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domingo, 25 de maio de 2025

Notas Marianas

O título faz menção ao mês de Maio, de Maria, uma referência a minha devoção de Nossa Senhora, a Mãe do Salvador do mundo. O calendário segue, com alegrias, tristezas, dores, encontros, saudades e esperanças no plural sim, porque eu a invoco para inflamar meus sentidos diante das tribulações. Domingo dia do Terço Glorioso, da glória que veio depois do sofrimento da paixão. Um bálsamo que contagia meu espírito, um sinal fervoroso de que SIM, dias melhores estão no horizonte.

Muitos acontecimentos cabem no mês, semana, dia, noite e até no instante que tem a capacidade de se tornar eterno pelo amor que ele representa. Neste mês das Mães em que homenageamos a Santíssima Virgem Maria, exemplo supremo de amor de Mãe, eu seguro em suas mãos intercessoras e sinto a firmeza de sua proteção. Te agradeço Nossa Senhora de tantos Retratos por me ensinar que no Amor reside a fortaleza divina. Agradeço-te Mãe por me cobrir com seu manto que acalma minha tempestade, ainda que ela esteja feroz.

Refletindo nessa tarde de domingo sobre o mês que caminha para ser encerrado, eu sinto gratidão pelas graças do cotidiano que revelam que a grandeza da simplicidade é uma dádiva. Quantas vezes deixamos de enxergar o valor das pequenas bênçãos? E assim vamos nos afastando da presença de Deus. Quantas pessoas chegou perto de você para falar bem de outra ou te levar uma palavra de afeto? Quantas vieram te falar sobre algum assunto bombástico do momento? Quais livros te indicaram ou podcast sobre assuntos relevantes? Alguém te convidou para uma oração ou você se propôs a ser escuta plena?

Em uma sociedade do cansaço que te cobra dar conta de tudo, observo gente encurralada pela pressa, que sequer observam os detalhes que estão ao seu redor. Correndo para caber em medidas ditadas por padrões, muitos colocam sua atenção em elementos rasos de “receitas” que não combinam com sua verdadeira essência. Muitos leem apenas as chamadas de alguma postagem e já se consideram phd em pautas que não se aprofundam para desenvolver uma leitura crítica. Contagiados pelo excesso de informação, apenas reproduzem sem filtro. Precisamos pausar para ressignificar nossos passos.

Neste 25/05, domingo, eu acordei rezando. A oração tem me aproximado do silêncio. Visitei minha amada mãe, tomei café escutando seu riso, que presença afetuosa. O Cosmos parecido com o Cacau da Bruna e Henrique, estava sorridente em sua companhia. O cachorro que enxerga com os outros sentidos, o companheiro do nosso caçula. No fogão, o almoço colorido e delicioso para a visita que ela convidou, a outra avó paterna dos meus filhos. A generosidade, simplicidade, alegria e ternura de Maria de Fátima, que tenho a honra de chamar de Mãe, são cenas e ensinamentos que nos conectam com a natureza do amor.

Na feira, o pastel, o caldo de cana, o milho, tapioca, alho, hortaliças, legumes, temperos, frutas, cores, falas, risos, aromas e tantos elementos desse espaço coletivo que deixa a rua repleta de bancas e de encontros. Foi a primeira vez que fui à feira esse mês, já estava com saudades, esse lugar tem jeito de Mãe, recordações dos meus irmãos, dos primos e de tantos conhecidos do bairro. As barracas palpitam lembranças, os brinquedos dos filhos e netos, o pastel de gerações entrelaçando memórias. Na minha história de todos os meses que já vivi e dos que, com a graça de Deus, irei viver, memórias afetivas são os tesouros que cultivo.

Ah Maio, mês de um dos momentos mais intensos que seguem tatuados em minha alma, quando eu ainda era menina, no dia 31/05 de outrora, na novena derradeira, obrigada por este maio dos meus 50 anos. A Maria encerra essas notas mensais, agradeço a leitura dessas linhas desconexas, sem edição, apenas letras do coração que lateja saudade.

Com essa publicação, cumpro um dos meus compromissos mensais comigo mesmo, de escrever pelo menos 1 texto, em cada Blog. Escrita com fé e amor.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Distância e proximidade

Estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? Em certo sentido sim. As vezes tem pessoas que está ao seu lado e distante milhares de milhas. Outras que estão fisicamente em outro continente e muito mais próxima naquilo que importa. Estou há 32 dias longe do Brasil, na missão mãe e avó, nesta viagem invernal e tenho refletido muito sobre esses extremos. Me perguntaram do que sinto mais falta nessa experiência da viagem mais comprida que já fiz. Talvez eu não consiga descrever todas as coisas porque a saudade vai aflorando nos detalhes do cotidiano. O canto do pássaro na árvore seca desperta lembrança, o formato de uma nuvem, o cheiro do alho fritando no azeite, o riso das crianças e tantas cenas daqui que entrelaçam recordações de lá.

