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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Amizade nutrição e cura

Estamos sempre cercadas de pressão e eu observo, com muito pesar, muitas mulheres aprisionadas no que os outros vão dizer, tentando se moldar em padrões que contrariam sua essência. A ausência de ser quem é vai adoecendo as mulheres nas suas próprias mentiras, algumas que nem elas mesmos enxergam ou, mascaram como bloqueio. Por mais que já tenhamos avançados em muitos quesitos, há um longo caminho para compreender e viver o amor como verdade nas relações, a começar por si mesma. As notícias dão conta de que a ansiedade está nas alturas e a saúde mental das pessoas em péssimo estado. Ser taxada de louca, dramática, de isso é frescura, ter receio de nomear os sintomas e de buscar apoio, vai formando um vulcão que quando explode atemoriza ainda mais. Porque o corpo vai dando sinais e nós vamos negligenciando ou escondendo, por medo e vergonha. É sempre uma barreira para todas as mulheres que enfrentam as discriminações nocivas que ferem. Os homens também sofrem, embora camuflem os danos que esse sistema algoz impactam neles e seguem reproduzindo comportamentos tóxicos.

Acompanhar de perto situações dolorosas tem me ensinado muito. Adversidades todos já enfrentamos e seguiremos com elas em algumas estações da estrada, como as elaboramos é o que faz diferença. Essa elaboração é uma tarefa difícil, vamos chorar, sentir tristeza, raiva, medo e dor. Não acredite nessas fórmulas que vendem nas mídias sociais de pessoas felizes o tempo todo, equilibradas nas suas rotinas publicadas e muitas vezes esmagadas no real cotidiano. O equilíbrio total é uma ilusão. Não alcançaremos jamais. A busca insana por colocar em prática esses modelos sufocam as pessoas, ampliam a ansiedade e nos aprisiona em padrões que nos convocam a consumir fórmulas irreais em formas de make, academia, coaching e tantos outras receitas. E não estou aqui dizendo que isso não seja importante. Sim, devemos fazer exercício físico, cuidar do corpo, fazer consultas e exames, fazer terapia se possível, cuidar da aparência, tudo isso e muito mais são válidos. A questão aqui é que nos “vendem” - sim isso é mercadológico – como uma possibilidade “fácil” sendo que é incompatível com a realidade de tantas mulheres. A propagação da comparação é cruel.

Esse ensaio todo acima foi motivado pelos diálogos recentes e das vivências reais, minhas e de outras amigas sobre temas que atravessam nossas existências. Pensando nas observações que escutei, nas lágrimas que ajudei a enxugar, nos apertos de mão e nos abraços que acolhem, escolhi o título. E recordando de tantas “pressões”, lembrei agora de um exemplo simples. Quantas noites eu fui dormir angustiada em ver que não tinha conseguido fazer tudo que estava anotado na agenda e imaginando como estava falhando o tempo todo. E sequer olhava para o que eu tinha realizado e que era muito. Tenho até uma amiga que fica cansada só em ouvir o relato de minha rotina em alguns dias. Até que fui me libertando aos poucos, dentro do privilégio que tenho hoje com minha agenda flexível, de ir me adequando ao tempo possível, dentro das minhas possibilidades, apagando incêndios aqui e acolá, priorizando atividades que amo como ler e escrever, sem negligenciar itens importantes com a alimentação e a caminhada, e tendo a leveza de saber que eu não vou dar conta de tudo sempre e que em alguns dias eu posso até me surpreender. E tudo bem! Essa construção é contínua, com todos os desafios e dores que acontecem nas distintas intercorrências em nosso cotidiano.

Nessa cachoeira de reflexões, vislumbro lampejos de esperança em livros como o de bell hooks, Djamila Ribeiro,Clarrisa Pinkola Estés, no podcast Bom dia Obvius, no programa Sem Censura da TV Brasil, nas provocativas e sensatas colocações de Elisama Santos, nas narrativas que ouvi nas gravações do podcast Sonho e Pele e em outros que costumo divulgar para o meu grupo de amigas. Cada vez que assisto fico agradecida por enxergar que há uma onda crescente que respeita as diferentes pessoas e circunstâncias, valorizam a autenticidade, os saberes locais, com abordagens de modo educativo e até lúdico sobre pautas tão necessárias como a maternidade, menopausa e outras interconectadas do universo feminino e da sociedade. Esses dias assisti um episódio falando sobre solidão e solitude que me fez pensar tanto nesse prazer de estar só. Em quantas mães sentem falta desses momentos únicos, dela com ela mesmo, até para se reencontrar. Eu mesmo que adoro circular sozinha já ouvi certa vez com tom bem preconceituoso: “como você tem coragem de sair sozinha e deixar seus filhos?” Bom, eu me reservei o direito de não gastar minha energia respondendo, mas essa fala evidencia a falta de reconhecimento de que SIM, a mãe precisa de um tempo para respirar sozinha!

