sexta-feira, 6 de maio de 2022

Personagens do roteiro semanal

Manhã de sexta-feira, no trajeto de casa até escola e trabalho, eu vinha pensando nos personagens da semana. Foram muitos e eu agradeço por cada um que cruzou minha agenda nesses dias. Algumas pessoas das minhas relações cotidianas, próximas como os familiares e amigos, outros que posso não ver nunca mais e que, ainda assim, me marcaram com seus relatos. Todos os dias temos a oportunidade de aprender na partilha e eu sou grata pelos diálogos semanais que seguem reverberando na memória afetiva.

Na segunda-feira recebi o abraço e senti o sorriso do meu irmão Paulo Eugênio que veio nos visitar em pleno outono paulista. Sua presença vibra alegria. Não há medida ou adjetivo para nossas conversas e gargalhadas. Quanta gratidão por ser tua irmã e filha da Maria de Fátima. Depois de três anos, que presente sua Presença!

Na companhia dele, nesta quinta, na ida e retorno da Santa Cecília com nossa Isabelly, conhecemos outros personagens, o motorista de Uber viúvo, que perdeu sua esposa ano passado para a Covid e junto com sua Mãe está cuidando das 3 filhas pequenas. Rimos um bocado no trajeto falando sobre situações que, embora tensas, conseguimos extrair humor. O riso é um bálsamo. O Sr. do fusca, palmeirense das antigas, que é seu passageiro assíduo nos jogos, o acontecimento da feira do rolo, as turbinas perdidas, os shows no Allianz, os perrengues com os pedreiros e tantos causos que daria um livro essa corrida de cerca de 1 hora pela manhã de Sampa. Que resenha! No retorno, o taxista já aposentado do bairro familiar, que fica parte do mês em São Paulo para ganhar um trocado e outra parte no sítio, contando sobre as praias que conheceu no Ceará durante sua última viagem e da sua filha. Dessas conexões territoriais, já que meu irmão mora em Jeri e eu também conheço as praias que ele citou.

Voltando para segunda-feira, teve o reencontro com minha amiga na oração do Terço que fui rezar na sua casa. Na terça uma conversa rápida e sentida no mercadinho da vila, dessas que nos tocam. Arthur almoçando conosco, depois casa tia Lane. Quarta-feira o reencontro com Dr. Lucas no Tatuapé, ortopedista que está direcionando o tratamento da minha Isabelly. Trem, metrô, táxi, almoço na tia Lane. Ainda na quarta teve o reencontro em casa e a gratidão de ver mais um passo vitorioso da madrinha da Isabelly. E de novo na quinta-feira o reencontro com a fisioterapeuta Yara, que junto com a equipe está conosco no processo de fisioterapia e eletroterapia dos pés da nossa menina. Que atendimento acolhedor, quanto afeto que promove cura.

Ontem a noite, 05/05/22, foi dia do terço de Maria na capela Santo Antônio. Que oração abençoada na companhia dos alunos da catequese e crisma e das professoras. Sentir a presença Mariana e sua intercessão em nossas vidas anima nosso espírito. Meu sono foi reparador, com sonhos leves e despertei ecoando gratidão. A sexta-feira segue seu ritmo. Amém!

Quanta memória nessas imagens entrelaçadas deste roteiro semanal

sábado, 26 de março de 2022

Santas agulhas e terapias que curam

Assim eu costumo me referir à acupuntura, uma terapia que me ajudou muito e segue auxiliando. Eu conheci os benefícios das agulhas há mais de 18 anos quando sofria com crises recorrentes de enxaqueca. Já estava cansada das idas ao PS para as injeções. Lembro-me do dia que eu aguardava a consulta do neurologista e uma paciente me falou que além da medicação estava tratando com acupuntura. Eu perguntei ao médico e ele disse que recomendava sim. Jamais vou esquecer-me da Rosana, a primeira terapeuta que conheci. Ela falava com propriedade da técnica que aplicava, dos estudos que fez e fui melhorando a cada sessão. Claro que também tomei a medicação que o neurologista receitou quando tinha crise forte. Importante aliar o tratamento convencional com a terapia. Minhas crises diminuíram muito.

Os anos correram e eu voltei a fazer acupuntura recentemente por conta de lombalgia, bursite e estresse. O ortopedista prescreveu a acupuntura junto com a fisioterapia. Inclusive minha filha também faz as sessões e têm ajudado muito nas suas infecções alérgicas, asma e ansiedade. O atendimento da Alessandra é primoroso. Sentimos o Amor com que ela atende e isso faz toda diferença.

A acupuntura é uma técnica milenar que enxerga o corpo como unidade de energia. Quando estamos doentes é sinal de que há disfunção no fluxo, que estamos desequilibrados. E não apenas as dores físicas, também as emocionais. A acupuntura proporciona melhora no sistema imunológico ao restabelecer o equilíbrio energético dos meridianos e alinhamento dos chakras. A quantidade de sessões e a duração são variáveis de acordo com cada paciente. Desde a primeira sessão percebemos os resultados positivos. Não é a toa que muitos médicos estão prescrevendo o tratamento.

