sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Sobre a 5ª edição do Leia Mulheres Osasco

“Como você tem disposição para sair a noite em pleno dia da semana, depois de ter trabalhado o dia inteiro?” Ouvi essa pergunta depois de uma postagem com a foto do último encontro do #leiamulheresosasco . Sim, eu tenho energia para participar de encontros que tocam meus sentidos. Sempre apreciei a leitura, poesia, saraus. Com as crianças pequenas fiquei afastada por algum tempo e agora estou retomando a interação.

Do que você tem se alimentado? No #leiamulheres encontro um fértil alimento de histórias e poesias que vão se entrelaçado. Os livros tem esse incrível poder de gerar laços afetuosos. A convite da Marili Alexandre, participei do primeiro encontro realizado em maio/2019 na Biblioteca Monteiro Lobato. Ela que esteve presente na primeira edição é dessas “mães, amigas, irmãs” poéticas que a vida nos presenteia.

É um presente também conhecer as mediadoras Vivi e Pilar e todos os demais participantes. Cada um com seu roteiro inunda o encontro de modo especial. É sensível, é forte, é questionador, é aprendiz. A troca tem sido tão nutritiva que todos os meses tenho participado. Cada livro aflora muitas percepções.
Na 5ª edição os poemas de Wisława Szymborska foram compartilhados como uma cachoeira torrencial banhando o caminho das pedras e das águas com distintas questões. O ontem, o agora, o amanhã, pontuando um tempo que é efêmero e perene, que é sério e brincante, que tem lágrima e riso e que tem aquilo que chamo de indizível para cada personagem e, ainda assim, nos torna semelhante na estrada: o que sentimos é o que faz sentido.

#leiamulheresosasco  Participe, aqui e na sua cidade #leiamulheres 
Hoje mesmo inicio a leitura do próximo livro. Até a próxima edição.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Agosto intenso e sensorial

E não é que agosto passou ligeiro. De repente a chuva de setembro já fertiliza os campos. Todo mês tem seu diferencial. E cada pessoa tem suas marcas em um ou vários meses. O certo é que no espaço de um mês há muita vida, mesmo que tenha uma data que nos lembre da morte. No fim, o que recordamos é de fato o que vivemos ou deixamos de viver. A presença da morte nos faz lembrar a importância de viver. É um dos motivos pelos quais eu valorizo tanto os encontros, como este que finalizou o mês. Tão bom reunir amigas, cada uma com sua singularidade, trocando experiências na fértil teia da amizade.

E falando do término lembrei que comecei agosto visitando uma tia especial que mora em Guarulhos. Eu e mãe saímos cedo de casa, num domingo invernal gelado e atravessamos a rota intermunicipal para fazer essa visita. Chegamos embaixo de chuva e fomos aquecidas pelo calor humano do abraço e das risadas. É que o riso está em nosso DNA, mesmo quando falamos nas tristezas, temos esse dom de arrancar humor das entranhas.

E caminhando para o fim do mês teve a 4ª edição do Leia Mulheres Osasco e foi enriquecedor. Segue reverberando as muitas trocas que o livro nos proporcionou. E já estou enveredada na leitura de setembro. As palavras e as sensações misturadas, de outros horizontes, épocas e personagens. As que leio. As que escrevo. As muitas letras que ganham vida e me faz crer na força da escrita como ilustração daquilo que sentimos e da força que elas têm em gerar laços.

Tivemos também aniversário no sítio, um final de semana de sol, alegrias, dança, risadas e conversas. Entre sabores e dissabores o mês foi sendo costurado. Teve idas ao hospital, exames, aconchego de casa, decisões e providências que estão em curso. E por tantos cheiros, abraços, lágrimas e afetos, eu sou muito grata por todas as graças do mês que terminou e do que já nasceu.