Contemplando um painel que Peaches fez das suas férias no Brasil do ano passado, lembrei dos meus contando sobre a hora de compartilhar na aula sobre as férias, logo após o início de cada semestre, seja na escrita, fotos ou oralidade. Tenho escrito poucas linhas diárias sobre minha passagem por aqui e fiquei pensando o quanto de vida esses dias estão acrescentando a minha memória afetiva. Na gélida estação do Norte, o calor do afeto tem aquecido minha alma. Eu sou grata por estar aqui, ainda que seja tão doloroso a saudade de todos que verdadeiramente me amam e que estão do outro lado do Atlântico. Sou mulher do sentir e sei bem quem são.

No começo da viagem, tivemos por aqui a companhia da Isa, a tia amada de Peaches, Damian e Alise. Meu caçula Arthur viajou para Pernambuco. Os dois já estão em casa desde final de dezembro. E minha maravilhosa irmã tem me ajudado muito. Alise, a menina luz, nasceu dia 13/12/24, na Lua Crescente, dia de Santa Luzia. Foi a primeira vez que eu pude acompanhar esse momento tão precioso da minha primogênita que completou sua tríade. Sintonia refinada com a mãe aqui. Eu acredito em propósito divino e sinto com toda força que a maternidade da Bruna tem um sentido tão intenso que ela vai descobrindo e vivenciado em cada ciclo. Quando sentimos no ventre e assim que nasce acolhemos em nossos braços o bebê, um turbilhão de sensações percorre nosso ser. Eu jamais vou conseguir descrever tamanha imensidão.

Uma vez ouvi: você é uma avó jovem. Nem tanto assim. Este ano completarei 50 anos e segurando Alise no colo me pus a rezar para que eu possa ter a graça de viver muito mais para continuar visitando-os aqui e os recebendo no Brasil, nesse ir e vir de chegadas e partidas, nesse espaço de vida que vamos colecionando memórias. Voltando as perguntas, para findar o texto, deixo aqui minhas simples observações sobre essas questões cujas respostas podem ser bem diferentes para cada pessoa e até ter semelhantes em alguns pontos com as minhas também.

Do que sinto mais falta nesse período longe de casa? São muitas, do abraço a comida e tantas variáveis que renderiam páginas e páginas, mas vou me deter em três que representam muitas para findar esse texto: 1- dos filhos: do aperto abraço do meu Arthur, meu caçula que tira meu juízo e inunda minha vida de amor e das falas da Isa, da sua sensibilidade que me abraça no olhar. 2 - do café da minha mãe nas manhãs de domingo. Somos muito abençoados por ter essa Maria de Fátima e tia Lane e Coca...). 3 - dos laços amizades e das conversas presenciais profundas e recheadas de riso.

Sobre a minha pergunta - estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? - deixo aqui outras perguntas provocações para que questionem: você está realmente presente em cada ação? Tem atenção plena na escuta do outro? Está atento a fala durante a conversa ou absorto em distrações? Quantas vezes você esteve com alguém do seu lado e se sentiu sozinha? E como é encantador quanto sentimos o contrário. Quando a pessoa está distante léguas e te conhece tanto que sente pelo som da sua voz como você está. Isso sim faz diferença. Que sejamos cada vez mais Presença real. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Notas despedidas

O clima
Meu corpo anda dolorido da avalanche de demandas e cá estou para registrar minhas notas nessa manhã quente da primavera paulista.Começo refletindo sobre como a meteorologia impacta o estado dos sentidos. Na semana úmida de novembro, quando a umidade aflora o cheiro do mofo das coisas, o céu cinza, ausência do sol, despertou memórias do passado, passos com pés molhados pelo furo e rosto quente de lágrimas salgadas. Um contraste da garoa fina e incessante com o rio quente que descia dos olhos, aquecendo a caminhada. Lembrei também da umidade da serra em Ubatuba com as frestas de sol que surgiam de quando em quando e acendiam a esperança do céu azular. Qual o meu clima agora? Agarrando-me a brecha solar que indica que a estrela está viva.