Eu indico confiante a acupuntura, e, especialmente, a terapeuta Alessandra da AW7 Bem Estar. As agulhas auxiliam na cura. Assim como outras terapias que proporcionam a saúde integrada.
Crédito imagem no link

domingo, 6 de março de 2022

Pronta para o ciclo 47

Ainda é verão, o domingo está bem abafado, típico da estação paulista e logo teremos Lua Nova no céu, a minha lunação, o Sol no meu signo, o marco de um novo ciclo que já palpita com os desafios da estação 4.7. Ela chega amanhã. Sim, 47 anos da menina que teimosamente “se criou”. É que nasci tão miúda que alguns disseram que eu corria o risco de não me criar. Certo é que não cresci muito na estatura, mas até que cresci um bocado em outros aspectos. Também pudera, tenho muitas cicatrizes tatuadas em meus sentidos, cravadas pelo aprendizado árduo e leve do caminho já vivido.

Minha estrada tem linhas retas, subidas, descidas e curvas, pontuadas em cenários distintos e com muitos personagens entrelaçados. Eu sou uma colcha de retalhos, enfeitada por cactos e flores, com delicadeza e espinho, com riso e lágrimas, com afeto, dor e saudade, com aroma de mato e perfume da maresia. Espie isso, desde pequena, a menina nascida no sertão do Araripe, que conversava com as marés no açude de minha infância, parecia já sentir o chamado das ondas. Fui arrebatada de emoção quando avistei o mar, o meu lugar sagrado no universo.

É elementar, eu sou das Águas! Da nascente que jorra, da cachoeira que lava a alma, do açude, do riacho, do rio que percorre distâncias para desaguar no oceano, desbravando os territórios na comunhão dos solos rasos e profundos. Ser das águas é sentir a força da transformação contínua, é saber que a cada passagem vamos sendo alimentadas, é compreender que o caminho nunca cessa, vamos mergulhando em outras águas e ampliando a percepção da grandeza dos laços que somos.

Hoje, nesse meu último dia dos 46 anos, eu agradeço por cada passo percorrido até aqui. Estou em transição, passando por momentos doloridos, surpresa com minha intuição aguçada, com a serenidade que estou sentindo diante das adversidades. No meio do turbilhão, emergiu o fogo da coragem para que eu possa enfrentar cada missão. Cada acontecimento tem um significado e uma sintonia com um Propósito Maior. Eu corri o risco de me criar e estou aqui, Mulher, Mãe, Avó, única e múltipla, pronta para mergulhar nas águas aprendizes do próximo ciclo. Vem 47!

A menina do sertão


A menina do Mar

A menina dos livros

segunda-feira, 8 de março de 2021

Preconceitos cotidianos

Já escrevi outras vezes sobre o preconceito que eu sinto na pele no meu setor de atuação. Infelizmente é uma prática recorrente que nós mulheres sofremos em diversos segmentos do mercado de trabalho, sem contar em tantas outras ocasiões do cotidiano que escancara a forma preconceituosa que vai se perpetuando na sociedade. O índice de violência contra a mulher é um dos desses tristes retratos.

Perdi as contas de algumas frases machistas que ouvi. Esses dias no trânsito ouvi um homem gritar a plenos pulmões com uma mulher dirigindo: “vai pro fogão que seu lugar é lá e não atrapalhando o trânsito.” Além de embrulhar meu estômago a fala nociva faz pipocar a lembrança de outras que eu já escutei, das quais vou citar apenas algumas para elencar o abuso que sofremos todos os dias:

 “Nossa seu marido não liga que você sai e viaja sozinha?” Com olhos arregalados do tipo que diz assim: nossa que doida!

“Até que você entende!” Com desdém.

“Você que escreveu esse texto?” Com ar duvidoso da minha capacidade!

“Uau você gosta de futebol e vai ao estádio?” Com espanto e crítica.
 
“olha a roupa dela que insinuante, depois não quer ser estrupada.” Nem vou comentar o tom dessa frase

“olha o cargo dela, deve estar saindo com o chefe.” Que asqueroso!

“tem coragem de amamentar na rua!” Sim eu amamentei minhas duas filhas e meu filho e nunca tive a mínima vergonha de fazê-lo em público.

Vou parar de citar antes que eu vomite. Ah e eu ouvi isso de mulheres e não apenas de homens. Cada frase dessa tem enredos que uma hora vou escrever em detalhes.

E para ilustrar esse post, a magnífica capa da Forbes com a inspiradora Djamila Ribeiro. Leia Djamila, leia tantas outras mulheres fantásticas! Parabéns todas as Mulheres nesse dia 08/03/2021. Dia que homenageia nossas conquistas e reforça todos os desafios que enfrentamos, todos os dias.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Gratidão pelas memórias de 2020

Todas as memórias de 2020 são intensas. Que ano doido! O ano em que a ausência bateu forte, as restrições nos confrontaram com desafios novos, a saudade latejou como nunca. A falta da proximidade dos encontros e abraços. Foram dias, semanas e meses numa lonjura de lugares e pessoas que amamos. E iniciaremos o novo ano ainda nesse cenário. Ainda assim, estou viva nesse 31/12/2020 e sou muito grata por estar aqui, sentada no meu quintal, ouvindo os pássaros anunciando a alegria do amanhecer, ao lado das minhas plantas e flores, com um céu azul de pequenas nuvens brancas e com o coração transbordando de esperança sentindo a brisa de verão desta manhã.

