sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilacerada pelas saudades que latejam, estou aqui, viva e confiante em dias melhores, cá e lá. Janeiro é sempre corrido com o início das aulas e tantas demandas incendiárias depois de passar tanto tempo longe de casa. Aos poucos e tentando respeitar um ritmo de recomeço desperto toda manhã respirando a gratidão de um novo dia. Nesses primeiros dias por aqui fui recebida com um churrasco de boas-vindas com abraços que suavizaram, entreguei algumas conchas e pedras trazidas na bagagem, retomei minha caminhada orante, ouvi o canto da chuva...

Tomei café na padaria, tirei um generoso cochilo a tarde, abracei minha mãe, fui na sessão terapêutica, fui na escola resolver livros e mensalidades, conversei com outras mães sobre esse ano do vestibular, contemplei a lua crescente no céu de janeiro, falei com amigas que seguram firme na minha mão, chorei um bocado, encontrei a madrinha da minha filha Bruna sem marcar, que bênção a luz que ela emana. Obrigada Deus por essa conexão refinada...

Cuidei das minhas plantas que sobreviveram, com exceção do alecrim e da lavanda que não resistiram. Já está no radar a compra delas, de terra e adubo para o cuidado da estação de todas as plantas da casa. Escutei músicas que tocam, louvores que emocionam, fiquei ausente das telas, me abriguei no silêncio e nesse turbilhão do sentir. O aperto no peito vai cedendo lugar ao sorriso, vai aflorando o ânimo, melhorando o sono e recobrando as forças.  É um recomeço...

Sou grata por ter cumprido uma missão que exigiu muita coragem. Mãe é vocação e seguir o chamado do coração faz parte da minha essência. Ainda estou filtrando as sensações e enfrentando adversidades. Toda escolha gera consequências. Toda experiência traz aprendizado. Dificuldades ensinam. Batalhas fortalecem. Elaborar as situações com a certeza de quem você é e do amor que impulsiona seus passos traz a leveza para novamente florescer e seguir em frente. Eu seguro na rocha da minha fé, no afeto dos meus laços e na plena convicção da presença de Deus.

2026 começou gigante! E terminará vitorioso. Eu creio. Bora lá!


Gratidão Deus Pai, Filho e Espírito Santo!

domingo, 16 de novembro de 2025

Círculo dos passos

A amizade é uma riqueza. Sou muito grata por cultivar ao longo dos anos esse tesouro atemporal. Das que se foram, mudaram geograficamente e seguimos acompanhando, outras que encerraram o ciclo e deixaram suas marcas. Sim, há relações que acontecem por determinado período, alguns nos decepcionam, machucam e nos afastamos, faz parte do roteiro, e deixam suas lições. Filtrar, perdoar e ficar com o aprendizado. E que alívio quando a ferida cicatriza!  E tem amizades que permanecem por décadas e até para sempre, formam uma rede na qual nos fortalecemos na escuta, na fala, no respeito das diferenças, no abraço, no silêncio, nas orações, uma segurando a mão da outra, partilhando dores e alegrias. Quantas vezes a palavra de uma amiga foi e segue sendo restauração.

Quando nos reunimos em nossas celebrações sinto tanta força. A Rita me disse na última sexta-feira que sou o núcleo que agrega, fiquei honrada com sua percepção. Nossa sintonia é elementar amiga e não preciso dizer mais nada. Cada encontro nosso é marcante e esse 14/11 foi especial. As risadas ecoaram mais uma vez registrando aquilo que tanto acredito: Riso é prece e cura. Ao redor da mesa, com água, cerveja e vinho, cada uma na sua bebida favorita, nós brindamos mais um ano juntas. Foi um ano desafiante para todas nós, cada uma na sua medida, buscando vencer as batalhas. Estamos vencendo e ainda que estejamos sangrando, ao olhar a estrada de 2025 vejo que as casquinhas das feridas estão se formando e que chegamos nessa nova estação ainda mais fortalecidas. Estou tão orgulhosa de todas vocês. Como disse a Alessandra: seguir o coração é o caminho.

Suzana destacou que todas as relações têm conflitos e que equilibrar os egos não é fácil. E aqui faço um adendo, para dizer que nesse processo é importante compreender nossos limites e não nos apagarmos para caber nas expectativas dos outros. Reconhecer que também falhamos é fundamental. Penso nas tantas vezes que não falamos sobre os erros que observamos em algumas atitudes, por medo de magoar, com receio de ser interpretado como julgamento, quando é apenas uma leitura que deveríamos compartilhar com o intuito de ajudar. Eu preciso aprimorar esse exercício. E aqui convoco de novo a Alessandra para a relevância do autoconhecimento e de práticas curativas que são capazes de ressignificar tantos acontecimentos e nos reconectar com nossa natureza circular. Ale você é canal de cura!

E chego na Guio que tem essa energia alegre que nos contagia. Ela é festa de cores. Uma amizade de 45 anos, com distância longa da migração, cada uma veio no seu tempo, e o reencontro orquestrado pela amiga Zilda, aconteceu no meu mundo mágico de OZ. Desde então seguimos próximas, alimentando nossa fé, nos amparando nos aperreios e vibrando nas conquistas. Admiro tanto sua criatividade, a melhor fotografa que temos. Seu olhar captura ângulos que só ela enxerga. Tua visão é comunhão de elementos. Acredita na sua potencialidade, do mesmo jeito que me motiva a despertar a minha. Sou grata por tua presença nesse caminhar.

Silvia, amiga da Vila pra toda vida. Você nasceu para brilhar! Teu Sol tem raios profundos. Permita que ele irradie por teus passos. Estou aqui e sempre estarei rezando por você e invocando a proteção de Deus e dos anjos na tua vida. Jamais estará sozinha. Sua renovação está em pleno curso. Adoramos ser recebidas pela anfitriã Sil, ser abraçada por teu humor, não o perca por nada! Tenho convicção de que iremos brindar suas vitórias nas próximas estações. Perseverança, fé, paz e alegria. Que o Espírito Santo te guie.

Amigas, muito obrigada. Onde meus passos trilharem, tenham certeza de que vocês estarão neles, na lembrança, saudade e afeto. Eu que sou gente que ama, desejo que o AMOR seja multiplicado na vida de todas vocês. Bora andar: “eu encontrarei meus pés no caminho.”

Gratidão Deus pelos anjos amigos!

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Amizade nutrição e cura

Estamos sempre cercadas de pressão e eu observo, com muito pesar, muitas mulheres aprisionadas no que os outros vão dizer, tentando se moldar em padrões que contrariam sua essência. A ausência de ser quem é vai adoecendo as mulheres nas suas próprias mentiras, algumas que nem elas mesmos enxergam ou, mascaram como bloqueio. Por mais que já tenhamos avançados em muitos quesitos, há um longo caminho para compreender e viver o amor como verdade nas relações, a começar por si mesma. As notícias dão conta de que a ansiedade está nas alturas e a saúde mental das pessoas em péssimo estado. Ser taxada de louca, dramática, de isso é frescura, ter receio de nomear os sintomas e de buscar apoio, vai formando um vulcão que quando explode atemoriza ainda mais. Porque o corpo vai dando sinais e nós vamos negligenciando ou escondendo, por medo e vergonha. É sempre uma barreira para todas as mulheres que enfrentam as discriminações nocivas que ferem. Os homens também sofrem, embora camuflem os danos que esse sistema algoz impactam neles e seguem reproduzindo comportamentos tóxicos.

