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domingo, 25 de maio de 2025

Notas Marianas

O título faz menção ao mês de Maio, de Maria, uma referência a minha devoção de Nossa Senhora, a Mãe do Salvador do mundo. O calendário segue, com alegrias, tristezas, dores, encontros, saudades e esperanças no plural sim, porque eu a invoco para inflamar meus sentidos diante das tribulações. Domingo dia do Terço Glorioso, da glória que veio depois do sofrimento da paixão. Um bálsamo que contagia meu espírito, um sinal fervoroso de que SIM, dias melhores estão no horizonte.

Muitos acontecimentos cabem no mês, semana, dia, noite e até no instante que tem a capacidade de se tornar eterno pelo amor que ele representa. Neste mês das Mães em que homenageamos a Santíssima Virgem Maria, exemplo supremo de amor de Mãe, eu seguro em suas mãos intercessoras e sinto a firmeza de sua proteção. Te agradeço Nossa Senhora de tantos Retratos por me ensinar que no Amor reside a fortaleza divina. Agradeço-te Mãe por me cobrir com seu manto que acalma minha tempestade, ainda que ela esteja feroz.

Refletindo nessa tarde de domingo sobre o mês que caminha para ser encerrado, eu sinto gratidão pelas graças do cotidiano que revelam que a grandeza da simplicidade é uma dádiva. Quantas vezes deixamos de enxergar o valor das pequenas bênçãos? E assim vamos nos afastando da presença de Deus. Quantas pessoas chegou perto de você para falar bem de outra ou te levar uma palavra de afeto? Quantas vieram te falar sobre algum assunto bombástico do momento? Quais livros te indicaram ou podcast sobre assuntos relevantes? Alguém te convidou para uma oração ou você se propôs a ser escuta plena?

Em uma sociedade do cansaço que te cobra dar conta de tudo, observo gente encurralada pela pressa, que sequer observam os detalhes que estão ao seu redor. Correndo para caber em medidas ditadas por padrões, muitos colocam sua atenção em elementos rasos de “receitas” que não combinam com sua verdadeira essência. Muitos leem apenas as chamadas de alguma postagem e já se consideram phd em pautas que não se aprofundam para desenvolver uma leitura crítica. Contagiados pelo excesso de informação, apenas reproduzem sem filtro. Precisamos pausar para ressignificar nossos passos.

Neste 25/05, domingo, eu acordei rezando. A oração tem me aproximado do silêncio. Visitei minha amada mãe, tomei café escutando seu riso, que presença afetuosa. O Cosmos parecido com o Cacau da Bruna e Henrique, estava sorridente em sua companhia. O cachorro que enxerga com os outros sentidos, o companheiro do nosso caçula. No fogão, o almoço colorido e delicioso para a visita que ela convidou, a outra avó paterna dos meus filhos. A generosidade, simplicidade, alegria e ternura de Maria de Fátima, que tenho a honra de chamar de Mãe, são cenas e ensinamentos que nos conectam com a natureza do amor.

Na feira, o pastel, o caldo de cana, o milho, tapioca, alho, hortaliças, legumes, temperos, frutas, cores, falas, risos, aromas e tantos elementos desse espaço coletivo que deixa a rua repleta de bancas e de encontros. Foi a primeira vez que fui à feira esse mês, já estava com saudades, esse lugar tem jeito de Mãe, recordações dos meus irmãos, dos primos e de tantos conhecidos do bairro. As barracas palpitam lembranças, os brinquedos dos filhos e netos, o pastel de gerações entrelaçando memórias. Na minha história de todos os meses que já vivi e dos que, com a graça de Deus, irei viver, memórias afetivas são os tesouros que cultivo.

Ah Maio, mês de um dos momentos mais intensos que seguem tatuados em minha alma, quando eu ainda era menina, no dia 31/05 de outrora, na novena derradeira, obrigada por este maio dos meus 50 anos. A Maria encerra essas notas mensais, agradeço a leitura dessas linhas desconexas, sem edição, apenas letras do coração que lateja saudade.

Com essa publicação, cumpro um dos meus compromissos mensais comigo mesmo, de escrever pelo menos 1 texto, em cada Blog. Escrita com fé e amor.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Distância e proximidade

Estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? Em certo sentido sim. As vezes tem pessoas que está ao seu lado e distante milhares de milhas. Outras que estão fisicamente em outro continente e muito mais próxima naquilo que importa. Estou há 32 dias longe do Brasil, na missão mãe e avó, nesta viagem invernal e tenho refletido muito sobre esses extremos. Me perguntaram do que sinto mais falta nessa experiência da viagem mais comprida que já fiz. Talvez eu não consiga descrever todas as coisas porque a saudade vai aflorando nos detalhes do cotidiano. O canto do pássaro na árvore seca desperta lembrança, o formato de uma nuvem, o cheiro do alho fritando no azeite, o riso das crianças e tantas cenas daqui que entrelaçam recordações de lá.

Contemplando um painel que Peaches fez das suas férias no Brasil do ano passado, lembrei dos meus contando sobre a hora de compartilhar na aula sobre as férias, logo após o início de cada semestre, seja na escrita, fotos ou oralidade. Tenho escrito poucas linhas diárias sobre minha passagem por aqui e fiquei pensando o quanto de vida esses dias estão acrescentando a minha memória afetiva. Na gélida estação do Norte, o calor do afeto tem aquecido minha alma. Eu sou grata por estar aqui, ainda que seja tão doloroso a saudade de todos que verdadeiramente me amam e que estão do outro lado do Atlântico. Sou mulher do sentir e sei bem quem são.