A cirurgia
Na companhia de mãe, nas estações Osasco, Barra Funda e Bresser Mooca, catracas, exames, consultas, cardiologista, cirurgião, pressão baixa e alta no círculo das emoções. Observando seus cachos com a tiara de pano que ela adotou, seu olhar preocupado, sua angústia desse ir e vir, incomum a sua rotina. Começamos mãe, temos que ir avançando nas etapas e finalizar o processo, dizia eu buscando uma coragem que em alguns momentos vacilava também. E chegou o dia da cirurgia. Ainda era madrugada quando saímos de casa para o hospital. Meu coração suspenso ao afagar seu braço quando ela foi com a enfermeira para o centro cirúrgico. As horas intermináveis até eu novamente encontrar com minha mãe no final do dia arrastaram-se doloridas. Ela se recupera bem, em casa, seu canto favorito.

Ser casa
Minhas referências de lar, quando eu realmente me sinto em casa, tem personagens vivos, em carne e osso, e nas recordações que palpitam no meu corpo. A casa dos meus avós paternos sempre tinha gente, filhos, netos, sobrinhos, parentes de diferentes graus e conhecidos. O doce de madrinha, sim ela foi e segue minha madrinha-avó, as merendas que vinha da bodega, seu pirão, sua cadeira e orações...na dos meus avós maternos, o bolo de Vozinha, o cheiro de Vozinho, os terços, as novenas, as conversas e os risos ecoando no alpendre, as janelas, a rede, o céu do sertão, os vagalumes, as canções dos pássaros e os sons da roça....o cuidado da irmã Lane, as delícias culinárias da Tia Coca, os preparos cuidadosos de tia Toinha e a generosidade e acolhimento de Mãe, me ensinam a ser casa onde meus passos alcançarem.

Proximidade
O entardecer no mar do Nordeste em Aracaju, clicada por minha filha Isa abraçando minha saudade. O amanhecer clicado na estrada de Pernambuco por meu irmão Giva irradiando a luz da nossa irmandade, as fotos dele e meu irmão Paulo na companhia do meu pai em Lagoa do Barro, da igreja, da praça, do Juazeiro, do açude e do sítio de tia Lia...em Parnamirim, os meninos visitando tio Neto, Vozinha e resenhando no churrasco na casa do meu primo Fernando...as gargalhadas chegam pelo vento que sopra amor... imagens que afagaram meu espírito com a proximidade que nos enlaça além-fronteiras.

Embarques
Os próximos embarques estão marcados. Meu caçula Arthur viajará para suas férias no sertão, entre Parnamirim e Araripina, minha rede de apoio para cuidar dele durante minha viagem para o Norte global. A sua mãe aqui cruzará o Atlântico para a missão com a primogênita, acompanhar o nascimento da minha neta, ainda sem nome. A baby menina chegará no Natal e com a bênção de Nossa Senhora sinalizará o renascimento de um novo tempo. Na aurora invernal ela chegará para completar a tríade da minha Bruna. Tem um propósito grandioso na sua maternidade e no laço sagrado que nos une nesse processo de mudanças e cura. Junto comigo estará meu Elo Sagrado, a filha do meio, nossa sensível Isa. Na estrada de saudades que sou, a cada chegada e partida, deixo e trago na bagagem a gratidão das conexões que enternecem minha vida.

Minhas notas de 2024 findam nessa postagem. Os abraços dos netos para aquecer o inverno norte me esperam. As rezas do Sul me seguirão. As saudades permanecerão latejando. Agradeço o afeto da leitura e desejo um Feliz Natal para todos. Até o ano vindouro e que 2025 seja leve. Amém!

sementes, céu, mar, sertão, frontieras, norte, sul, estrada e laços

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Notas primaveris

Florescer
A primavera chegou, as amoras estão no fim, novas folhas nasceram nas plantas, brilham frutos vermelhos na folhagem do quintal, as tempestades ainda avançam e eu espero o ciclo da mansidão. O bálsamo das orações aquieta o turbilhão, as novenas de vozinha, o Terço em honra a Nossa Senhora na intenção da matriarca avó que tanto rezou e segue rezando por nós, ainda que debilitada na fraqueza da idade, sua fortaleza de espírito nos inspira. Hoje ela levantou para sentir o cheiro da chuva, a primeira depois de 7 meses, que chegou ontem a tarde, anunciando a Lua Cheia e banhou o telhado e o solo na madrugada sertaneja. De longe, senti a terra sorrindo com o milagre das águas. Há de florescer um novo tempo.