Gratidão agosto por tantos encontros e afetos. Setembro está florescendo

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Livro, companhia, café, combinação

No ponto com o livro na mão. De vez em quando eu tirava o olhar da página para ver se o ônibus estava chegando. Já me avisaram que tem um App que avisa a rota do bus e imagino que ele seja útil. Umas 8 pessoas no ponto, concentrada nas telas. Depois de 10 minutos o ônibus chegou, tinha o meu lugar preferido para sentar, o banco alto. Conclui o capítulo, fechei o livro no meu colo e fiquei contemplando pela janela o movimento da rua. Um vai e vem rápido, um grupo de alunos rindo muito, com suas mochilas nas costas e celulares nas mãos, uma senhora com passos lentos...Nesse tempo de contemplação perdi o ponto, desci no outro. Tudo bem, hoje estou sem pressa. Fiquei pensando se em tempos tão virtuais alguém ainda lê no ônibus, contempla a paisagem e joga conversa fora. Desço e retorno pela rua que não precisava ter percorrido se tivesse decido no ponto certo, segurando o livro na mão e sentindo o vento frio do inverno. Resolvi parar para tomar um café, com leite, daqueles com espuma. E enquanto saboreio minha bebida favorita, leio mais um capítulo. Que delícia de companhia e combinação.
Livro companhia da tarde invernal. Excelente novela!

Onde e como ficam gravadas nossas impressões? Como é o retrato do lar nossa casa? Quanto aprendizado e descobertas uma viagem pode representar? Como a despedida e o recomeço são entrelaçados? Quantas encruzilhadas nos reserva o caminho? De que forma tecemos nossa telepatia? No meu caso, os sentidos são a teia. Talvez seja porque desde cedo eu aprendi que sentir faz toda diferença. A telepatia são os outros, livro de Ana Rusche, tema da 4ª edição do Leia Mulheres Osasco, proporcionou uma partilha de percepções tão sensoriais. Incrível como um livro é capaz de aflorar nossas memórias e tecer laços. Gratidão pela presença da autora e de todos, registrando mais um especial encontro do projeto. Até a próxima edição. #leiamulheresosasco

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

A metamorfose do sentir e sentidos

Engraçado como me dei conta do quanto evolui em determinado quesito ao ouvir recentemente a frase de uma amiga: “Adoro a sua frase: -quando azeda, não tem mel que adoce-. É um marco de sua transformação.” E as gargalhadas ecoaram. O diálogo enveredou por páginas de livros, pela ótica da psicologia que encontro também na poesia e que são capazes de tecer costuras com situações do nosso cotidiano.

Saber que minha frase também teve impacto reflexivo para outra pessoa, especialmente sobre a relevância da escolha do SIM e NÃO, com coerência com aquilo faz diferença em sua vida, foi um presente dessa conversa que segue ressoando. Pode até ser a idade, ou a maturidade avançando, o certo é que ando mesmo dando um basta em tudo aquilo que me abusa. A seleção refinada anda cada vez mais refinando os laços.

Ao me afastar de tudo que desgasta vejo florescer novos horizontes. Realmente a fluidez é mágica quando nos damos conta de que o impulso para a mudança está palpitando dentro de nós. É por isso, que se você realmente for próxima e me ver meio sumida, não se assuste, estou em plena metamorfose. Agora se for daquelas de proximidade REAL, chega mais na presença ao vivo e a cores que tem muitas risadas para tecermos juntas. Está em meu DNA a arte de compartilhar o que sinto com quem faz sentido!
A simbologia da metamorfose: Borboleta. Crédito da imagem: Pinterest

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Gratidão pela fertilidade invernal de julho

Ah longo julho, abençoado mês do nascimento da minha menina das águas. Gratidão por sua passagem. Ela que é um presente em nossas vidas, dedicamos todo amor, do tamanho do oceano. A grandeza da sua sensibilidade é um laboratório aprendiz dos meus dias e eu me sinto tão abençoada por ser sua mãe. Preciosa Isa, da Lua Cheia.