Acompanhar de perto situações dolorosas tem me ensinado muito. Adversidades todos já enfrentamos e seguiremos com elas em algumas estações da estrada, como as elaboramos é o que faz diferença. Essa elaboração é uma tarefa difícil, vamos chorar, sentir tristeza, raiva, medo e dor. Não acredite nessas fórmulas que vendem nas mídias sociais de pessoas felizes o tempo todo, equilibradas nas suas rotinas publicadas e muitas vezes esmagadas no real cotidiano. O equilíbrio total é uma ilusão. Não alcançaremos jamais. A busca insana por colocar em prática esses modelos sufocam as pessoas, ampliam a ansiedade e nos aprisiona em padrões que nos convocam a consumir fórmulas irreais em formas de make, academia, coaching e tantos outras receitas. E não estou aqui dizendo que isso não seja importante. Sim, devemos fazer exercício físico, cuidar do corpo, fazer consultas e exames, fazer terapia se possível, cuidar da aparência, tudo isso e muito mais são válidos. A questão aqui é que nos “vendem” - sim isso é mercadológico – como uma possibilidade “fácil” sendo que é incompatível com a realidade de tantas mulheres. A propagação da comparação é cruel.

Esse ensaio todo acima foi motivado pelos diálogos recentes e das vivências reais, minhas e de outras amigas sobre temas que atravessam nossas existências. Pensando nas observações que escutei, nas lágrimas que ajudei a enxugar, nos apertos de mão e nos abraços que acolhem, escolhi o título. E recordando de tantas “pressões”, lembrei agora de um exemplo simples. Quantas noites eu fui dormir angustiada em ver que não tinha conseguido fazer tudo que estava anotado na agenda e imaginando como estava falhando o tempo todo. E sequer olhava para o que eu tinha realizado e que era muito. Tenho até uma amiga que fica cansada só em ouvir o relato de minha rotina em alguns dias. Até que fui me libertando aos poucos, dentro do privilégio que tenho hoje com minha agenda flexível, de ir me adequando ao tempo possível, dentro das minhas possibilidades, apagando incêndios aqui e acolá, priorizando atividades que amo como ler e escrever, sem negligenciar itens importantes com a alimentação e a caminhada, e tendo a leveza de saber que eu não vou dar conta de tudo sempre e que em alguns dias eu posso até me surpreender. E tudo bem! Essa construção é contínua, com todos os desafios e dores que acontecem nas distintas intercorrências em nosso cotidiano.

Nessa cachoeira de reflexões, vislumbro lampejos de esperança em livros como o de bell hooks, Djamila Ribeiro,Clarrisa Pinkola Estés, no podcast Bom dia Obvius, no programa Sem Censura da TV Brasil, nas provocativas e sensatas colocações de Elisama Santos, nas narrativas que ouvi nas gravações do podcast Sonho e Pele e em outros que costumo divulgar para o meu grupo de amigas. Cada vez que assisto fico agradecida por enxergar que há uma onda crescente que respeita as diferentes pessoas e circunstâncias, valorizam a autenticidade, os saberes locais, com abordagens de modo educativo e até lúdico sobre pautas tão necessárias como a maternidade, menopausa e outras interconectadas do universo feminino e da sociedade. Esses dias assisti um episódio falando sobre solidão e solitude que me fez pensar tanto nesse prazer de estar só. Em quantas mães sentem falta desses momentos únicos, dela com ela mesmo, até para se reencontrar. Eu mesmo que adoro circular sozinha já ouvi certa vez com tom bem preconceituoso: “como você tem coragem de sair sozinha e deixar seus filhos?” Bom, eu me reservei o direito de não gastar minha energia respondendo, mas essa fala evidencia a falta de reconhecimento de que SIM, a mãe precisa de um tempo para respirar sozinha!

É por isso que me esforço para sair com as amigas e ter nossos momentos. Para extravasar nossas emoções em risadas que ecoam, tomar um café para partilhar afetos, acompanhar nas orações porque eu sambo mas rezo também. Esses encontros são mágicos porque nos fortalecem. A amizade é um antídoto para a solidão e um alimento para a solitude. Quantas vezes, em minhas horas de leitura ou silêncio vem a lembrança de uma frase das amigas ou de uma situação que precisa de minha prece, da indicação de alguém que pode ajudar, de um abraço ou mensagem. E aqui a conexão da proximidade sagrada acontece evidenciando que presença se faz ao vivo porque marca os sentidos, e continua na memória que fica tatuada como aprendizado e afeto. Todas as minhas amigas, dentro dos seus contextos, corres, crenças e medidas, têm suas lutas. Eu creio com toda força que somos seres emocionais e que juntas temos a capacidade de ser rede de apoio que nutre. E meu clamor perene é esse: nesse mundo que quer nos distanciar com uma competição ferrenha, sejamos vozes, escutas, mãos, abraços e oportunidades umas para outras. Escolha bem as pessoas e os conteúdos que irão te nutrir e curar. Amizade é relação curativa.

Para finalizar, como eternizou bell hooks: amor é acima de tudo ação!

Amizade é reza, mar, manhã, entardecer, sementes, frutos, raiz, árvore, despertar e janelas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Viagem das meninas

Pela primeira vez, aos 50 anos, fiz uma viagem com amigas. Curta e intensa. Com momentos de silêncio, diálogo, contemplação, caminhada, leitura, refeições sem pressas e conexões que seguem ressoando. Uma pausa presente tão transformadora. Um tempo por você e para você. Apreciamos tanto que já estamos planejando a próxima edição. Recebi algumas perguntas sobre a viagem e revendo desde a chegada ao hotel e o retorno pra casa, mergulhei em reflexões que entrelaçam tantas questões, em especial, sobre a importância de nos permitimos pausar e trilhar novos caminhos. Alguns questionamentos revelam o quanto somos sufocadas por pressões externas que tentam nos enclausurar em padrões que, muitas vezes, estão totalmente desalinhados com nossa essência e afetam nossa saúde mental.

Com quem ficou os filhos enquanto você viajava? 
A clássica pergunta que muitas mães ouvem. Resposta: Com o pai. Claro que como mãe não desconectamos total, respondemos as mensagens e ligamos para ver se estão bem. Ah mas será que o pai cuida direito? É dever dele cuidar. E sim eu me preocupo com eles, especialmente com meu caçula, a do meio é bem madura, e estou ciente que a escolha do pai pelas ações facilitadoras como comer fora ou ifood acontecerão. Claro que tem muitas mães solo que não tem o companheiro e fica mais difícil sua jornada. Outros fatores como a idade dos filhos impactam nossas decisões. Tem muitos pais “presentes” e ao mesmo tempo ausentes dentro da própria casa no cotidiano de muitas famílias. A carga maior ainda está com as Mães. A luta por mudança desse cenário é longa e urgente.