Ligeiro
Os ponteiros do relógio correm na velocidade turbo. Os dias chegam a galope, semanas, meses... me deparei assustada com os panetones nas prateleiras dos supermecados. As ofertas do Dia das crianças se foi, nas lojas o terror enfeitado para o Halloween e encantadoras decorações de natal. Logo as luzes natalinas brilharão pela cidade. Estamos nós acelerados ou o ritmo temporal deu uma enlouquecida? É um chamado para viver com mais atenção a dádiva de cada dia? Quantos escutaram os sinais? Quantos nem sequer notaram no doido piloto automático do cotidiano.

O clima
Há tantas variáveis na passagem do tempo e isso vai muito além das condições climáticas. Uma hora de ventos e chuva intensa é capaz de causar muita destruição. A força da ventania chuvosa encontrando a estrutura desastrosa em grande parte dos ambientes das cidades. As tragédias e transtornos ganham as manchetes dos jornais, prejuízos de bilhões. Poderíamos aproveitar o ibope delas para refletir melhor sobre a importância de votar com consciência. Os impactos desfavoráveis da falta de gestão política afetam com maior força a parcela da população mais vulnerável. Nossa escolha influencia o presente e o futuro.

Ida, volta...chegada...partida
Comprar passagem de última hora por necessidade emergencial nos dá a dimensão do absurdo do valor das tarifas aéreas. Não tem como equacionar o valor da presença de mãe e minha tia na companhia da minha Vozinha nesse momento de sua fragilidade. No entanto, não há como não se indignar com o preço abusivo. É de lascar. Para suavizar viremos a página. Ouvir a voz das três filhas juntas, as notícias dos cuidados, o afeto do lar sertão, a serenidade e integridade do Tio Neto...nesse momento mãe já retorna trazendo na bagagem chás e memórias atemporais. Somos estradas de saudades...

Voz e escuta
Gravamos o primeiro episódio da primavera do podcast Conecta Analice. É incrível conhecer as histórias e memórias da avenida nessa hora de diálogo. Dar voz aos personagens da avenida dos meus passos é uma das propostas do projeto que idealizei e estou conduzindo junto com meu irmão. Cada visita e gravação rende muito aprendizado. Temos o Blog, Instagram e os canais do Youtube e Spotify. @conectaanalice

Os sonhos
“Falou com seu irmão? Tive um sonho ruim.’ Diz mãe ao telefone. A mensagem do sertão atravessa o país e chega ao mar de Paraty. A resposta tem riso: “estou bem vivo diz a Mãe e avisa Vozinha que mês que vem chego lá para pedir bênção.” Como diz tio Neto: Reaja que os 100 anos está acenando na janela Vozinha. Sonhar diz muito. Freud e a psicanálise dão muitas pistas. Ontem mesmo tive um muito especial. Num campo com atmosfera mágica, luminosidade abraçando o cenário, margaridas sorrindo, meus netos Peaches e Damian e minha primogênita de mãos dadas, passos e olhares alinhados, Bruna exalando sua divina beleza com seu vestido branco e manto azul. Eu acordei com essa imagem e rezei uma Ave Maria.
Bora seguir sonhando...andando...voando e construindo verbos ações

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Notas de outubro

Se eu não endoidar esse ano, não enlouqueço mais. Disse eu para minha amiga recentemente. 2023 ficará cravado como capítulo potente em distintos sentidos. Esse mês então, que turbilhão. Eita que o eclipse de outubro fervilhou por aqui movimentando as marés profundas. Para suavizar essas notas mensais porque nem tudo é estresse, vamos registrar nuances afetivas do mês que SIM, nos auxiliam a sobreviver.

Nossos churras são bálsamos mensais. Temos um grupo de amizade que sempre está junto e os encontros são regados de música, churrasco, riso e partilha de histórias e emoções. Ah e o que dizer das conversas sensoriais com as amigas então. Tem aquela que nos reconhece pelo tom da voz. É sintonia elevada demais. Quanta gratidão sinto pelos tesouros amizades.

Teve evento empreendedor do Sebrae com aprendizados turbinados. Por mais que nossa agenda seja corrida vale a pena organizar o tempo para participar de feiras como essa que tem um mix de atividades para ampliar nosso conhecimento e experiência. A Feira do Empreendedor 2023 ampliou meus horizontes.

O café marcado e remarcado que virou almoço. De uma conversa no OZ Valley para o estreitamento da conexão. Dessas presenças valiosas que vão muito além. Tem personagens que chegam em nossas vidas com traços divinos. É coisa do sentir e eu tenho plena convicção de que essa teia vai render uma costura preciosa.