E cada fase lunar foi intensa. Julho das surpresas que explodem no inverno de outro tempo. Sim, a transformação acontece no seio desse cotidiano moldando o tempo de cada um e de cada coisa. Os retratos que se apresentam de tantas formas: sutis, escancaradas, doidos, fortes, suaves ... O vento cortante vindo da friagem do Sul avança e me fez procurar o calor da sopa, do abraço, do cobertor do silêncio e daquilo que sentimos no olhar que tanto diz.

Das leituras com as crianças, o destaque foram: Sinto o que Sinto. E a incrível História de Astar e Jaser, Caderno sem Rimas de Maria e os quadrinhos da Turma da Mônica. Os livros, meus companheiros de cabeceira, meus amigos de todos os dias. Um corpo negro de Lubi Prates, Bruxisma de Pilar Bu e dessas indicações preciosas que chegou dia 30/07 e estou lendo com todos os poros: Redemoinho em dia quente de Jarid Arraes. Há uma teia literária de uma leitura que desperta outras. E a sequência tem um quê de magia.

Um corpo negro tocou profundamente minhas cicatrizes. Foi o livro tema do Leia Mulheres de julho. Ontem tivemos o especial encontro com a presença da escritora. Partilhar aquilo que sentimos, nossas vivências e aprendizados, nessa comunhão da leitura compartilhada, foi e seguirá sendo enriquecedor. A poesia tem esse poder de nos rasgar e remendar e criar laços diferenciais, daqueles que marcam.

As mensagens aflorando das linguagens que enxergamos pela ótica dos sentidos. Memórias do mês que virou capítulo de 2019. Elas seguirão ressoando e fortalecendo as conexões. Tem Lua Nova iniciando agosto. Viva!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O modo automático virtual prejudica as relações reais?

Eu uso o WhatsApp comercialmente. Sem dúvida, é uma importante ferramenta que agiliza os contatos. E mesmo que a agilidade seja fator determinante em muitos setores, o bom senso e a gentileza não deveriam faltar. Algumas pessoas enviam mensagens que quando não são respondidas imediatamente geram diversas interrogações. Alguns ligam via zap e a nitidez desse tipo de ligação nem sempre é favorável. A resposta via WhatsApp pode não ser imediata por diferentes motivos: eu posso estar em uma ligação no telefone fixo; atendendo cliente no balcão; emitindo a garantia da turbina e etc.

Tenho procurando estar presente em cada ação e isso tem efeito positivo para solucionar cada demanda de atendimento. Além disso, pode ser horário de almoço ou não ser horário do expediente. Tudo tem os prós e contras. E todo excesso é prejudicial. Com essa convicção alinhada, determinamos atender as demandas do trabalho, no horário do expediente das 8:00 às 17:00, respeitando o intervalo do almoço das 12:00 às 13:00. Desligamos os celulares da empresa pontualmente às 17:00.

Pessoalmente eu uso o WhatsApp com muita moderação. A pessoa que mais falo é com minha filha que mora do outro lado do continente. Esses dias eu ouvi de uma criança um alerta que serve para muitas pessoas: “minha mãe tem tanto grupo de zap que fica parte do dia só vendo mensagens.” Muitas vezes a pessoa está tão ligada no automático que sequer percebe a quantidade de tempo que tem dedicado ao celular. Acaba perdendo a oportunidade de contemplar as preciosidades do cotidiano, dessas coisas simples como a leitura de um gibi com um filho e gargalhar junto com as tirinhas, contemplar o pôr do sol, ler um bom livro e tantas outras coisas.

Os grupos de WhatsApp são úteis? Sim, podem até ser. Tudo é uma questão de como você utiliza. Eu não aprecio grupos e só estou inscrita em alguns com poucos membros e que tem uma função importante. Um deles é o grupo de mães da catequese cujas mensagens sobre as atividades costumam acontecer 1 vez por semana. O outro é o grupo dos amigos do churrasco. E o último é composto por amigas conterrâneas cuja interação acontece para agendar encontros e nos falarmos vez ou outra. Nosso melhor diálogo é mesmo ao vivo e a cores. Da família não participo de nenhum. Do jeito que a minha é enorme, eu iria receber tantas mensagens que meu celular simples iria pifar imediatamente.