Seu marido não acha ruim que você viaja sozinha?
Essa questão tem implícita tanto julgamento e não culpo quem enviou porque é a forma como as relações são desenhadas. Eu devo ser julgada assim: a louca tem coragem de viajar sem o marido e filhos. Bom, meu marido já fez várias viagens sozinho com os amigos. E tudo bem. Da mesma forma que vive se reunindo com sua turma. Então tenho feito esse movimento de me reunir com minhas amigas só as meninas sim. E aqui não é uma competição do tipo você fez e eu vou fazer também. É muito fértil e saudável nos reunirmos assim. Respeitar o espaço de cada um é importante. Tenho amigas que não vão, talvez não se sintam confortáveis ou tem seus outros motivos e tudo bem. Cada uma tem sua narrativa, princípios e etcssssss. Eu sei quem eu sou, o que sinto e faço. Relacionamento é construção de confiança.

Como é a sensação de estar sozinha com as amigas numa viagem?
Maravilhosaaaaaaaaaa! Eu já havia viajado sozinha por outras motivações e para visitar família. Dessa vez foi diferente. A ideia surgiu num dos nossos encontros femininos. E fomos numa tríade. Eu desejo fazer uma viagem solo, só eu, a mochila e o destino para desvendar. Não pude fazer isso no meu aniversário de 50 anos. Está no plano futuro. Então esse convite da viagem das meninas foi um ensaio. Muito bacana sair da sua rotina, conhecer um novo lugar, trocar experiências no trio e com outras pessoas que conhecemos. Esses momentos fortalecem o laço de nossa amizade e nos ensina a força que emana da união feminina. Quantas vezes estamos presas apenas em uma única visão de determinada situação e o olhar da outra nos traz outra leitura? Especialmente quando a intenção é para você despertar e potencializar mudanças que te farão avançar.

Eu compreendo que muitas mulheres não possuem ainda essa possibilidade de viajar sozinha por inúmeros recortes, um deles a violência que nos amedronta. As taxas de feminicídio e outras discriminações e preconceitos são gritantes. "É perigoso demais viajar sozinha." Já ouvi muito e o quanto isso tem a capacidade de nos paralisar! Quebrar essas barreiras é um chamado a nos unirmos cada vez mais. Eu sou muito grata por ter tido a oportunidade de viver esse experimento. Fomos e retornamos seguras e realizadas. Recebi outras perguntas que rendem muitas abordagens. Por hora fico por aqui e desejando que você abra espaço para viver aquilo que palpita em seu coração. O meu está fervilhando de desejos ardentes para seguir escrevendo minha história.


"Eu encontrarei meus pés no caminho" Ouça On The Way Hollow Coves
Foto da fotógrafa amiga Guiomar Leite

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Rota de transição

O amadurecimento amplia nossa percepção do quanto a vida é cíclica. Observar a passagem das estações no meu jardim é uma das formas que pauso para enxergar nesse movimento a passagem do tempo. Os últimos 3 anos foram doloridos em diferentes contextos e, apesar das dores, tenho agradecido pela transformação que esse processo de transição está sacudindo aqui. Um dos desafios é alinhar cada vez mais as escolhas com a minha natureza para priorizar minha saúde integral. Nessa tormenta de flechas incendiarias de todos os lados, mergulhar no silêncio tem sido um bálsamo. Menos é mais e vice e versa.

Enxergar o aprendizado do caminho percorrido, erros e acertos, perdas e vitórias, e sentir-se viva para vislumbrar no horizonte o potencial de fertilizar novas gestações, traz muita esperança. Olhar o passado ressignificando cruzes que latejam, tem me ajudado a cicatrizar pouco a pouco feridas que ainda sangram. Quantas vezes fugimos desse confronto? Lançar luz sobre a escuridão te obriga a encarar de novo, mas agora com outra leitura, sentimentos que carecem de cura. Navegar nesse oceano revolto para chegar a outra margem não é apagar a memória, é um chamado para recomeçar com uma bagagem mais leve. Muitos chamam de deserto e temos que exercitar a resiliência para encontrar o oásis nele e beber da fonte da renovação.

Pausar é uma afrronta em uma sociedade que te cobra a ser competitivo e produzir freneticamente. É preocupante o quanto essa cobrança e necessidade tem adoecido as pessoas. Os números do estresse, burnout e outros distúrbios físicos e psíquicos retratam o saldo dessa lógica do consumo excessivo em diversas linhas. No outro extremo, tenho visto pessoas retomando conexões reais e alterando a rota em busca de um equilíbrio sustentável, algumas depois de passar por situações severas de exaustão e rupturas desencadeadas por relações alimentadas por esse sistema doentio, que tem nos números o maior valor. E o que fazer com as sequelas? Uma motivação para uma nova caminhada acreditando na sua capacidade regenerativa. Você não está sozinho e buscar apoio nessa transição é fundamental.

As experiências marcam. Estar diante da fragilidade e finitude é um convite amargo e doce, uma dualidade que nos faz valorizar o que é eterno na existência. É um valor que não tem medida. É indizível. Demonstrar sua vulnerabilidade também é uma fortaleza. Tem que ser forte. Você é guerreira. Quantas vezes ouvi isso enquanto eu estava dilacerada? Muitas. Precisamos nos permitir sentir e ser. Acredito que é nesse partilhar que vamos nos libertando e sarando. Dizem que nessa fase da menopausa vamos ficando mais chata, eu substituo por seletiva. Claro que os muitos sintomas provocam um turbilhão. No meu caso tenho refinado meu filtro.Por exemplo, vejo muito carisma fake, gente que atua com falsa alegria apenas para vender produtos, serviços ou sua máscara, sendo influencer de mentiras, mascarando violências e entrando nessa bolha de padrões. O afastamento dessa rede faz bem. Aguçar a intuição para focar em relacionamentos que nutrem faz toda diferença.

Transitar no território de mudanças não é tarefa fácil, nos coloca diante de medos e incertezas. Tem uma frase de Clarissa Pinkola Estés que tem ressoado com força: “Ser nós mesmas faz com que nos isolemos de muitos outros e, entretanto, ceder aos desejos dos outros faz com que nos isolemos de nós mesmas.” Praticar essa verdade aflora uma seleção natural e potente. É preciso muita coragem para reconhecer e priorizar você como sua casa e construir diante das possibilidades que tem, a pavimentação de uma nova estrada. Seguir em frente em um novo roteiro abre janelas para aflorar seus próprios recursos, muitas vezes adormecidos pela rotina de demandas externas e desalinhadas com sua essência. Na profundidade habita a luminosidade. E que essa inspiração guie meu novo caminhar:

Dar o coração para uma nova criação, para uma nova vida...é uma descida ao reino dos sentimentos. Pode ser difícil, especialmente se estiver ferido...No entanto, ele existe para ser tocado, para dar vida plena...” Clarissa Pinkola Estés

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Giro semanal

Quantas palavras ou cenas definem sua semana? Por aqui tem variedade. E contrariando esse campo raso da Internet, onde alguns apenas observam as manchetes, uns por falta de tempo, e outros porque realmente não tem interesse em enveredar pelas profundidades, eu costumo ainda escrever mais que um parágrafo. Primeiro que calendário ligeiro! O segundo semestre do ano está a galope! Começa a segunda e de repente é sexta.

Domingo 13 cheguei cedo do Rio de Janeiro, exausta da viagem noturna que, mesmo diante do sono, não consigo mais dormir no ônibus. Receio seja sinal da menopausa que bate a porta. Voltei com um rastro de saudades e muita gratidão por ter sido recebida com tanto carinho no Rio de Afeto. O mar, as companhias, as ruas, a feira, os bairros, a igreja e tantos momentos guardados na memória. Prometo encurtar a distância das visitas. Casa, descanso, sono.