As caminhadas de outubro foram mínimas. Falhei demais nesse quesito e preciso melhorar. Por outro lado, tenho me alimentado melhor. Mais frutas, muita água e menor quantidade no prato. Claro que tem as exceções, como no último sábado que fui recebida com cuscuz e baião de dois. Ah essas delícias no almoço repentino e intenso. Que oração fervorosa do Terço Mariano. A fé também nos enlaça.

Dos aniversariantes do mês, destaco meu irmão. Nossa irmandade é sagrada, com cheiro de maresia, riso do sertão e a força da eternidade. Por falar em fortaleza, agradeço as orações de vozinha e de todos os meus laços nesse mês revolucionário. Senti na pele as vibrações que ultrapassam fronteiras e me ensina que o Amor é SIM a potência que transforma.

Gratidão outubro. Que venha novembro!

A mesa do Terço, a comunhão da oração na casa da amiga

o fio de chuva, a brisa da tarde de primavera, na sacada de casa

colecionando janelas de saudades. O outono saudades do Norte

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Notas de setembro

A primavera chegou, setembro está caminhando para o fim com a Lua Cheia para saudar a chegada de outubro. De toda intensidade do mês, a sensação indescritível da promessa cumprida, no Rio de afeto, seguirá aflorando na memória afetiva. Dias de diálogos nutritivos, de riso e partilha. Dias de Sol e brisa ao entardecer, de abraços, oração e emoções que nos enlaçam. Observar a sintonia que meu caçula tem com a prima/tia me traz a convicção do quanto a presença e a conexão refinada marcam nossas vidas.

Os passos de setembro pelas ruas do bairro que já morei e onde sigo trabalhando, despertaram saudades da infância da Bruna e Henrique. Algumas mudanças nas ruas, outros detalhes antigos que permanecem, mesmo que transformados pelo tempo. Também estive na Secretaria de Cultura, no Centro de Eventos Pedro Bortolosso, local que tantas vezes fui levar Bruna ao curso de teatro, antes de migrar para a Escola de Artes. Na ocasião conheci muitas empreendedoras, uma delas formada em curso ali neste local.

Circulei por campos de futebol acompanhando meu caçula Arthur nos jogos em São Paulo e Cotia. Encontrei amigos em churrasco regados de alegria. Comi menos, andei menos, tentando equilibrar a equação. Lições e provas, casa e rua. Teve florada branca da planta presente da irmã, montagem do meu altar, janelas enfeitadas, cuidado das plantas, a árvore na transição das estações, rezas no quintal contemplando a mudança das posições das estrelas na dança do céu. Suor, riso, lágrimas e leitura.

Acompanhei de longe e tão perto no sentimento, o primeiro mês da Isabelly na nova escola e como estou orgulhosa da sua coragem e desempenho. A menina que ama estudar trilhando um novo caminho, nas letras, no esporte e no convívio. Tantas novidades aprendizes ainda virão. Boas novas vindas como bênçãos. Seguimos recebendo a visita das borboletas. As saudades latejam no meu Sul Global, das filhas, dos netos, da casa, da rua e do mar. É um novo ciclo de experiências nos dois hemisférios conectados pelo sentir.

Gratidão setembro. Com fé, alegria, leveza e amor na bagagem me preparo para receber o mês vindouro. Ave Maria e Avante que outubro é mês de Nossa Senhora Aparecida.

Leblon, Rio de Janeiro, 22/09/2023
A nova folha do Outono Norte
casa, a árvore das minhas estações

domingo, 30 de abril de 2023

Notas de Abril

O quarto mês do ano está virando capítulo hoje. Eita que o tempo anda ligeiro no meu calendário ou será que eu que estou acelerada? A percepção pode ser diferente para cada pessoa. O lugar, acontecimentos, gestão da agenda e outras variáveis alteram a forma como as pessoas sentem a passagem dos dias. Há dias mais longos e outros muito curtos que gostaríamos de estender as horas. Os minutos tem seu ritmo semelhante e diferencial, nesse oposto presente em tantos retratos.

Minhas notas de abril renderiam muitas páginas que talvez jamais eu escreva. Enquanto eu contemplava no entardecer desse domingo, durante os passos de minha caminhada, de um lado as cores vibrantes do pôr do sol e no outro a Lua Crescente no céu, eu refletia sobre o quanto o movimento do outono de abril vai deixar suas marcas na memória afetiva de 2023. Foram 30 dias e muita vida nesse espaço do ano.

