quinta-feira, 18 de março de 2010

Meus ancestrais, minhas raízes, minha história

Não conheço com profundidade as origens dos meus antepassados, mas os reverencio porque sei que eles são parte de minha história, da minha genealogia, da minha vida, do meu sobrenome, do meu sangue. Quando conhecemos nossas raízes nos encontramos com nós mesmos através dos laços que somos formados.

Tive a grande sorte de conhecer de perto meus avôs e graças a Deus minha vozinha e vozinho, os pais de minha guerreira mãe, ainda estão conosco. Tive a felicidade de conhecer alguns bisavós e bisavôs que se tornaram personagens marcantes da minha infância. Lembro deles com um imenso carinho e muita gratidão.

As bisas são especiais, conheci três. A vovó Yayá foi a primeira que faleceu, era tão pequena, mas tinha uma grandeza em seu jeito frágil. Tinha a mãe do meu vozinho que eu não recordo o nome, mas lembro muito bem de seus traços e dela sentada na sua cadeira de balanço na calçada de Trindade. O tempo passou e logo ela estava caducando e a memória foi fraquejando. De vez em quando acertava o nome dos netos e bisnetos. E tinha a Aurora, mãe da minha vozinha, a quem eu chamava de vó da Ingá, por causa do sítio. Sua presença simples iluminava toda a casa, do raiar do dia até o anoitecer. Sua expressão era leve como seu sorriso.

E tem os dois bisavôs que são verdadeiros extremos. O vovô Vigário era uma figura. Ele adorava contar os “causos” de suas andanças. Recordo-me dele na sua casa em Trindade junto com a Santina com quem ele casou depois que a bisa Yayá faleceu. Aliás, os dois andando juntos na rua era uma graça. Ela tinha um jeito de andar muito estranho. Sei que as histórias do Vovô eram muito divertidas. Meus tios costumavam dizer que ele tinha gosto por “engrandecer” seus feitos.

E o outro bisavô a quem eu chamava de vô do Ingá, também como referência ao sítio, era o marido da Aurora. Lembro dele montado no seu cavalo, seu companheiro nas estradas e veredas da caatinga. Sem dúvida, um homem valente, um vaqueiro do sertão que não perdia a Missa dos Vaqueiros de Serrita e que gostava de poesia mesmo sem saber ler nem escrever. Ele gostava de ficar no alpendre de sua casa recitando poemas que surgiam de sua mente criativa. Tenho muito orgulho de sua veia poética.

E tem minhas duas avós. Uma delas partiu em 2009 nos deixando muita saudade. Ela continua comigo, viva na minha lembrança. Minha avó Cotinha nos deixou um legado de força. Ela é filha do vovô Vigário e da vovó Yayá. Uma mãe sensível, batalhadora e que sempre acolhia todos. Lembro do seu abraço carinhoso e do seu imenso amor e preocupação com sua família. Ela morou em diferentes casas e cidades e foi deixando sua marca por onde passou. Minha avó e madrinha, sua marca de amor estará sempre comigo.

E tem a minha amada vozinha. Não vejo a hora de chegar junho para visitá-la. Admiro tanto minha vó. Ela tem um jeito todo único de transmitir seu afeto. Ela briga e parece está sempre brava, mas aprendi que esse é seu modo de expressar o gigante amor que ela sente por toda sua família. Lembro dela ouvindo a missa e rezando o terço toda noite junto com meu avô. Seu canto é sagrado. Minha vozinha é uma Fortaleza, tem uma fé excepcional, é uma mulher de princípios que tem uma essência firme. Ela é encantadora, é ariana como minha mãe, é determinada, decidida e verdadeira.

E tem o vô Chico. Meu avô e padrinho. Que homem memorável e lindo. Sua pele negra, seu cabelo preto, seu olhos profundos. Seu humor sempre foi uma característica marcante. Como se diz por lá, ela “mangava” de todo mundo. Gostava de colocar apelidos. Eu branca que nem algodão e ele me chamava de minha preta. A última vez que nos falamos foi por telefone, faz um tempo. A Bruna tinha dois anos e eu tinha enviado uma foto de sua bisneta para ele conhecer. Quando perguntei se ele tinha gostado de sua bisneta, ele respondeu sorrindo: “é a minha cara, galega dos olhos de gato” rsrsrs. Nunca vou esquecer sua risada, sua alegria, sua beleza rara.

E tem meu vozinho Enoque. Tão sensível, tão cativante, tão bondoso, tão simples. Ele é puro amor e sensibilidade. Adora sentar embaixo da algaroba para fumar seu cigarro. Fica no alpendre contemplando o horizonte com seu olhar de sonhador. Meu avô tem uma trajetória de vida incrível. Ele é um exemplo de vitória, superação e do quanto temos capacidade de recomeçar e encontrar nosso lugar no mundo. E ele agüenta as brigas da minha avó há quase 60 anos rsrsrs. Ele é muito paciente também. Eu o amo muito por tudo que me ensinou mesmo quando não disse uma única palavra. Ele é o homem mais maravilhoso que já conheci. Meu querido Vozinho, minha gratidão por fazer parte de minha história. Por toda eternidade sua presença estará comigo.

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