Segunda-feira, despertador, acordar, trabalhar, cozinhar, etcs, retornar, casa, jantar, dormir...e dentro desse roteiro um emaranhado de percepções como contemplar o céu da madrugada com as estrelas mais nítidas e a lua brilhando no silêncio da noite. Rezar sentindo o aroma do café que aquece os sentidos, a escrita no caderno de oração, os personagens que palpitam na prece. O dia nasce no caminho e da janela do carro observo a claridade surgir e abraçar a manhã.

Manhãs e noites frias, céu claro, secura na atmosfera poluída, cansaço, rotina, borboleta branca no quintal, ligações, perrengues, correria. Teve a melhor feijoada de Osasco na quarta-feira, visita de mãe na quinta-feira. Conexões com clientes, parceiros e fornecedores e também com comerciantes na avenida dos nossos passos empreendedores. Na agenda, a rotina diferenciada, embora pareça semelhante. Aguçar o olhar te faz enxergar detalhes preciosos.

Fiquei emocionada com a gravação de João Gomes na casa de sua avó. Claro que lembrei de vozinha, vozinho, madrinha, padrinho e toda minha gente que ama. Tenho muito orgulho das minhas raízes que alicerçaram a base de quem eu sou e seguem nos meus passos por onde eu andar. Mostrei ao meu caçula e ele disse, parece terreiro da casa de Vozinha, nascida em Serrita como muitos Netos, nosso sobrenome. Salve a Missa do Vaqueiro!

Li capítulos do livro já deitada em minha cama, piscando entre as linhas. Ler é hábito que amo. E procuro exercitar todos os dias, nem que seja uma página. Pensei agora nos livros que tenho para ler e em outros que quero adquirir. Levei um livro para o RJ e li durante o percurso de São Paulo ao Rio. Que leitura arrebatadora, dessas que te prendem e seguem ecoando. Leiam Estela sem Deus de Jefferson Tenório. Aliás, indico ler e até reler livros e outras publicações para entender melhor sobre diferentes pautas, afinal muitas pessoas abordam apenas o título, que até anuncia parte do tema, mas é bem restrito sobre o conteúdo. Em tempos de IA, que sim é útil para muita coisa, porém emburrece por restringir a pesquisa aprofundada e o pensamento crítico, é preciso refinar a atenção plena para o que realmente importa.

Termino esse giro semanal com esses apelos: leiam e sejam presença real. Faz toda diferença!


Gratidão pela bênção de mais uma semana!

domingo, 25 de maio de 2025

Notas Marianas

O título faz menção ao mês de Maio, de Maria, uma referência a minha devoção de Nossa Senhora, a Mãe do Salvador do mundo. O calendário segue, com alegrias, tristezas, dores, encontros, saudades e esperanças no plural sim, porque eu a invoco para inflamar meus sentidos diante das tribulações. Domingo dia do Terço Glorioso, da glória que veio depois do sofrimento da paixão. Um bálsamo que contagia meu espírito, um sinal fervoroso de que SIM, dias melhores estão no horizonte.

Muitos acontecimentos cabem no mês, semana, dia, noite e até no instante que tem a capacidade de se tornar eterno pelo amor que ele representa. Neste mês das Mães em que homenageamos a Santíssima Virgem Maria, exemplo supremo de amor de Mãe, eu seguro em suas mãos intercessoras e sinto a firmeza de sua proteção. Te agradeço Nossa Senhora de tantos Retratos por me ensinar que no Amor reside a fortaleza divina. Agradeço-te Mãe por me cobrir com seu manto que acalma minha tempestade, ainda que ela esteja feroz.

Refletindo nessa tarde de domingo sobre o mês que caminha para ser encerrado, eu sinto gratidão pelas graças do cotidiano que revelam que a grandeza da simplicidade é uma dádiva. Quantas vezes deixamos de enxergar o valor das pequenas bênçãos? E assim vamos nos afastando da presença de Deus. Quantas pessoas chegou perto de você para falar bem de outra ou te levar uma palavra de afeto? Quantas vieram te falar sobre algum assunto bombástico do momento? Quais livros te indicaram ou podcast sobre assuntos relevantes? Alguém te convidou para uma oração ou você se propôs a ser escuta plena?

Em uma sociedade do cansaço que te cobra dar conta de tudo, observo gente encurralada pela pressa, que sequer observam os detalhes que estão ao seu redor. Correndo para caber em medidas ditadas por padrões, muitos colocam sua atenção em elementos rasos de “receitas” que não combinam com sua verdadeira essência. Muitos leem apenas as chamadas de alguma postagem e já se consideram phd em pautas que não se aprofundam para desenvolver uma leitura crítica. Contagiados pelo excesso de informação, apenas reproduzem sem filtro. Precisamos pausar para ressignificar nossos passos.

Neste 25/05, domingo, eu acordei rezando. A oração tem me aproximado do silêncio. Visitei minha amada mãe, tomei café escutando seu riso, que presença afetuosa. O Cosmos parecido com o Cacau da Bruna e Henrique, estava sorridente em sua companhia. O cachorro que enxerga com os outros sentidos, o companheiro do nosso caçula. No fogão, o almoço colorido e delicioso para a visita que ela convidou, a outra avó paterna dos meus filhos. A generosidade, simplicidade, alegria e ternura de Maria de Fátima, que tenho a honra de chamar de Mãe, são cenas e ensinamentos que nos conectam com a natureza do amor.

Na feira, o pastel, o caldo de cana, o milho, tapioca, alho, hortaliças, legumes, temperos, frutas, cores, falas, risos, aromas e tantos elementos desse espaço coletivo que deixa a rua repleta de bancas e de encontros. Foi a primeira vez que fui à feira esse mês, já estava com saudades, esse lugar tem jeito de Mãe, recordações dos meus irmãos, dos primos e de tantos conhecidos do bairro. As barracas palpitam lembranças, os brinquedos dos filhos e netos, o pastel de gerações entrelaçando memórias. Na minha história de todos os meses que já vivi e dos que, com a graça de Deus, irei viver, memórias afetivas são os tesouros que cultivo.

Ah Maio, mês de um dos momentos mais intensos que seguem tatuados em minha alma, quando eu ainda era menina, no dia 31/05 de outrora, na novena derradeira, obrigada por este maio dos meus 50 anos. A Maria encerra essas notas mensais, agradeço a leitura dessas linhas desconexas, sem edição, apenas letras do coração que lateja saudade.

Com essa publicação, cumpro um dos meus compromissos mensais comigo mesmo, de escrever pelo menos 1 texto, em cada Blog. Escrita com fé e amor.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Ciclo 50

Chegada dos 50
Uma nova estação em minha vida, o marco do meio século e uma janela que descortina um novo tempo de maturidade. O período que antecede a menopausa, fase de profunda transformação em que as emoções palpitam no mar do desequilíbrio hormonal. Sim os sinais já afloram por aqui, a amora miura já faz parte do meu cotidiano e a busca por orientação qualificada para enfrentar os desafios do novo ciclo. Teve celebração simples no dia 07/03/2025 na companhia das amigas. Teve oração, riso, lágrima e gratidão.