Iniciei o mês com uma tosse que me tirou o sono e olha que ele é sagrado na minha rotina. Ela se alongou e tive que ir parar no pronto socorro. Uma tosse alérgica irritante que causou muito desconforto. Passou depois da medicação e levei uns dias para recuperar o sono perdido. Fiz uma sessão de acupuntura e reflexologia que ajudou a alinhar meus sentidos e recomendo muito esse cuidado. É uma meta que preciso ampliar.

A saudade de abril de 2022 palpitou muito. Passamos a Páscoa do ano passado juntos no hemisfério Norte. Eu, minha tríade e meus netos. Damian meu neto completou 2 anos dia 10/04, Arthur meu caçula 11 anos em 17/04 e minha primogênita 29 dia 23/04. Novos ciclos  para seguirem entrelaçando suas histórias. Eu peço a Deus que me conceda saúde e energia para acompanhar esta e outras vindouras estações da vida dos meus filhos e netos.

Participei de eventos em abril que possibilitaram muita partilha sobre o segmento que atuamos. Para além desse diálogo, digamos técnico, as conversas renderam outras nuances porque não somos apenas o profissional, cada pessoa é plural e as trocas são enriquecidas com experiência do trabalho e da vida. Gratidão pela alegria dos encontros em São Roque que seguem ecoando, assim como a visita e os contatos da Automec.

O mês foi movimentado. Não cumpri a meta semanal da caminhada em nenhuma semana do mês. Tudo bem. Vou tentar recuperar em maio. O exercício físico faz muito bem e eu adoro caminhar. Tiveram os jogos de futebol do Arthur, as provas bimestrais, reunião escolar, feriados, cuidado das plantas, corre daqui, corre dali e para encerrar teve a festa do aniversário do Arthur com muitos amigos dele jogando bola e os veteranos no churrasco e cerveja. Pense numa resenha divertida.

Neste domingo de encerramento do mês, a missa matinal, o almoço, o sono reparador da tarde, coisa rara de acontecer, a caminhada no “arrebol”, o café da tarde e a escrita das notas. Gratidão abril. Tem linda Lua Crescente no céu e um vento leve anunciando o novo mês.

a trilha da saudade

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Gratidão pelas memórias de 2020

Todas as memórias de 2020 são intensas. Que ano doido! O ano em que a ausência bateu forte, as restrições nos confrontaram com desafios novos, a saudade latejou como nunca. A falta da proximidade dos encontros e abraços. Foram dias, semanas e meses numa lonjura de lugares e pessoas que amamos. E iniciaremos o novo ano ainda nesse cenário. Ainda assim, estou viva nesse 31/12/2020 e sou muito grata por estar aqui, sentada no meu quintal, ouvindo os pássaros anunciando a alegria do amanhecer, ao lado das minhas plantas e flores, com um céu azul de pequenas nuvens brancas e com o coração transbordando de esperança sentindo a brisa de verão desta manhã.

As recordações de 2020 não caberão em nenhuma página ou livro, muito do que vivenciei ficaram entalados na garganta, presos na reflexão dolorida que sufocaram as lágrimas que um dia irão jorrar e nas lembranças que irei escrever. Sim eu escrevi muito pouco este ano, apenas pequenas notas rabiscadas. Enviei cartas para minha filha e vozinha, algumas escritas a mão, com minha letra quase indecifrável. Ainda gosto disso, ainda que um calo chato pelo jeito que seguro a caneta incomode. Ele fica marcado, como as letras escritas no papel, pintadas com lágrimas que secaram a folha e ainda assim, seguem na carta.

Eu li muito, Maya Angelou, Angela Davis, Djamila Ribeiro, Grada Kilomba, Miguel Nicolélis, Cidinha da Silva ...ah os livros foram e seguirão sendo companhias sagradas. Adoro cheiro de livro, folhear e marcar trechos. E por falar neles o Leia Mulheres presencial fez tanta falta. Foi nesse projeto ímpar que conheci autoras como Conceição Evaristo, Jarid Arraes, Gioconda Belli, Scholastique Mukasonga, Ana Rusche, Mariana Carrara, bell rooks minha próxima leitura e tantas outras escritoras maravilhosas. Laço duradouro que seguirei acompanhando. Ler é um hábito aprendiz e múltiplo. Minha filha Isa também mergulhou na leitura e sinto tanto orgulho de vê-la lendo com tanta sede. Incentive seus filhos a ler, é um exercício de amor.

