sexta-feira, 2 de agosto de 2019

A metamorfose do sentir e sentidos

Engraçado como me dei conta do quanto evolui em determinado quesito ao ouvir recentemente a frase de uma amiga: “Adoro a sua frase: -quando azeda, não tem mel que adoce-. É um marco de sua transformação.” E as gargalhadas ecoaram. O diálogo enveredou por páginas de livros, pela ótica da psicologia que encontro também na poesia e que são capazes de tecer costuras com situações do nosso cotidiano.

Saber que minha frase também teve impacto reflexivo para outra pessoa, especialmente sobre a relevância da escolha do SIM e NÃO, com coerência com aquilo faz diferença em sua vida, foi um presente dessa conversa que segue ressoando. Pode até ser a idade, ou a maturidade avançando, o certo é que ando mesmo dando um basta em tudo aquilo que me abusa. A seleção refinada anda cada vez mais refinando os laços.

Ao me afastar de tudo que desgasta vejo florescer novos horizontes. Realmente a fluidez é mágica quando nos damos conta de que o impulso para a mudança está palpitando dentro de nós. É por isso, que se você realmente for próxima e me ver meio sumida, não se assuste, estou em plena metamorfose. Agora se for daquelas de proximidade REAL, chega mais na presença ao vivo e a cores que tem muitas risadas para tecermos juntas. Está em meu DNA a arte de compartilhar o que sinto com quem faz sentido!
A simbologia da metamorfose: Borboleta. Crédito da imagem: Pinterest

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Gratidão pela fertilidade invernal de julho

Ah longo julho, abençoado mês do nascimento da minha menina das águas. Gratidão por sua passagem. Ela que é um presente em nossas vidas, dedicamos todo amor, do tamanho do oceano. A grandeza da sua sensibilidade é um laboratório aprendiz dos meus dias e eu me sinto tão abençoada por ser sua mãe. Preciosa Isa, da Lua Cheia.

E cada fase lunar foi intensa. Julho das surpresas que explodem no inverno de outro tempo. Sim, a transformação acontece no seio desse cotidiano moldando o tempo de cada um e de cada coisa. Os retratos que se apresentam de tantas formas: sutis, escancaradas, doidos, fortes, suaves ... O vento cortante vindo da friagem do Sul avança e me fez procurar o calor da sopa, do abraço, do cobertor do silêncio e daquilo que sentimos no olhar que tanto diz.

Das leituras com as crianças, o destaque foram: Sinto o que Sinto. E a incrível História de Astar e Jaser, Caderno sem Rimas de Maria e os quadrinhos da Turma da Mônica. Os livros, meus companheiros de cabeceira, meus amigos de todos os dias. Um corpo negro de Lubi Prates, Bruxisma de Pilar Bu e dessas indicações preciosas que chegou dia 30/07 e estou lendo com todos os poros: Redemoinho em dia quente de Jarid Arraes. Há uma teia literária de uma leitura que desperta outras. E a sequência tem um quê de magia.

Um corpo negro tocou profundamente minhas cicatrizes. Foi o livro tema do Leia Mulheres de julho. Ontem tivemos o especial encontro com a presença da escritora. Partilhar aquilo que sentimos, nossas vivências e aprendizados, nessa comunhão da leitura compartilhada, foi e seguirá sendo enriquecedor. A poesia tem esse poder de nos rasgar e remendar e criar laços diferenciais, daqueles que marcam.

As mensagens aflorando das linguagens que enxergamos pela ótica dos sentidos. Memórias do mês que virou capítulo de 2019. Elas seguirão ressoando e fortalecendo as conexões. Tem Lua Nova iniciando agosto. Viva!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O modo automático virtual prejudica as relações reais?

Eu uso o WhatsApp comercialmente. Sem dúvida, é uma importante ferramenta que agiliza os contatos. E mesmo que a agilidade seja fator determinante em muitos setores, o bom senso e a gentileza não deveriam faltar. Algumas pessoas enviam mensagens que quando não são respondidas imediatamente geram diversas interrogações. Alguns ligam via zap e a nitidez desse tipo de ligação nem sempre é favorável. A resposta via WhatsApp pode não ser imediata por diferentes motivos: eu posso estar em uma ligação no telefone fixo; atendendo cliente no balcão; emitindo a garantia da turbina e etc.