É por isso que me esforço para sair com as amigas e ter nossos momentos. Para extravasar nossas emoções em risadas que ecoam, tomar um café para partilhar afetos, acompanhar nas orações porque eu sambo mas rezo também. Esses encontros são mágicos porque nos fortalecem. A amizade é um antídoto para a solidão e um alimento para a solitude. Quantas vezes, em minhas horas de leitura ou silêncio vem a lembrança de uma frase das amigas ou de uma situação que precisa de minha prece, da indicação de alguém que pode ajudar, de um abraço ou mensagem. E aqui a conexão da proximidade sagrada acontece evidenciando que presença se faz ao vivo porque marca os sentidos, e continua na memória que fica tatuada como aprendizado e afeto. Todas as minhas amigas, dentro dos seus contextos, corres, crenças e medidas, têm suas lutas. Eu creio com toda força que somos seres emocionais e que juntas temos a capacidade de ser rede de apoio que nutre. E meu clamor perene é esse: nesse mundo que quer nos distanciar com uma competição ferrenha, sejamos vozes, escutas, mãos, abraços e oportunidades umas para outras. Escolha bem as pessoas e os conteúdos que irão te nutrir e curar. Amizade é relação curativa.

Para finalizar, como eternizou bell hooks: amor é acima de tudo ação!

Amizade é reza, mar, manhã, entardecer, sementes, frutos, raiz, árvore, despertar e janelas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Caldeirão invernal

Aflição que queima
A primeira quinzena de setembro já foi. Ouço de muitas vozes com diferentes tons: o tempo está louco. Entre segunda e sexta voando, o final de semana num piscar. Com palavras diferentes, de falas também, que sinalizam um contexto similar. O tempo está mais ligeiro? Caminhamos em direção ao fim? O nosso como espécie que está, infelizmente, impactando outras tantas, nesse planeta ainda vivo, mesmo diante de tantas sequelas. Aqui no Sul global brasileiro ardemos em queimadas que ferem os biomas, sangra nossos narizes, adoece nosso sistema respiratório e outros emaranhados do corpo. O ar denso de poluentes, a mente cansada, o céu desapareceu, o corpo rastejando nas selvas das cidades, alguns orando pelas chuvas e tantas outras necessidades. Tempo de aflição. Fecho os olhos, ouço a voz de Vozinha: não esmoreça.


Quebras e renovações
Chegou a hora de livrar-me da banheira, que pela minha vaga lembrança, usei umas 2 vezes nos 13 anos que habito essa casa. A Isa e Arthur, usaram bastante nos banhos brincadeiras que já ficaram na memória. Ela permanecia lá e resolveu vazar. A água caça caminhos por entre as paredes e tetos e vai infiltrando. Não teve jeito e ela já está lá, quebrada na caçamba de entulho. Que libertação! Sim, aquilo que não usamos fica impregnado de energia parada. Uma pequena obra traz transtornos, mas é preciso coragem para resolver questões urgentes. Sem porta, sem piso, sem parte do azulejo, sem os utensílios de uso cotidiano, olho para o cenário desolador cheio de pó e penso nas dores que todo processo de renovação causa.

Riso que cura
Tenho acompanhado mãe em consultas e exames por São Paulo, a capital vizinha de Osasco que ela e muitos desconhecem. Apesar de andar muito por lá, a imensidão da cidade é tamanha, que muitas vidas eu precisaria para me dedicar a tarefa de desbravar os múltiplos lugares dessa Sampa, que sim eu Amo. No dia 11/09 eu e mãe fomos para Mooca. Estação Osasco, trem até Barra Funda e depois metrô. Chegamos ao hospital, tomamos um café próximo ao elevador. Tenho gosto por chegar adiantada em compromissos. Enquanto aguardávamos nosso café com pão de queijo, duas cenas tocantes. Uma mãe e uma filha, caminhavam abraçadas, ambas num amparo, na face de uma delas lágrimas quentes escorriam e eu senti a dor rasgar meu coração. Fiz minha prece silenciosa. Já degustando meu café com leite, vejo uma garota vindo do centro de especialidades, sem o lenço, sem cabelos e com uma aura que iluminou o ambiente. Nova prece. Seguimos para aguardar a consulta. Depois de um atraso de 3 horas, fomos atendidas na sala 11, para onde retornaremos em breve. Mãe encanta o médico com seu jeito ímpar. Nossa caminhada segue e que o riso continue sendo nosso aliado na cura. Amém!