Outra coisa que tenho percebido e que poucas pessoas estão se falando ao telefone, apenas por mensagem. Eu prefiro falar e sentir a voz da pessoa, especialmente, com os laços da minha jornada. Ah e se precisar falar comigo e for urgente, me liga. Posso demorar horas para responder mensagens de zap. Dependendo do teor eu nem respondo. A ligação eu costumo retornar. Por exemplo, no aniversário de pessoas que estimo eu ligo e tenho ouvido com espanto de algumas pessoas a seguinte frase: “nossa só você mesmo para ligar, foi a única ligação que recebi”. Nossa que estranho ouvir isso com mais frequência. A diferença em receber uma mensagem e ligação, na minha compreensão, é gigante e diz muito sobre consideração. É assim que sinto e o que sinto faz muito sentido em minha vida. Será que a comunicação entre as pessoas passará a ser apenas por mensagens?

Os encontros reais tem a graça do abraço, do olho no olho, do sorriso que aflora. Em tempos de contatos tão virtuais que acelera o modo automático das pessoas, a indiferença parece maior e a proximidade rara. Percebo gente que espalha AMOR nas redes sociais pela família e sequer visita o ente que se diz “querido”. Tá na REDE e não na REAL. É o carinho maquiagem, é a exibição espetáculo. Já li em uma mensagem que fui ver horas depois de enviada: “nossa que saudade, faz tempo que não te vejo”. E respondi: Moro na mesma casa, trabalho no mesmo lugar e meu telefone é o mesmo. É preciso ficar atento para não se deixar viciar pelo modo automático e prejudicar suas relações reais. O abraço é melhor do que um áudio no WhastApp. E tem gente percebendo com nitidez essa falha, falta e desequilíbrio. Tenho observado com muita alegria um movimento inverso. De gente se desligando para se ligar.
Crédito da imagem: Wikipédia

terça-feira, 2 de julho de 2019

Junho tríade abençoado

A palavra tríade faz referência ao mês dos três Santos, Santo Antônio, São João e São Pedro. Junho sempre foi um mês especial na minha jornada. Nasci no sertão e sei o quanto junho é precioso em nossa terra. Lembro com muito carinho das novenas e procissão de São João Batista. Dessas memórias afetivas que seguem vivas na alma.

Por aqui também tem as festas juninas, na escola, na igreja. As diferenças são grandes. Ainda assim eu aproveito esse período com muito gosto pelas comidas da festa. Ah o milho e suas derivações deliciosas. Que alquimia saborosa. E as festas juninas do mês de junho/2019 estão na minha lista de gratidão. Que a fogueira da boa tradição continue a se perpetuar pelas gerações.

A viagem ao Rio de Janeiro também foi abençoada. Rever pessoas que estimamos é tão gratificante. Além de todo encanto que o Rio desperta pela beleza da paisagem, tem uma poesia na cidade que aflora os sentidos. Há muitos Rios por descobrir. A curta viagem deixou saudade. Não há tradução para aquilo que nos toca, apenas nuances do que sentimos e posso dizer que o afeto encantador carioca é especial.

E junho teve a edição do Leia Mulheres e minha leitura do mês, o País das Mulheres, foi uma descoberta maravilhosa. Incrível quantas conexões uma obra é capaz de tecer. Ler é mágico. Esse é um hábito que procuro estimular nas minhas crianças e fico fascinada com a atenção que o meu caçula tem cultivado.

Impossível registrar aqui todas as graças de junho. Sinto imensa gratidão por este mês capítulo de 2019. Que continuemos a cultivar a essência do que é essencial. Para encerrar o post, a imagem que escolhi, do meu filho Arthur jogando nas areias de Copacabana. Continua a ressoar em minhas orações as palavras que ouvi de um ambulante. E também sua emoção afetuosa e suas lágrimas na despedida da viagem. Sentir faz sentido. Retornaremos Rio.

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...