Do verão em janeiro e agora de sua chegada em dezembro eu acompanhei a árvore do João de Barro. As mudanças nas estações, das folhas caindo até os galhos secarem, delas renascendo, crescendo e enfeitando o céu com sua copa frondosa. E o presente que veio na primavera com o novo ninho que vi sendo construído com maestria. Vidas florescendo no ninho casa. E que sejamos CASA onde quer que nossos passos caminhem. Vem 2021! 

Verão janeiro

Outono abril 2020

Inverno julho 2020

Primavera outubro 2020

Verão dezembro 2020

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Que a gratidão prevaleça

Encerrando mais um mês desse estranho ano de 2020. Tem uma mistura de sentimentos palpitando aqui. Que a gratidão exploda na frente e faça permanecer a esperança por dias melhores, por menos mortes, diminuição de contaminação, pela desaceleração dessa pandemia, pelo êxito das vacinas. Essa elevação das mortes me afeta muito, não são apenas números de estatísticas frias, são pessoas com seus laços. É doido demais. Tenho procurado acolher minha tristeza.

Eu rezo. Eu dou risada das tiradas do meu marido. Eu choro também e minhas lágrimas quentes se misturam no chuveiro. Eu que sempre enalteci a saudade feliz, daquilo que sentimos do que amamos, tenho sido cortada pela saudade latejante da distância que se alonga demais. O alongamento da quarentena parece não ter fim e sofremos, cada um do seu jeito, essa ausência dos encontros e abraços.

Hoje eu acordei ouvindo o canto do galo e dos pássaros saudando a manhã fria. Há um céu nublado e uma garoa fina. Ainda assim o som do despertar dessa aurora me trouxe um afago. Que a gratidão, a esperança, a fé e o amor, prevaleçam, sempre.

A árvore que acompanha minhas estações. Julho. Inverno. 2020. O ninho segue firme e inspirador


quinta-feira, 30 de abril de 2020

As páginas de abril

A página não está em branco. Mesmo que nesse período eu esteja escrevendo pouco. Parece que está tudo sufocado aqui dentro. Cheia de dores e esperanças. Entres lágrimas e sorrisos a vida pulsa na saudade que dói. Hoje acordei e ainda vi estrelas no céu. E junto ao cheiro de café, contemplei a claridade chegando no quintal.  É final de abril e fiquei refletindo sobre esse mês atípico e das marcas que ele tem cravado em nossas vidas. Ainda assim, temos motivos para agradecer...

Abril é sempre especial, mês do aniversário da minha primogênita e do nosso caçula. Outono aqui, primavera lá. A comemoração diferente, com simplicidade e muito amor. Eles crescem, cada um a seu modo e no seu tempo, fortalecendo essa teia de cada estação, ramificando o infinito amor que nos enlaça. Gratidão por mais um mês, eu poderia escrever tanto, mas está tudo dolorido demais por hora.

Desses encontros virtuais que ampliam a saudade da presença

quinta-feira, 26 de março de 2020

As saudades da quarentena

Há uma onda de saudades no ar. Emanadas por tantas pessoas. Aqui de casa, observo a minha, do meu marido e das crianças e sinto da voz das ligações, a falta da presença que aperta o peito e solta as lágrimas. É dolorido ficar longe.

Arthur sente falta de correr por aí, andar de bicicleta, brincar ao ar livre. Faz 5 dias que ele não sai de dentro de casa. Para o menino energia da casa tem sido bem difícil.

Isa até chora quando fala da escola. Sente falta das amigas, das conversas no intervalo, das aulas. Cada dia vai lembrando, hoje teria aula de tais disciplinas.

O pai olha para seu canto da churrasqueira. Ele que adora receber os amigos, anda com saudades das companhias preciosas do nosso grupo tão especial. Diz: “é logo que vamos estar cantando e rindo aqui”

E penso como é afetuoso sentir falta de quem amamos. Que logo tudo passe, para florir nosso quintal de abraços, conversas, risadas, canto e muito amor.

os amigos no canto que eles gostam

terça-feira, 30 de abril de 2019

Abril e o ciclo vida e morte do outono de todos os tempos

Abril sempre será um mês especial em minha vida. Nasceram no outono deste hemisfério, minha primogênita e meu caçula. Uma diferença de 18 anos entre eles. Um da Terra, outro do Fogo. E celebrar a vida dos dois é uma alegria que renova minha gratidão e a certeza de que cada estação tem muito sentido. O ciclo é perene, embora não sejamos imortais.