Tenho procurando estar presente em cada ação e isso tem efeito positivo para solucionar cada demanda de atendimento. Além disso, pode ser horário de almoço ou não ser horário do expediente. Tudo tem os prós e contras. E todo excesso é prejudicial. Com essa convicção alinhada, determinamos atender as demandas do trabalho, no horário do expediente das 8:00 às 17:00, respeitando o intervalo do almoço das 12:00 às 13:00. Desligamos os celulares da empresa pontualmente às 17:00.

Pessoalmente eu uso o WhatsApp com muita moderação. A pessoa que mais falo é com minha filha que mora do outro lado do continente. Esses dias eu ouvi de uma criança um alerta que serve para muitas pessoas: “minha mãe tem tanto grupo de zap que fica parte do dia só vendo mensagens.” Muitas vezes a pessoa está tão ligada no automático que sequer percebe a quantidade de tempo que tem dedicado ao celular. Acaba perdendo a oportunidade de contemplar as preciosidades do cotidiano, dessas coisas simples como a leitura de um gibi com um filho e gargalhar junto com as tirinhas, contemplar o pôr do sol, ler um bom livro e tantas outras coisas.

Os grupos de WhatsApp são úteis? Sim, podem até ser. Tudo é uma questão de como você utiliza. Eu não aprecio grupos e só estou inscrita em alguns com poucos membros e que tem uma função importante. Um deles é o grupo de mães da catequese cujas mensagens sobre as atividades costumam acontecer 1 vez por semana. O outro é o grupo dos amigos do churrasco. E o último é composto por amigas conterrâneas cuja interação acontece para agendar encontros e nos falarmos vez ou outra. Nosso melhor diálogo é mesmo ao vivo e a cores. Da família não participo de nenhum. Do jeito que a minha é enorme, eu iria receber tantas mensagens que meu celular simples iria pifar imediatamente.

Outra coisa que tenho percebido e que poucas pessoas estão se falando ao telefone, apenas por mensagem. Eu prefiro falar e sentir a voz da pessoa, especialmente, com os laços da minha jornada. Ah e se precisar falar comigo e for urgente, me liga. Posso demorar horas para responder mensagens de zap. Dependendo do teor eu nem respondo. A ligação eu costumo retornar. Por exemplo, no aniversário de pessoas que estimo eu ligo e tenho ouvido com espanto de algumas pessoas a seguinte frase: “nossa só você mesmo para ligar, foi a única ligação que recebi”. Nossa que estranho ouvir isso com mais frequência. A diferença em receber uma mensagem e ligação, na minha compreensão, é gigante e diz muito sobre consideração. É assim que sinto e o que sinto faz muito sentido em minha vida. Será que a comunicação entre as pessoas passará a ser apenas por mensagens?

Os encontros reais tem a graça do abraço, do olho no olho, do sorriso que aflora. Em tempos de contatos tão virtuais que acelera o modo automático das pessoas, a indiferença parece maior e a proximidade rara. Percebo gente que espalha AMOR nas redes sociais pela família e sequer visita o ente que se diz “querido”. Tá na REDE e não na REAL. É o carinho maquiagem, é a exibição espetáculo. Já li em uma mensagem que fui ver horas depois de enviada: “nossa que saudade, faz tempo que não te vejo”. E respondi: Moro na mesma casa, trabalho no mesmo lugar e meu telefone é o mesmo. É preciso ficar atento para não se deixar viciar pelo modo automático e prejudicar suas relações reais. O abraço é melhor do que um áudio no WhastApp. E tem gente percebendo com nitidez essa falha, falta e desequilíbrio. Tenho observado com muita alegria um movimento inverso. De gente se desligando para se ligar.
Crédito da imagem: Wikipédia

terça-feira, 2 de julho de 2019

Junho tríade abençoado

A palavra tríade faz referência ao mês dos três Santos, Santo Antônio, São João e São Pedro. Junho sempre foi um mês especial na minha jornada. Nasci no sertão e sei o quanto junho é precioso em nossa terra. Lembro com muito carinho das novenas e procissão de São João Batista. Dessas memórias afetivas que seguem vivas na alma.

