca tinha lido antes. Eu que amo cartas fui chamada a ler esta que estou tentando interpretar. Há muitas mensagens nas linhas e entrelinhas e nos tantos símbolos do sonho. As pessoas, os lugares, o rio, a praça, a igreja, a fogueira, os abraços, o caminho, as orações, a janela e a construção com seus tijolos vivos que reluziam com o sol do entardecer.

Nessa hora sagrada que anuncia o crepúsculo, eu pego meu Terço e rezo caminhando. Contemplo a árvore desfolhada da estação e me vejo nela também. Embaixo de seus galhos sinto meus ancestrais soprando força, me dizendo que estão comigo, que essas adversidades que chegaram a galope irão passar. É um processo de transformação que delineará mudanças profundas. Sim eu nunca estarei sozinha. Tem os anjos celestes me protegendo e os terrenos com seus afetos abraços e orações.

As marcas dessa jornada ficarão tatuadas na alma, assim como a gratidão. Sim, eu agradeço com todo fervor do meu coração que sangra nesse deserto invernal.

A árvore invernal, logo a primavera virá. Eu creio...

quarta-feira, 29 de março de 2023

Desfolhada

Minha flor do deserto desfolhou. As folhas secas agora adubam a terra e pequenas novas folhas começam a surgir no seu novo ciclo. Seu tronco me lembra o Baobá.  Lembrei-me das flores que desabrocharam há alguns meses e embelezaram meu quintal. Quantas vezes precisamos nos desfolhar para renascer? A cada fase lunar? No despertar do novo dia? O que levar na bagagem? O que se desfazer de vez? Na inquietude das perguntas que palpitam, o vento do outono sopra mudanças como um chamado.

Na minha quietude há um turbilhão de sensações que latejam. Sim eu ando quieta na minha quaresma transformadora. Nesse espaço tão meu que me convida a me escutar e se aproximar das minhas aspirações que tantas vezes foram deixadas de lado. Talvez seja a maturidade da pré menopausa sacudindo os sentimentos, ou apenas é chegada a hora de realmente me ouvir e fazer minhas escolhas.

Nesse conflito de tantas situações e nas reflexões tão profundas que afloram no meu silêncio, percebo o quanto me distanciei em alguns aspectos dos caminhos que um dia sonhei trilhar. E sim eu me dediquei muito e continuo me dedicando em tudo que me proponho a fazer, ainda que as decisões tenham sido conduzidas por prioridades que não estavam alinhadas com minha natureza. Não tinha como ser diferente diante das circunstâncias e tudo bem pelo aprendizado.

Olho pra trás e vejo que me deixei de lado muitas vezes. Não sinto culpa nem estou culpando ninguém, foram meus passos e tudo teve um propósito. Minha entrega de amor ao mundo e as pessoas da trança de gente que sou. Mas e agora? A idade avança e o tempo ligeiro tem me convocado a encarar a estrada que tenho pela frente. Uma tempestade de fortes marés no rio de sentimentos para navegar. Para chegar ao mar tenho que atravessar muitos solos, alguns bem áridos, para ir cultivando a fertilidade dos meus desejos. Neste momento estou apenas desfolhada. Ei de florescer!

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...