A viagem centenária
Ainda em março, embarquei para Pernambuco, junto com minha Isa, para comemorarmos o centenário da minha avó. Que honra ser neta dessa Fortaleza do Sertão. Sua bênção Vozinha permanecerá em meus passos. O céu sertanejo, de dia e noite, a vegetação, as veredas e as estradas que interligam personagens da minha história. A viagem que restaura minhas forças, alimenta meu espírito e enternece meu coração com fé, afeto, risadas e uma vastidão de amor que recebemos no melhor canto de paz e acolhida. Ouvir sobre a generosidade dos meus avós que salvaram vidas, inundou meu ser de uma gratidão tão leve. Que alegria e que honra ouvir e sentir o abraço agradecido de tantas pessoas. Quanta vida em poucos dias. Memorável.

Chamado e missão
Tenho rezado o Terço, em casa, na caminhada orante e nas casas que abrem suas portas e corações para o encontro mariano. As orações são bálsamos e multiplicam conexões que marcam. As folhas pessoas que viram adubo depois da passagem pelo meu singelo altar, o sopro do vento do outono acendendo a esperança no renascer da ressureição da Páscoa. Desde 2022 iniciei minha caminhada do Terço e cada vez que eu rezo fortaleço a perseverança nesta prece que tantas vezes presenciei na casa das minhas avós. Neste ano do jubileu conheci o rosário do Frei Gilson e como eu aprendi com as passagens bíblicas citadas na fervorosa oração que reuniu tanta gente. Que a presença do Espírito Santo alimente minha força para cumprir esse chamado da Mãe Santíssima.

Tribulação e constância
Temos provações, dificuldades e batalhas, muitas deles, travadas no silêncio. Tenho a graça de acompanhar e aprender com as relações com a família e amigos e com os testemunhos de pessoas conhecidas e até desconhecidas, o quanto a FÉ nos salva e ensina a valorizar o que realmente importa. Nas últimas semanas tenho me visto, menina pequena que sempre fui...sentada do lado esquerdo em um dos bancos próximo a porta da igreja de minha infância, e sentido as lágrimas que aqueciam minha face quando eu rezava a Ave Maria na hora do Terço de Maio, mês de Maria, das Mães. Uma visão que tem palpitado desde que comecei rezar este rosário na quaresma. Um sinal de que sim, mesmo diante das adversidades eu devo manter minha fé firme no filho de Maria, nosso Salvador.

Enxergar vai além
A visão é um dos sentidos preciosos e, ainda assim, há quem olha e não vê. Quantas vezes estamos adormecidos ou entorpecidos com a correria e não observamos com atenção plena os sinais que estão ao nosso redor. Num mundo ávido pela atenção consumo, escolher pausar para enxergar a beleza da simplicidade dos detalhes é contradizer o status vigente e há uma onda que muitos dizem pequena, mas com uma proporção rara crescente, surfando pelo oceano dessa conexão que transforma. A folha que te escolhe na caminhada, a flor que brota no jardim, o canto do pássaro, o encanto das fases lunares, o vento que canta, a risada de sua mãe, a música que acaricia sua alma, a borboleta que baila nos passos na hora que você reza por sua filha e tantas cenas que têm me aproximado cada vez mais da esperança, da fé e do amor.

Que mesmo diante da dor que fere eu continue cultivando o amor que liberta e cura. Amém!

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Dia memorável

Sexta-feira, verão, manhã, caminhada orante, passos, folhas personagens, pássaros cantando, beija-flor, suor, banho, café e saída de casa. Escola, na companhia do Elo Sagrado, andamos, pausa para deixar mochila, cachorro-quente no calçadão, estação Osasco, bilhete, trem. Destino Ipiranga para mais uma consulta na especialidade gratidão. Linha 8 Diamante, próximo a passagem entre os vagões, no balanço do meio que Arthur adora surfar, ela está encostada lendo seu kindle. Um casal ao meu lado fala em espanhol ligeiro, toca o telefone dele e inicia uma conversa operária com quem está do outro lado da linha, negociações nos trilhos. O trem é também comunhão de línguas, lugares e personagens.

Barra Funda, escadas e na plataforma logo embarcamos na linha 10-Turquesa. Descemos na Ipiranga, atravessamos o canteiro, a linha férrea, passamos pela comunidade, roupas no varal em frente as casas miúdas, rádio tocando, vozes misturadas, passos apressados, embaixo do viaduto o vai e vem das pessoas, atravessamos a rua e chegamos na parada dos motoboys em frente ao Mooca Plaza Shopping. Muitos ali esperando o chamado Ifood para sair com as entregas, disputando a pouca sombra da calçada. 34 graus marca a temperatura e o céu anuncia o temporal. Entramos no palácio das compras pela entrada dos boys delivery em frente a praça de alimentação. Almocei com o coração latejando. Perguntei ao segurança sobre a saída para pedir Uber e depois da parada para comprar o chocolate preferido da Isa que acontece nessas ocasiões médicas, nos sentamos no confortável e assombreado banco a espera do Uber. Pensei que os motoboys do outro lado, poderiam ter um desses também.

Trovões e nuvens anunciam a chegada do temporal e eu rezei para chegarmos antes dele desabar. Os pingos na janela, o Museu e o parque do Ipiranga e mais adiante o centro clínico. Desço e me deparo com a lixeira que dá o recado. Já no endereço familiar, com a chuva torrencial caindo lá fora, aguardamos o chamado da Doutora Thaís que nos recebeu com seu sorriso. A gratidão a essa especialista é contínua e o tratamento seguirá com novo retornos e, com a graça de Deus, avanços. Ainda chovia, de forma moderada, quando descemos do primeiro andar para iniciar o trajeto do retorno. Uma senhora passando mal, o socorro das enfermeiras, a aflição da acompanhante. Ao nosso lado um casal, a senhora dizendo ao marido que não voltaria com ele de moto, eles sofreram um acidente que a traumatizou e os pinos são lembretes doloridos. Ela me perguntou sobre estação metrô e trem por perto, eu expliquei e avisei que estava indo, ela disse que ia procurar ônibus para ir até lá e eu respondi que não precisava, que ela iria conosco. Não tenho dinheiro, retrucou. Não precisa eu já paguei o Uber e a senhora pode ir conosco.

Na corrida, ela nos conta detalhes sobre o infarto do marido, motorista do articulado do Campo Limpo-Bandeira, aposentado e que ainda trabalha porque precisa, de como homem doente dá trabalho e eu concordei e até o motorista do Uber entrou na roda, do filho que morreu com 48 anos há 2 meses sozinho em casa no bairro de Pinheiros com um pico de diabete e que só 2 dias depois encontraram seu corpo, da dor da perda...ela também irradiou alegria ao falar da construção de sua casa própria perto de Poá, que está fazendo um pouquinho por vez, que também é Pernambucana, vai fazer 70 anos em abril, tem 13 netos, ainda faz faxina e uns bicos...chegamos na Juventus-Mooca, antiga estação férrea. Dois rapazes que certamente voltavam do seu turno de trabalho, nos ajudaram a chegar na plataforma certa. A Dona Lourdes me falou da pamonha que “faz como ninguém”...entramos no trem, na próxima estação, Brás, ela desceu, nos despedimos no vagão e a gratidão no seu olhar fará morada eterna em minha alma...vou seguir sonhando com o sabor da pamonha...