Por aqui também tem as festas juninas, na escola, na igreja. As diferenças são grandes. Ainda assim eu aproveito esse período com muito gosto pelas comidas da festa. Ah o milho e suas derivações deliciosas. Que alquimia saborosa. E as festas juninas do mês de junho/2019 estão na minha lista de gratidão. Que a fogueira da boa tradição continue a se perpetuar pelas gerações.

A viagem ao Rio de Janeiro também foi abençoada. Rever pessoas que estimamos é tão gratificante. Além de todo encanto que o Rio desperta pela beleza da paisagem, tem uma poesia na cidade que aflora os sentidos. Há muitos Rios por descobrir. A curta viagem deixou saudade. Não há tradução para aquilo que nos toca, apenas nuances do que sentimos e posso dizer que o afeto encantador carioca é especial.

E junho teve a edição do Leia Mulheres e minha leitura do mês, o País das Mulheres, foi uma descoberta maravilhosa. Incrível quantas conexões uma obra é capaz de tecer. Ler é mágico. Esse é um hábito que procuro estimular nas minhas crianças e fico fascinada com a atenção que o meu caçula tem cultivado.

Impossível registrar aqui todas as graças de junho. Sinto imensa gratidão por este mês capítulo de 2019. Que continuemos a cultivar a essência do que é essencial. Para encerrar o post, a imagem que escolhi, do meu filho Arthur jogando nas areias de Copacabana. Continua a ressoar em minhas orações as palavras que ouvi de um ambulante. E também sua emoção afetuosa e suas lágrimas na despedida da viagem. Sentir faz sentido. Retornaremos Rio.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O Rio, a promessa cumprida, o encanto e a cidade

Esse feriado viajei pro Rio. As meninas do Rio já vieram nos visitar aqui algumas vezes e eu estava devendo esse retorno. Cumprir a promessa trouxe uma doce sensação de leveza. Toda viagem, mesmo que curta, é uma experiência aprendiz. E o Rio tem muito a nos ensinar. O encanto com a paisagem é deslumbrante. E foi encantador a ternura que senti com os laços.

Fazia muito tempo que não visita a capital carioca. Foram apenas três dias e retornei com saudade do que vi e do muito que a cidade tem para descobrir. Há muitos Rios no Rio de Janeiro. As crianças gostaram da proximidade com o mar, do metrô, do picolé. É realmente um privilégio morar perto da praia, poder andar sentindo a brisa que sopra do oceano.

Adorei andar pelas ruas da Urca, tão charmosas. Um lugar muito aprazível para morar, fiquei assim imaginando. Não sei se é a realidade para quem reside ou frequenta. No trajeto da van até o Corcovado eu e Isa ficamos observando as graciosas Ruas das Laranjeiras e Cosme Velho. E também nos chamou atenção algumas ruas bem arborizadas de Copacabana.

Uma das melhores maneiras de conhecer o lugar é conversando com quem mora. Algumas das falas que ouvi: “a cidade tá arrasada pela corrupção dos últimos governantes”, exclamou um ambulante. Outro me disse com medo no olhar sobre a “praga dos milicianos”. Outra sobre o aumento dos estabelecimentos fechados em decorrência da crise. “Antes de indicar um local hoje temos que conferir se ainda está aberto ou já fechou as portas”. Outro problema citado é o aumento de pessoas desempregadas da capital. Apensar dos muitos desafios, tenho convicção de que o Rio continua e seguirá sim sendo uma “cidade maravilhosa”.

É um lugar que tem uma energia ímpar e uma poesia que toca. Eu retornarei Rio pra te encontrar melhor.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

