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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Notas primaveris

Florescer
A primavera chegou, as amoras estão no fim, novas folhas nasceram nas plantas, brilham frutos vermelhos na folhagem do quintal, as tempestades ainda avançam e eu espero o ciclo da mansidão. O bálsamo das orações aquieta o turbilhão, as novenas de vozinha, o Terço em honra a Nossa Senhora na intenção da matriarca avó que tanto rezou e segue rezando por nós, ainda que debilitada na fraqueza da idade, sua fortaleza de espírito nos inspira. Hoje ela levantou para sentir o cheiro da chuva, a primeira depois de 7 meses, que chegou ontem a tarde, anunciando a Lua Cheia e banhou o telhado e o solo na madrugada sertaneja. De longe, senti a terra sorrindo com o milagre das águas. Há de florescer um novo tempo.

Ligeiro
Os ponteiros do relógio correm na velocidade turbo. Os dias chegam a galope, semanas, meses... me deparei assustada com os panetones nas prateleiras dos supermecados. As ofertas do Dia das crianças se foi, nas lojas o terror enfeitado para o Halloween e encantadoras decorações de natal. Logo as luzes natalinas brilharão pela cidade. Estamos nós acelerados ou o ritmo temporal deu uma enlouquecida? É um chamado para viver com mais atenção a dádiva de cada dia? Quantos escutaram os sinais? Quantos nem sequer notaram no doido piloto automático do cotidiano.

O clima
Há tantas variáveis na passagem do tempo e isso vai muito além das condições climáticas. Uma hora de ventos e chuva intensa é capaz de causar muita destruição. A força da ventania chuvosa encontrando a estrutura desastrosa em grande parte dos ambientes das cidades. As tragédias e transtornos ganham as manchetes dos jornais, prejuízos de bilhões. Poderíamos aproveitar o ibope delas para refletir melhor sobre a importância de votar com consciência. Os impactos desfavoráveis da falta de gestão política afetam com maior força a parcela da população mais vulnerável. Nossa escolha influencia o presente e o futuro.

Ida, volta...chegada...partida
Comprar passagem de última hora por necessidade emergencial nos dá a dimensão do absurdo do valor das tarifas aéreas. Não tem como equacionar o valor da presença de mãe e minha tia na companhia da minha Vozinha nesse momento de sua fragilidade. No entanto, não há como não se indignar com o preço abusivo. É de lascar. Para suavizar viremos a página. Ouvir a voz das três filhas juntas, as notícias dos cuidados, o afeto do lar sertão, a serenidade e integridade do Tio Neto...nesse momento mãe já retorna trazendo na bagagem chás e memórias atemporais. Somos estradas de saudades...

Voz e escuta
Gravamos o primeiro episódio da primavera do podcast Conecta Analice. É incrível conhecer as histórias e memórias da avenida nessa hora de diálogo. Dar voz aos personagens da avenida dos meus passos é uma das propostas do projeto que idealizei e estou conduzindo junto com meu irmão. Cada visita e gravação rende muito aprendizado. Temos o Blog, Instagram e os canais do Youtube e Spotify. @conectaanalice

Os sonhos
“Falou com seu irmão? Tive um sonho ruim.’ Diz mãe ao telefone. A mensagem do sertão atravessa o país e chega ao mar de Paraty. A resposta tem riso: “estou bem vivo diz a Mãe e avisa Vozinha que mês que vem chego lá para pedir bênção.” Como diz tio Neto: Reaja que os 100 anos está acenando na janela Vozinha. Sonhar diz muito. Freud e a psicanálise dão muitas pistas. Ontem mesmo tive um muito especial. Num campo com atmosfera mágica, luminosidade abraçando o cenário, margaridas sorrindo, meus netos Peaches e Damian e minha primogênita de mãos dadas, passos e olhares alinhados, Bruna exalando sua divina beleza com seu vestido branco e manto azul. Eu acordei com essa imagem e rezei uma Ave Maria.
Bora seguir sonhando...andando...voando e construindo verbos ações

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Caldeirão invernal

Aflição que queima
A primeira quinzena de setembro já foi. Ouço de muitas vozes com diferentes tons: o tempo está louco. Entre segunda e sexta voando, o final de semana num piscar. Com palavras diferentes, de falas também, que sinalizam um contexto similar. O tempo está mais ligeiro? Caminhamos em direção ao fim? O nosso como espécie que está, infelizmente, impactando outras tantas, nesse planeta ainda vivo, mesmo diante de tantas sequelas. Aqui no Sul global brasileiro ardemos em queimadas que ferem os biomas, sangra nossos narizes, adoece nosso sistema respiratório e outros emaranhados do corpo. O ar denso de poluentes, a mente cansada, o céu desapareceu, o corpo rastejando nas selvas das cidades, alguns orando pelas chuvas e tantas outras necessidades. Tempo de aflição. Fecho os olhos, ouço a voz de Vozinha: não esmoreça.


Quebras e renovações
Chegou a hora de livrar-me da banheira, que pela minha vaga lembrança, usei umas 2 vezes nos 13 anos que habito essa casa. A Isa e Arthur, usaram bastante nos banhos brincadeiras que já ficaram na memória. Ela permanecia lá e resolveu vazar. A água caça caminhos por entre as paredes e tetos e vai infiltrando. Não teve jeito e ela já está lá, quebrada na caçamba de entulho. Que libertação! Sim, aquilo que não usamos fica impregnado de energia parada. Uma pequena obra traz transtornos, mas é preciso coragem para resolver questões urgentes. Sem porta, sem piso, sem parte do azulejo, sem os utensílios de uso cotidiano, olho para o cenário desolador cheio de pó e penso nas dores que todo processo de renovação causa.