Ainda na Turquesa, segurando perto da saída, uma nova conversa de duas mulheres jovens partilhando com sorriso a aridez de aperreios: “em casa só tenho 2 xícaras, 3 pratos, 1 cadeira e 2 copos. Nem posso receber ninguém” e gargalharam em sintonia. “No começo é assim mesmo e eu só tenho o que uso nem posso te ajudar, mas vou ver o que separo.” Elas pareciam ser companheiras de empresa ou bairro, dividindo cenas da vida na ida e volta da linha férrea. Um nó na garganta e a o aviso da nossa estação. Descemos na Barra Funda, elas e os demais seguiram. A estação do meu Palmeiras, meu time e eu senti saudades dos dias dos jogos que fui junto com meus irmãos. Sobe, desce escada, plataforma lotada de pessoas, uma filha consola a mãe que chora abraçada em seu ombro, ou seria amiga? Eu choro por dentro e ouço as maravilhas da química e da evolução tecnológica desse século que a Isa me ensina. Os ambulantes vendendo água, cerveja gelada, kit manicure pronto para uso: “já está amolado e esterilizado, só 20 Reais.” Depois de Altino saímos espremidas em Osasco. Estava abafado, tínhamos sede e cansaço. Água, café e partida. Isa foi encontrar o pai e irmão, eu segui para minha consulta.

Na Avenida Santo Antônio, o padroeiro de Osasco que está sem catedral. A construção da nova em pleno vapor. Enquanto aguardo minha vez, reencontro com conhecidos das antigas. Dessas surpresas preciosas que nutrem a teia do tempo. Da consulta para o café amizade. É incrível a grandeza do diálogo com quem temos refinamento de alma. Noite, calçada, céu, abraço e despedida. Entro no quinto Uber do dia. Destino casa. Sou surpreendida de uma maneira que não há palavras para descrever. O que eu ouvi e senti no intervalo de quase 20 minutos seguirá ecoando. Como alguém que talvez eu nunca mais encontre foi capaz de transmitir uma mensagem tão tocante? Que resposta! Deus envia sinais e anjos. É nessa trilha de AMOR que eu encontro sentido em todas as estações e com os personagens que eu cruzar.

Que dia Memorável! Gratidão Deus!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Distância e proximidade

Estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? Em certo sentido sim. As vezes tem pessoas que está ao seu lado e distante milhares de milhas. Outras que estão fisicamente em outro continente e muito mais próxima naquilo que importa. Estou há 32 dias longe do Brasil, na missão mãe e avó, nesta viagem invernal e tenho refletido muito sobre esses extremos. Me perguntaram do que sinto mais falta nessa experiência da viagem mais comprida que já fiz. Talvez eu não consiga descrever todas as coisas porque a saudade vai aflorando nos detalhes do cotidiano. O canto do pássaro na árvore seca desperta lembrança, o formato de uma nuvem, o cheiro do alho fritando no azeite, o riso das crianças e tantas cenas daqui que entrelaçam recordações de lá.

Contemplando um painel que Peaches fez das suas férias no Brasil do ano passado, lembrei dos meus contando sobre a hora de compartilhar na aula sobre as férias, logo após o início de cada semestre, seja na escrita, fotos ou oralidade. Tenho escrito poucas linhas diárias sobre minha passagem por aqui e fiquei pensando o quanto de vida esses dias estão acrescentando a minha memória afetiva. Na gélida estação do Norte, o calor do afeto tem aquecido minha alma. Eu sou grata por estar aqui, ainda que seja tão doloroso a saudade de todos que verdadeiramente me amam e que estão do outro lado do Atlântico. Sou mulher do sentir e sei bem quem são.

No começo da viagem, tivemos por aqui a companhia da Isa, a tia amada de Peaches, Damian e Alise. Meu caçula Arthur viajou para Pernambuco. Os dois já estão em casa desde final de dezembro. E minha maravilhosa irmã tem me ajudado muito. Alise, a menina luz, nasceu dia 13/12/24, na Lua Crescente, dia de Santa Luzia. Foi a primeira vez que eu pude acompanhar esse momento tão precioso da minha primogênita que completou sua tríade. Sintonia refinada com a mãe aqui. Eu acredito em propósito divino e sinto com toda força que a maternidade da Bruna tem um sentido tão intenso que ela vai descobrindo e vivenciado em cada ciclo. Quando sentimos no ventre e assim que nasce acolhemos em nossos braços o bebê, um turbilhão de sensações percorre nosso ser. Eu jamais vou conseguir descrever tamanha imensidão.

Uma vez ouvi: você é uma avó jovem. Nem tanto assim. Este ano completarei 50 anos e segurando Alise no colo me pus a rezar para que eu possa ter a graça de viver muito mais para continuar visitando-os aqui e os recebendo no Brasil, nesse ir e vir de chegadas e partidas, nesse espaço de vida que vamos colecionando memórias. Voltando as perguntas, para findar o texto, deixo aqui minhas simples observações sobre essas questões cujas respostas podem ser bem diferentes para cada pessoa e até ter semelhantes em alguns pontos com as minhas também.

Do que sinto mais falta nesse período longe de casa? São muitas, do abraço a comida e tantas variáveis que renderiam páginas e páginas, mas vou me deter em três que representam muitas para findar esse texto: 1- dos filhos: do aperto abraço do meu Arthur, meu caçula que tira meu juízo e inunda minha vida de amor e das falas da Isa, da sua sensibilidade que me abraça no olhar. 2 - do café da minha mãe nas manhãs de domingo. Somos muito abençoados por ter essa Maria de Fátima e tia Lane e Coca...). 3 - dos laços amizades e das conversas presenciais profundas e recheadas de riso.

Sobre a minha pergunta - estar perto e longe ao mesmo tempo é possível? - deixo aqui outras perguntas provocações para que questionem: você está realmente presente em cada ação? Tem atenção plena na escuta do outro? Está atento a fala durante a conversa ou absorto em distrações? Quantas vezes você esteve com alguém do seu lado e se sentiu sozinha? E como é encantador quanto sentimos o contrário. Quando a pessoa está distante léguas e te conhece tanto que sente pelo som da sua voz como você está. Isso sim faz diferença. Que sejamos cada vez mais Presença real. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Notas despedidas

O clima
Meu corpo anda dolorido da avalanche de demandas e cá estou para registrar minhas notas nessa manhã quente da primavera paulista.Começo refletindo sobre como a meteorologia impacta o estado dos sentidos. Na semana úmida de novembro, quando a umidade aflora o cheiro do mofo das coisas, o céu cinza, ausência do sol, despertou memórias do passado, passos com pés molhados pelo furo e rosto quente de lágrimas salgadas. Um contraste da garoa fina e incessante com o rio quente que descia dos olhos, aquecendo a caminhada. Lembrei também da umidade da serra em Ubatuba com as frestas de sol que surgiam de quando em quando e acendiam a esperança do céu azular. Qual o meu clima agora? Agarrando-me a brecha solar que indica que a estrela está viva.