No começo da viagem, tivemos por aqui a companhia da Isa, a tia amada de Peaches, Damian e Alise. Meu caçula Arthur viajou para Pernambuco. Os dois já estão em casa desde final de dezembro. E minha maravilhosa irmã tem me ajudado muito. Alise, a menina luz, nasceu dia 13/12/24, na Lua Crescente, dia de Santa Luzia. Foi a primeira vez que eu pude acompanhar esse momento tão precioso da minha primogênita que completou sua tríade. Sintonia refinada com a mãe aqui. Eu acredito em propósito divino e sinto com toda força que a maternidade da Bruna tem um sentido tão intenso que ela vai descobrindo e vivenciado em cada ciclo. Quando sentimos no ventre e assim que nasce acolhemos em nossos braços o bebê, um turbilhão de sensações percorre nosso ser. Eu jamais vou conseguir descrever tamanha imensidão.

Uma vez ouvi: você é uma avó jovem. Nem tanto assim. Este ano completarei 50 anos e segurando Alise no colo me pus a rezar para que eu possa ter a graça de viver muito mais para continuar visitando-os aqui e os recebendo no Brasil, nesse ir e vir de chegadas e partidas, nesse espaço de vida que vamos colecionando memórias. Voltando as perguntas, para findar o texto, deixo aqui minhas simples observações sobre essas questões cujas respostas podem ser bem diferentes para cada pessoa e até ter semelhantes em alguns pontos com as minhas também.

Do que sinto mais falta nesse período longe de casa? São muitas, do abraço a comida e tantas variáveis que renderiam páginas e páginas, mas vou me deter em três que representam muitas para findar esse texto: 1- dos filhos: do aperto abraço do meu Arthur, meu caçula que tira meu juízo e inunda minha vida de amor e das falas da Isa, da sua sensibilidade que me abraça no olhar. 2 - do café da minha mãe nas manhãs de domingo. Somos muito abençoados por ter essa Maria de Fátima e tia Lane e Coca...). 3 - dos laços amizades e das conversas presenciais profundas e recheadas de riso.

Sobre a minha pergunta - estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? - deixo aqui outras perguntas provocações para que questionem: você está realmente presente em cada ação? Tem atenção plena na escuta do outro? Está atento a fala durante a conversa ou absorto em distrações? Quantas vezes você esteve com alguém do seu lado e se sentiu sozinha? E como é encantador quanto sentimos o contrário. Quando a pessoa está distante léguas e te conhece tanto que sente pelo som da sua voz como você está. Isso sim faz diferença. Que sejamos cada vez mais Presença real. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Escolhas e constância

Todos nós temos fases doloridas e nem sempre entendemos de imediato os motivos, talvez até nem compreendamos um dia. Certo é que todos nós passaremos por esses períodos, cada um de um jeito, no tempo das circunstâncias “destinadas” ou construídas por cada um, dependendo do contexto. Tenho observado que nesse processo algumas pessoas aprendem e outras perdem a oportunidade de crescer. Tem gente que até fala, verbaliza o nome de Deus, usando uma máscara que convence apenas quem não sente a energia. Algumas situações até forçam atitudes que aparentemente retrata mudanças, porém, a vibração denuncia um fazer sem o verdadeiro amor.

Escolher se afastar de pessoas assim é um antidoto ao veneno que elas exalam. Até o tom da voz dessas pessoas contamina os ambientes. Somos ensinadas ou até forçadas a continuar convivendo com gente tóxica. Não precisa ser assim. É sua escolha e tem quem preste e quem não preste em diferentes relações. Quando isso afeta sua saúde, você entende o quanto o afastamento, ou cortar de vez as relações, é ponto crucial para sua evolução. Estou cada vez mais atenta ao farol intuição. Alguns dirão que estou mais chata. Eu silencio, escuto os sinais do meu corpo e procuro enxergar as mensagens nas linhas e entrelinhas.

A constância na observação da incoerência das atitudes vai refinando sua leitura e definindo as escolhas dos laços que realmente importam. Ao olhar para o passado eu vejo o quanto deixei de ouvir a sinalização que palpitou em meu coração e, como se diz no meu sertão, só me lasquei. Estou beirando os 50 e tenho refletido muito sobre meu próximo ciclo e o chamado para mudanças que sopram até nos sonhos. Nessa estrada, tenho revisitado feridas para findar a cicatrização e ingressar num novo tempo.

A consciência se expande quando enxergamos as situações com uma nova ótica e temos a coragem de enveredar nesse exame criterioso e transformador. Sou grata por ter cumprido algumas missões que fortaleceram minha fé. Experiências sofridas que me fizeram acreditar ainda mais que em tudo há um propósito. Estou numa travessia e na minha quietude há um redemoinho de inquietude. E, embora esse estado tempestade rasgue minha alma, sei o quanto é necessário mergulhar nesse oceano e seguir nadando para alcançar a outra margem. Continuarei cultivando a constância de escolhas sintonizadas com minha essência. Avante!

A rua fala, nem todos escutam

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...