As recordações de 2020 não caberão em nenhuma página ou livro, muito do que vivenciei ficaram entalados na garganta, presos na reflexão dolorida que sufocaram as lágrimas que um dia irão jorrar e nas lembranças que irei escrever. Sim eu escrevi muito pouco este ano, apenas pequenas notas rabiscadas. Enviei cartas para minha filha e vozinha, algumas escritas a mão, com minha letra quase indecifrável. Ainda gosto disso, ainda que um calo chato pelo jeito que seguro a caneta incomode. Ele fica marcado, como as letras escritas no papel, pintadas com lágrimas que secaram a folha e ainda assim, seguem na carta.

Eu li muito, Maya Angelou, Angela Davis, Djamila Ribeiro, Grada Kilomba, Miguel Nicolélis, Cidinha da Silva ...ah os livros foram e seguirão sendo companhias sagradas. Adoro cheiro de livro, folhear e marcar trechos. E por falar neles o Leia Mulheres presencial fez tanta falta. Foi nesse projeto ímpar que conheci autoras como Conceição Evaristo, Jarid Arraes, Gioconda Belli, Scholastique Mukasonga, Ana Rusche, Mariana Carrara, bell rooks minha próxima leitura e tantas outras escritoras maravilhosas. Laço duradouro que seguirei acompanhando. Ler é um hábito aprendiz e múltiplo. Minha filha Isa também mergulhou na leitura e sinto tanto orgulho de vê-la lendo com tanta sede. Incentive seus filhos a ler, é um exercício de amor.

Do verão em janeiro e agora de sua chegada em dezembro eu acompanhei a árvore do João de Barro. As mudanças nas estações, das folhas caindo até os galhos secarem, delas renascendo, crescendo e enfeitando o céu com sua copa frondosa. E o presente que veio na primavera com o novo ninho que vi sendo construído com maestria. Vidas florescendo no ninho casa. E que sejamos CASA onde quer que nossos passos caminhem. Vem 2021! 

Verão janeiro

Outono abril 2020

Inverno julho 2020

Primavera outubro 2020

Verão dezembro 2020

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Sobre dores, escolhas e levezas

Cada um sabe das suas dores e aperreios. Depois de muito tempo, procuro olhar cada situação com uma visão aprendiz. Não é fácil, nem sempre consigo, sigo tentando, é um processo persistente. Há dias que esmorecemos. Em outros renovamos as forças no clarear do amanhã. Até nesse ponto hoje me sinto mais madura, antes eu me crucificava quando eu não conseguia abarcar tudo. Hoje não, eu aceito que nem todos os dias eu vou conseguir cumprir todas as tarefas do cotidiano. Passei a me acolher também, respeitar meu limite para viver cada dia com mais leveza. Até voltei a caminhar. Um exercício de Amor. Sim e ando tão seletiva ou, como diz meu marido, cada dia mais chata. Segundo ele é a menopausa. Ou o amadurecimento. Ou a soma dos dois, o certo é que os cabelos brancos pipocam. Como diz meu irmão: “relaxa Maria Ivone”. Eu respiro e sorrio ouvindo sua voz que vem na brisa pensamento trazida pelo mar da saudade. Não estou nem no seu rastro de leveza meu irmão, mas prometo que estou melhorando.  Assim evito outra úlcera e coisas do tipo que corrói os órgãos e a alma. Fazia tempo que eu não escrevi e voltei também a rabiscar. Antes que a quarentena acabe meu caderno estará cheio de cartas.



sexta-feira, 31 de julho de 2020

Que a gratidão prevaleça

Encerrando mais um mês desse estranho ano de 2020. Tem uma mistura de sentimentos palpitando aqui. Que a gratidão exploda na frente e faça permanecer a esperança por dias melhores, por menos mortes, diminuição de contaminação, pela desaceleração dessa pandemia, pelo êxito das vacinas. Essa elevação das mortes me afeta muito, não são apenas números de estatísticas frias, são pessoas com seus laços. É doido demais. Tenho procurado acolher minha tristeza.

Eu rezo. Eu dou risada das tiradas do meu marido. Eu choro também e minhas lágrimas quentes se misturam no chuveiro. Eu que sempre enalteci a saudade feliz, daquilo que sentimos do que amamos, tenho sido cortada pela saudade latejante da distância que se alonga demais. O alongamento da quarentena parece não ter fim e sofremos, cada um do seu jeito, essa ausência dos encontros e abraços.

Hoje eu acordei ouvindo o canto do galo e dos pássaros saudando a manhã fria. Há um céu nublado e uma garoa fina. Ainda assim o som do despertar dessa aurora me trouxe um afago. Que a gratidão, a esperança, a fé e o amor, prevaleçam, sempre.

A árvore que acompanha minhas estações. Julho. Inverno. 2020. O ninho segue firme e inspirador


Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...