A cirurgia
Na companhia de mãe, nas estações Osasco, Barra Funda e Bresser Mooca, catracas, exames, consultas, cardiologista, cirurgião, pressão baixa e alta no círculo das emoções. Observando seus cachos com a tiara de pano que ela adotou, seu olhar preocupado, sua angústia desse ir e vir, incomum a sua rotina. Começamos mãe, temos que ir avançando nas etapas e finalizar o processo, dizia eu buscando uma coragem que em alguns momentos vacilava também. E chegou o dia da cirurgia. Ainda era madrugada quando saímos de casa para o hospital. Meu coração suspenso ao afagar seu braço quando ela foi com a enfermeira para o centro cirúrgico. As horas intermináveis até eu novamente encontrar com minha mãe no final do dia arrastaram-se doloridas. Ela se recupera bem, em casa, seu canto favorito.

Ser casa
Minhas referências de lar, quando eu realmente me sinto em casa, tem personagens vivos, em carne e osso, e nas recordações que palpitam no meu corpo. A casa dos meus avós paternos sempre tinha gente, filhos, netos, sobrinhos, parentes de diferentes graus e conhecidos. O doce de madrinha, sim ela foi e segue minha madrinha-avó, as merendas que vinha da bodega, seu pirão, sua cadeira e orações...na dos meus avós maternos, o bolo de Vozinha, o cheiro de Vozinho, os terços, as novenas, as conversas e os risos ecoando no alpendre, as janelas, a rede, o céu do sertão, os vagalumes, as canções dos pássaros e os sons da roça....o cuidado da irmã Lane, as delícias culinárias da Tia Coca, os preparos cuidadosos de tia Toinha e a generosidade e acolhimento de Mãe, me ensinam a ser casa onde meus passos alcançarem.

Proximidade
O entardecer no mar do Nordeste em Aracaju, clicada por minha filha Isa abraçando minha saudade. O amanhecer clicado na estrada de Pernambuco por meu irmão Giva irradiando a luz da nossa irmandade, as fotos dele e meu irmão Paulo na companhia do meu pai em Lagoa do Barro, da igreja, da praça, do Juazeiro, do açude e do sítio de tia Lia...em Parnamirim, os meninos visitando tio Neto, Vozinha e resenhando no churrasco na casa do meu primo Fernando...as gargalhadas chegam pelo vento que sopra amor... imagens que afagaram meu espírito com a proximidade que nos enlaça além-fronteiras.

Embarques
Os próximos embarques estão marcados. Meu caçula Arthur viajará para suas férias no sertão, entre Parnamirim e Araripina, minha rede de apoio para cuidar dele durante minha viagem para o Norte global. A sua mãe aqui cruzará o Atlântico para a missão com a primogênita, acompanhar o nascimento da minha neta, ainda sem nome. A baby menina chegará no Natal e com a bênção de Nossa Senhora sinalizará o renascimento de um novo tempo. Na aurora invernal ela chegará para completar a tríade da minha Bruna. Tem um propósito grandioso na sua maternidade e no laço sagrado que nos une nesse processo de mudanças e cura. Junto comigo estará meu Elo Sagrado, a filha do meio, nossa sensível Isa. Na estrada de saudades que sou, a cada chegada e partida, deixo e trago na bagagem a gratidão das conexões que enternecem minha vida.

Minhas notas de 2024 findam nessa postagem. Os abraços dos netos para aquecer o inverno norte me esperam. As rezas do Sul me seguirão. As saudades permanecerão latejando. Agradeço o afeto da leitura e desejo um Feliz Natal para todos. Até o ano vindouro e que 2025 seja leve. Amém!

sementes, céu, mar, sertão, frontieras, norte, sul, estrada e laços

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Notas primaveris

Florescer
A primavera chegou, as amoras estão no fim, novas folhas nasceram nas plantas, brilham frutos vermelhos na folhagem do quintal, as tempestades ainda avançam e eu espero o ciclo da mansidão. O bálsamo das orações aquieta o turbilhão, as novenas de vozinha, o Terço em honra a Nossa Senhora na intenção da matriarca avó que tanto rezou e segue rezando por nós, ainda que debilitada na fraqueza da idade, sua fortaleza de espírito nos inspira. Hoje ela levantou para sentir o cheiro da chuva, a primeira depois de 7 meses, que chegou ontem a tarde, anunciando a Lua Cheia e banhou o telhado e o solo na madrugada sertaneja. De longe, senti a terra sorrindo com o milagre das águas. Há de florescer um novo tempo.

Ligeiro
Os ponteiros do relógio correm na velocidade turbo. Os dias chegam a galope, semanas, meses... me deparei assustada com os panetones nas prateleiras dos supermecados. As ofertas do Dia das crianças se foi, nas lojas o terror enfeitado para o Halloween e encantadoras decorações de natal. Logo as luzes natalinas brilharão pela cidade. Estamos nós acelerados ou o ritmo temporal deu uma enlouquecida? É um chamado para viver com mais atenção a dádiva de cada dia? Quantos escutaram os sinais? Quantos nem sequer notaram no doido piloto automático do cotidiano.

O clima
Há tantas variáveis na passagem do tempo e isso vai muito além das condições climáticas. Uma hora de ventos e chuva intensa é capaz de causar muita destruição. A força da ventania chuvosa encontrando a estrutura desastrosa em grande parte dos ambientes das cidades. As tragédias e transtornos ganham as manchetes dos jornais, prejuízos de bilhões. Poderíamos aproveitar o ibope delas para refletir melhor sobre a importância de votar com consciência. Os impactos desfavoráveis da falta de gestão política afetam com maior força a parcela da população mais vulnerável. Nossa escolha influencia o presente e o futuro.

Ida, volta...chegada...partida
Comprar passagem de última hora por necessidade emergencial nos dá a dimensão do absurdo do valor das tarifas aéreas. Não tem como equacionar o valor da presença de mãe e minha tia na companhia da minha Vozinha nesse momento de sua fragilidade. No entanto, não há como não se indignar com o preço abusivo. É de lascar. Para suavizar viremos a página. Ouvir a voz das três filhas juntas, as notícias dos cuidados, o afeto do lar sertão, a serenidade e integridade do Tio Neto...nesse momento mãe já retorna trazendo na bagagem chás e memórias atemporais. Somos estradas de saudades...

Voz e escuta
Gravamos o primeiro episódio da primavera do podcast Conecta Analice. É incrível conhecer as histórias e memórias da avenida nessa hora de diálogo. Dar voz aos personagens da avenida dos meus passos é uma das propostas do projeto que idealizei e estou conduzindo junto com meu irmão. Cada visita e gravação rende muito aprendizado. Temos o Blog, Instagram e os canais do Youtube e Spotify. @conectaanalice

Os sonhos
“Falou com seu irmão? Tive um sonho ruim.’ Diz mãe ao telefone. A mensagem do sertão atravessa o país e chega ao mar de Paraty. A resposta tem riso: “estou bem vivo diz a Mãe e avisa Vozinha que mês que vem chego lá para pedir bênção.” Como diz tio Neto: Reaja que os 100 anos está acenando na janela Vozinha. Sonhar diz muito. Freud e a psicanálise dão muitas pistas. Ontem mesmo tive um muito especial. Num campo com atmosfera mágica, luminosidade abraçando o cenário, margaridas sorrindo, meus netos Peaches e Damian e minha primogênita de mãos dadas, passos e olhares alinhados, Bruna exalando sua divina beleza com seu vestido branco e manto azul. Eu acordei com essa imagem e rezei uma Ave Maria.
Bora seguir sonhando...andando...voando e construindo verbos ações

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Caldeirão invernal

Aflição que queima
A primeira quinzena de setembro já foi. Ouço de muitas vozes com diferentes tons: o tempo está louco. Entre segunda e sexta voando, o final de semana num piscar. Com palavras diferentes, de falas também, que sinalizam um contexto similar. O tempo está mais ligeiro? Caminhamos em direção ao fim? O nosso como espécie que está, infelizmente, impactando outras tantas, nesse planeta ainda vivo, mesmo diante de tantas sequelas. Aqui no Sul global brasileiro ardemos em queimadas que ferem os biomas, sangra nossos narizes, adoece nosso sistema respiratório e outros emaranhados do corpo. O ar denso de poluentes, a mente cansada, o céu desapareceu, o corpo rastejando nas selvas das cidades, alguns orando pelas chuvas e tantas outras necessidades. Tempo de aflição. Fecho os olhos, ouço a voz de Vozinha: não esmoreça.