Riso que cura
Tenho acompanhado mãe em consultas e exames por São Paulo, a capital vizinha de Osasco que ela e muitos desconhecem. Apesar de andar muito por lá, a imensidão da cidade é tamanha, que muitas vidas eu precisaria para me dedicar a tarefa de desbravar os múltiplos lugares dessa Sampa, que sim eu Amo. No dia 11/09 eu e mãe fomos para Mooca. Estação Osasco, trem até Barra Funda e depois metrô. Chegamos ao hospital, tomamos um café próximo ao elevador. Tenho gosto por chegar adiantada em compromissos. Enquanto aguardávamos nosso café com pão de queijo, duas cenas tocantes. Uma mãe e uma filha, caminhavam abraçadas, ambas num amparo, na face de uma delas lágrimas quentes escorriam e eu senti a dor rasgar meu coração. Fiz minha prece silenciosa. Já degustando meu café com leite, vejo uma garota vindo do centro de especialidades, sem o lenço, sem cabelos e com uma aura que iluminou o ambiente. Nova prece. Seguimos para aguardar a consulta. Depois de um atraso de 3 horas, fomos atendidas na sala 11, para onde retornaremos em breve. Mãe encanta o médico com seu jeito ímpar. Nossa caminhada segue e que o riso continue sendo nosso aliado na cura. Amém!


Novo capítulo
Para um novo caminho, em outra especialidade. Dessa vez na Zona Sul, descemos, Isa e eu, no metrô Santa Cruz. No prédio da consulta, o som das águas nos recepcionando, um aroma delicioso suavizando os ambientes, um bálsamo diante da secura lá fora. A médica excepcional, dessas conexões valiosas que a vida nos presenteou. De lá saímos com a certeza de que a melhor das possibilidades será estudada e realizada no tempo oportuno. Já na rua, observamos o prédio conservado de uma unidade do Corpo de Bombeiros, entramos na centenária igreja Nossa Senhora da Saúde e fomos arrebatadas com tantos retratos da beleza da arte sacra que tocam nossa fé. Antes de pegar o metrô de volta, uma pausa para o lanche, teve o chocolate preferido dela e abastecidas retornamos. Santa Cruz, República, Butantã, ônibus e casa.


Inspiração que salva
Na sexta 13 o dia foi da Bienal. A festa dos livros, corredores cheios, estudantes, professores, amantes dos livros, lançamentos, autores, personagens e um mundo de saberes que multiplicam histórias. O livro é um universo. No sábado foi dia de gravação do podcast, um espaço de troca fértil que rende diálogos que nutrem. Teve encontro com amigos e muito mais. Eu poderia escrever muitas páginas sobre a semana de 08 a 15/09, tantos trilhos, portas, janelas, frases, orações, lágrimas, sorrisos, linhas e entrelinhas que seguem palpitando por aqui, mas esse pequeno ensaio termina aqui, porque a agenda da nova semana me chama. O som da chuva canta lá fora, vou ali preparar meu café. Hoje tem passagem por OZ e Lapa no destino. Que meus sentidos continuem sendo tocados por inspirações cotidianas. Bora!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Som da chuva

Todos nós temos sons de nossa preferência. Eu tenho meus sons prediletos e o som da chuva é um deles. Noite passada eu adormeci sentindo o cheiro e o toque da chuva. Tive um sono leve inspirado pela suavidade das gotas que molhavam a terra. E como estávamos precisando de uma chuva para amenizar o ar poluído e seco das últimas semanas. Uma bênção que espero se espalhe para outras regiões do país.

Desde muito cedo o som da chuva me cativou. Na infância era uma festa os dias de chuva no sertão. Rendiam muitas brincadeiras e ótimos banhos pelas ruas. Sem contar na cheia dos açudes e na fertilidade sorridente que inundava a região. Trago essas doces lembranças da chuva. Por aqui, dias assim chuvosos em pleno feriado pede um bom livro, filme, um aconchego e uma casa com calor carinho.

O clima tem dessas coisas. Há tendências do outono/inverno, primavera/verão. É o baile das estações moldando paisagens e comportamentos. Essa chuva é um presente para umidificar o solo para a florada da primavera. O inverno está em clima de despedida. Que venham as flores do tempo de um novo ciclo.Minha bela Bruna pronta para mais uma estação. É hora de florescer!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Saudades

Saudade é um sentimento. Podemos sentir saudade de tantas coisas, pessoas, momentos, lugares, viagens...eu aprecio ter saudade feliz.

Hoje estou com saudade da minha filha que viajou ontem. Nem faz 24 horas que ela viajou e como sua presença faz falta na casa. Ela está distante. Estou na chuva, ela no Sol. Mas estamos juntas na eternidade do amor.

Tenho família que mora distante: avós, pai, tios, primos. Sinto saudades de todos e muitas vezes rezo por eles no silêncio do meu coração. Quando ligo e ouço sua voz, sinto a energia do carinho vindo na suavidade do vento. É uma alegria quando posso ir vê-los presencialmente.

Sentir saudade não significa ficar presa ao passado. É uma forma de agradecer a alegria de ter vivenciado momentos tão especiais. Sentir saudade é amar. E é por amar tanto minha filha que estou com saudades do seu abraço.

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...