Mesmo que não compreendamos na hora e duvidemos em alguns momentos, tudo tem um propósito e vamos aprendendo. Assim o tempo vai nos moldando, e vice e versa também. Não à toa a energia gira circular. Faça um exercício de girar e sinta o movimento do vento. É mágico. “Coisa de doido” diz meu marido quando me ver nessa conexão, dançando e ouvindo o canto do vento. E respondo: Sou grata por ter nascido louca. E o som da minha gargalhada inunda o quintal e a leveza enlaça meu corpo.

E já que citamos movimento, abril foi fervoroso. Fazendo o zoom por tudo que passou dentro do mês percebo quanta vida nesse intervalo de tempo. Vou listar alguns acontecimentos que palpitam agora em minha memória coração:

Mãe viajou para ver vozinha. Meu irmão Paulo veio do Ceará para uma curta temporada e sua companhia alegre faz tão bem. Eu recebi minha adorável prima Ruthi em casa. Ah sua presença trouxe tanta ternura ao meu coração. Mistura de Pernambuco, Pará, São Paulo, Osasco, Cotia, cenários, cheiros, personagens, chegadas, saudades e partidas.

Fui ao Pronto Socorro, consulta, laboratório, sangue, exames, bactéria. Os imprevistos e os check-ups necessários. E até isso ensina que é preciso começar e seguir o passo a passo para definir e programar a solução.

Teve churrasco nas alturas e encontros no solo. Teve missa, domingo de Ramos, almoço de Páscoa. Café com gente amiga. Teve parque, teatro, bolo, trem, metrô, estações, prédios, livraria, ruas, avenidas, futebol, natação. Sorrisos e lágrimas. Livros, abraços e poesia. Alegrias e tristezas. Para lembrar que a presença da morte e vida está no cotidiano, em distintos contextos e com diferentes leituras.

Encerrando esse rascunho do mês, que apesar de nem chegar perto da intensidade de abril/2019, deixa rastro de sua grandeza, uma das minhas frases preferidas do Homem Aranha que tem sintonia com a minha teia enveredada de laços: “Se você guardar uma coisa tão complicada como o amor aqui dentro (no coração), vai ficar doente.” Peter Parker. E para finalizar, um trecho do melhor Spoilers de Vingadores Endgame, escrito por meu irmão Henrique:

“Sempre assisti filmes com meu filho. Outro dia, víamos uma foto sua ainda bebê segurando dois bonecos de super heróis. Sabemos que não estamos sozinhos no multiverso (ele sonha em viajar ao universo 616 e poder olhar para o alto em NY e ver o Homem-Aranha passando). Sabemos que a ficção é tão real quanto nossa própria vida e que o que se define fácil por realidade não nos é suficiente. Brincamos se não seríamos Odin e Thor levando uma vida mortal para aprender o que é ser humano. Super heróis é o que mais próximo temos de uma religião....
E então os Vingadores. Todos eles. Aqueles que haviam morrido voltavam um a um para enfrentar o inevitável. E ele finalmente, recompensado, sorriu, um sorriso que falhou, e seguiu um novo choro. Um choro diferente, aliviado.
Era de felicidade.
Para sempre vou lembrar do choro de felicidade do João, invariavelmente, e sentir felicidade junto. Eu mesmo chorei ali, feliz por e com ele. E vou sempre lembrar que o sorriso se banhou de lágrimas, exatamente no momento que mais se esticou, porque viu a volta daquele que mais o machucou ao morrer. O Homem-Aranha...
E espero que enquanto nossa mortal experiência neste universo durar, possamos continuar assistindo juntos à filmes e heróis.”

os personagens de abril. Muito amor nessa teia que entrelaça outras teias nessa trança de gente.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Saudades

Saudade é um sentimento. Podemos sentir saudade de tantas coisas, pessoas, momentos, lugares, viagens...eu aprecio ter saudade feliz.

Hoje estou com saudade da minha filha que viajou ontem. Nem faz 24 horas que ela viajou e como sua presença faz falta na casa. Ela está distante. Estou na chuva, ela no Sol. Mas estamos juntas na eternidade do amor.

Tenho família que mora distante: avós, pai, tios, primos. Sinto saudades de todos e muitas vezes rezo por eles no silêncio do meu coração. Quando ligo e ouço sua voz, sinto a energia do carinho vindo na suavidade do vento. É uma alegria quando posso ir vê-los presencialmente.

Sentir saudade não significa ficar presa ao passado. É uma forma de agradecer a alegria de ter vivenciado momentos tão especiais. Sentir saudade é amar. E é por amar tanto minha filha que estou com saudades do seu abraço.

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...