casamentos, caminhos, roteiros, gerações

Minha mãe e meu pai se conheceram em Lagoa do Barro. Foram casados por alguns anos. Não completaram as bodas de prata como eu. Como muitas famílias da região, meu pai veio para São Paulo trabalhar de pedreiro para nos sustentar. Até que resolveram trazer toda família pro Sudeste. Sim, somos uma família como muitas outras de retirantes nordestinos que vieram para São Paulo. Lembro como se fosse hoje do dia que cheguei aqui e contemplei o céu cinza, a neblina gelada e meu corpo pequeno e frágil trêmulo de medo e frio. Na época éramos 4 irmãos e fomos direto pra casa da tia Coca, tão pequena, e que ainda assim nos abrigou. Ficamos duas semanas em São Paulo e depois viemos para Osasco, pra casa do tio Antonio Piqui, irmão da minha madrinha Cotinha. E já são 30 anos em OZ, como carinhosamente chamamos Osasco. Sou muito grata pela cidade que nos acolheu. Aqui construímos nossos laços sem perder as conexões com a terra onde nascemos. Os cenários são diferentes, os personagens também e seguimos nossos passos. Depois da separação meu pai morou um tempo por aqui e retornou para Lagoa do Barro. Nós ficamos, órfãos de certa forma. Sobrevivemos.

Então vamos elencar a família gerada desse casamento retratado na imagem:
Meu irmão Paulo, eu brinco que tem asas nos pés, vive na estrada com sua bagagem mochila, já percorreu alguns destinos e está sempre pronto a embarcar em novos roteiros. Atualmente mora em Jericoacoara e está com embarque agendado semana que vem para algum lugar da América do Sul.

A Lane é minha irmã de casa, do cuidado com os seus e nossos, lembra muito vozinha e mãe pelo gosto do seu canto. É tão preciosa.

Meu irmão Giva é o galego. Ele é retrato de alegria, faz 6 anos que mora em Parnamirim, se adaptou bem ao sertão. Sempre recebe nossas visitas e vem aqui nos ver.

E o paulista Henrique, estudante de letras da USP está trilhando seu caminho criando as letras do seu enredo. Mora na capital, perto do metrô, pense em um menino inteligente e criativo.

Mãe é nossa fortaleza. Quando penso por todas as adversidades que enfrentamos, meu peito inflama de gratidão por ter uma mãe tão nobre. “Eita que a risada de Fátima é inesquecível”. É uma frase que sempre escuto sobre minha mãe. Que sensacional ter a risada como marca. Ela é a Senhora de rodinhas nos pés, ligeira, alegre, disposta e repleta de bondade.

Somos 5 filhos, 6 netos e 3 netas. Bruna, minha primogênita já é mãe, eu sou avó e meus pais bisavós da Peaches, a tataraneta do Sr. Chico Cordeiro, Dona Cotinha, Sr. Enoque e Dona Joaninha, que tem a honra de está viva e ter conhecido Peaches, ainda que por vídeo e foto, já que ela é americana e está há léguas de distância, porém, presente naquilo que chamo de proximidade sagrada, dessas que carregamos no DNA e coração.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Maio, mês de Maria. Gratidão

Junho já está em curso e as bandeiras de São João já enfeitam as cidades. Findei o mês em um dia muito corrido, o final de semana seguiu com eventos e ontem a noite, ao chegar em casa da festa junina me dei conta que eu não tinha parado para registrar meu compromisso de agradecer a bênção de mais um mês do ano. Depois da oração, adormeci revivendo os acontecimentos preciosos do mês mariano.

Fui ao terço três vezes, teve reunião da catequese para os pais com o tema dons do Espírito Santos. Participei do primeiro encontro do Leia Mulheres cujo livro sugerido é sensacional e não poderia ter mais sintonia: Nossa Senhora do Nilo. Como esse livrou me impactou, tanto que eu li num fôlego e ele já seguiu de presente para outra leitora voraz. Ah os cânticos de Maria entoados no terço palpitaram em meu coração com a recordação das novenas de Maria da minha infância. O dia da coroação de Maria, na última noite de maio com a fogueira das flores é uma imagem sensorial que carrego na alma. E por falar em Mãe, tive o melhor dia das mães dos últimos tempos contemplando o nascer do Sol com minha Isa e Arthur, no lugar sagrado para meus sentidos e história.

Pela graça de um amigo, pelas divinas providências, por tua luz que nos guia e ampara, pela proteção dos anjos, pelas orações matinais, pelos sonhos intuitivos, tenho muito para agradecer a Mãe Santíssima. Nossa Senhora, Maria de tantos retratos, teu exemplo de Amor é uma fortaleza sagrada. Obrigada maio de 2019, por tantos afetos e graças. Seguimos tocando os sinos para anunciar o Amor. Amém!

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...