Novo capítulo
Para um novo caminho, em outra especialidade. Dessa vez na Zona Sul, descemos, Isa e eu, no metrô Santa Cruz. No prédio da consulta, o som das águas nos recepcionando, um aroma delicioso suavizando os ambientes, um bálsamo diante da secura lá fora. A médica excepcional, dessas conexões valiosas que a vida nos presenteou. De lá saímos com a certeza de que a melhor das possibilidades será estudada e realizada no tempo oportuno. Já na rua, observamos o prédio conservado de uma unidade do Corpo de Bombeiros, entramos na centenária igreja Nossa Senhora da Saúde e fomos arrebatadas com tantos retratos da beleza da arte sacra que tocam nossa fé. Antes de pegar o metrô de volta, uma pausa para o lanche, teve o chocolate preferido dela e abastecidas retornamos. Santa Cruz, República, Butantã, ônibus e casa.


Inspiração que salva
Na sexta 13 o dia foi da Bienal. A festa dos livros, corredores cheios, estudantes, professores, amantes dos livros, lançamentos, autores, personagens e um mundo de saberes que multiplicam histórias. O livro é um universo. No sábado foi dia de gravação do podcast, um espaço de troca fértil que rende diálogos que nutrem. Teve encontro com amigos e muito mais. Eu poderia escrever muitas páginas sobre a semana de 08 a 15/09, tantos trilhos, portas, janelas, frases, orações, lágrimas, sorrisos, linhas e entrelinhas que seguem palpitando por aqui, mas esse pequeno ensaio termina aqui, porque a agenda da nova semana me chama. O som da chuva canta lá fora, vou ali preparar meu café. Hoje tem passagem por OZ e Lapa no destino. Que meus sentidos continuem sendo tocados por inspirações cotidianas. Bora!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Superação

Ontem, 20/12/2011 encontrei uma pessoa muito especial, um profissional dedicado que sempre atendia os clientes com muita alegria. Há 1 ano atrás fomos surpreendidos com a notícia de sua doença e ontem tive a imensa alegria de vê-lo em processo de recuperação. Seu sorriso permanece o mesmo e tenho certeza de que esse sorriso largo e sincero é um grande aliado nesse caminho de cura.

Depois de perguntar sobre minha família, ele me disse: Sempre tive medo de cirurgia na cabeça e do câncer. Tive que enfrentar meus maiores medos. Depois da primeira cirurgia o médico disse que eu tinha 3% de chance. Foi difícil para minha família, mas estou aqui graças a Deus. Fiquei muito contente com seu relato, especialmente, por sentir a alegria emanando de seu espírito firme na luta pela vida.

Ao me despedir dele agradeci de todo coração por esse encontro. Podemos aprender muito com a história do próximo e Deus sempre coloca os personagens certos nas horas necessárias. Fiquei olhando seus passos seguirem devagar e ao mudar a direção do meu olhar me deparei com uma moça que usava uma camiseta com as palavras: SUPERAÇÃO!

O sentido dessa palavra-mensagem será o foco dos meus próximos passos: SUPERAÇÃO!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sono sem sonho anestésico

Como é bom estar em casa depois de ficar internada no Hospital. Com essa somou-se 3 vezes, sendo que nas últimas duas foram especiais, parto normal, sem anestesia. Dessa vez uma pedra no meu caminho. E que pedra trabalhosa! Felizmente tudo correu bem, não me lembro de ter sonhado durante a cirurgia, mas lembro nitidamente das últimas imagens que vislumbrei antes de cair no sono anestésico.
O melhor de tudo é despertar. Ufa! Acordar é um bálsamo daqueles que não há como explicar. Sentir a vida pulsar nos batimentos cardíacos e no silêncio do coração é uma sensação tão vibrante que nos damos conta do milagre da vida. Penso em quantas vezes deixamos de agradecer o dia que nasce, o orvalho da manhã, os raios de Sol que entram pela janela e inundam o ambiente de energia dourada. Obrigada Vida em toda sua plenitude.

O difícil agora é repousar com tanta disposição para fazer acontecer. O final do ano chegou e 2010 anuncia um novo tempo. Mas, o repouso é necessário e tudo tem a hora oportuna. Não podemos descuidar da saúde. Nosso corpo é um Templo Sagrado e o cuidar de si deve fazer parte da rotina de todas as pessoas.
Equilíbrio é saúde e qualidade de vida.

Meu sono está tranqüilo. Meus sonhos são raros, porém, intensos e com muito significado. Tenho clareza das minhas metas reais e sei que tenho capacidade de realizá-las com fé, persistência, determinação, coragem e, acima de tudo, muito amor. Meu propósito maior é melhorar sempre. Podemos sempre fazer melhor porque estamos aqui para evoluir!

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...