Quebras e renovações
Chegou a hora de livrar-me da banheira, que pela minha vaga lembrança, usei umas 2 vezes nos 13 anos que habito essa casa. A Isa e Arthur, usaram bastante nos banhos brincadeiras que já ficaram na memória. Ela permanecia lá e resolveu vazar. A água caça caminhos por entre as paredes e tetos e vai infiltrando. Não teve jeito e ela já está lá, quebrada na caçamba de entulho. Que libertação! Sim, aquilo que não usamos fica impregnado de energia parada. Uma pequena obra traz transtornos, mas é preciso coragem para resolver questões urgentes. Sem porta, sem piso, sem parte do azulejo, sem os utensílios de uso cotidiano, olho para o cenário desolador cheio de pó e penso nas dores que todo processo de renovação causa.

Riso que cura
Tenho acompanhado mãe em consultas e exames por São Paulo, a capital vizinha de Osasco que ela e muitos desconhecem. Apesar de andar muito por lá, a imensidão da cidade é tamanha, que muitas vidas eu precisaria para me dedicar a tarefa de desbravar os múltiplos lugares dessa Sampa, que sim eu Amo. No dia 11/09 eu e mãe fomos para Mooca. Estação Osasco, trem até Barra Funda e depois metrô. Chegamos ao hospital, tomamos um café próximo ao elevador. Tenho gosto por chegar adiantada em compromissos. Enquanto aguardávamos nosso café com pão de queijo, duas cenas tocantes. Uma mãe e uma filha, caminhavam abraçadas, ambas num amparo, na face de uma delas lágrimas quentes escorriam e eu senti a dor rasgar meu coração. Fiz minha prece silenciosa. Já degustando meu café com leite, vejo uma garota vindo do centro de especialidades, sem o lenço, sem cabelos e com uma aura que iluminou o ambiente. Nova prece. Seguimos para aguardar a consulta. Depois de um atraso de 3 horas, fomos atendidas na sala 11, para onde retornaremos em breve. Mãe encanta o médico com seu jeito ímpar. Nossa caminhada segue e que o riso continue sendo nosso aliado na cura. Amém!


Novo capítulo
Para um novo caminho, em outra especialidade. Dessa vez na Zona Sul, descemos, Isa e eu, no metrô Santa Cruz. No prédio da consulta, o som das águas nos recepcionando, um aroma delicioso suavizando os ambientes, um bálsamo diante da secura lá fora. A médica excepcional, dessas conexões valiosas que a vida nos presenteou. De lá saímos com a certeza de que a melhor das possibilidades será estudada e realizada no tempo oportuno. Já na rua, observamos o prédio conservado de uma unidade do Corpo de Bombeiros, entramos na centenária igreja Nossa Senhora da Saúde e fomos arrebatadas com tantos retratos da beleza da arte sacra que tocam nossa fé. Antes de pegar o metrô de volta, uma pausa para o lanche, teve o chocolate preferido dela e abastecidas retornamos. Santa Cruz, República, Butantã, ônibus e casa.


Inspiração que salva
Na sexta 13 o dia foi da Bienal. A festa dos livros, corredores cheios, estudantes, professores, amantes dos livros, lançamentos, autores, personagens e um mundo de saberes que multiplicam histórias. O livro é um universo. No sábado foi dia de gravação do podcast, um espaço de troca fértil que rende diálogos que nutrem. Teve encontro com amigos e muito mais. Eu poderia escrever muitas páginas sobre a semana de 08 a 15/09, tantos trilhos, portas, janelas, frases, orações, lágrimas, sorrisos, linhas e entrelinhas que seguem palpitando por aqui, mas esse pequeno ensaio termina aqui, porque a agenda da nova semana me chama. O som da chuva canta lá fora, vou ali preparar meu café. Hoje tem passagem por OZ e Lapa no destino. Que meus sentidos continuem sendo tocados por inspirações cotidianas. Bora!

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Escolhas e constância

Todos nós temos fases doloridas e nem sempre entendemos de imediato os motivos, talvez até nem compreendamos um dia. Certo é que todos nós passaremos por esses períodos, cada um de um jeito, no tempo das circunstâncias “destinadas” ou construídas por cada um, dependendo do contexto. Tenho observado que nesse processo algumas pessoas aprendem e outras perdem a oportunidade de crescer. Tem gente que até fala, verbaliza o nome de Deus, usando uma máscara que convence apenas quem não sente a energia. Algumas situações até forçam atitudes que aparentemente retrata mudanças, porém, a vibração denuncia um fazer sem o verdadeiro amor.

Escolher se afastar de pessoas assim é um antidoto ao veneno que elas exalam. Até o tom da voz dessas pessoas contamina os ambientes. Somos ensinadas ou até forçadas a continuar convivendo com gente tóxica. Não precisa ser assim. É sua escolha e tem quem preste e quem não preste em diferentes relações. Quando isso afeta sua saúde, você entende o quanto o afastamento, ou cortar de vez as relações, é ponto crucial para sua evolução. Estou cada vez mais atenta ao farol intuição. Alguns dirão que estou mais chata. Eu silencio, escuto os sinais do meu corpo e procuro enxergar as mensagens nas linhas e entrelinhas.

A constância na observação da incoerência das atitudes vai refinando sua leitura e definindo as escolhas dos laços que realmente importam. Ao olhar para o passado eu vejo o quanto deixei de ouvir a sinalização que palpitou em meu coração e, como se diz no meu sertão, só me lasquei. Estou beirando os 50 e tenho refletido muito sobre meu próximo ciclo e o chamado para mudanças que sopram até nos sonhos. Nessa estrada, tenho revisitado feridas para findar a cicatrização e ingressar num novo tempo.

A consciência se expande quando enxergamos as situações com uma nova ótica e temos a coragem de enveredar nesse exame criterioso e transformador. Sou grata por ter cumprido algumas missões que fortaleceram minha fé. Experiências sofridas que me fizeram acreditar ainda mais que em tudo há um propósito. Estou numa travessia e na minha quietude há um redemoinho de inquietude. E, embora esse estado tempestade rasgue minha alma, sei o quanto é necessário mergulhar nesse oceano e seguir nadando para alcançar a outra margem. Continuarei cultivando a constância de escolhas sintonizadas com minha essência. Avante!

A rua fala, nem todos escutam

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Distraída ou mergulhada?

Como andam suas novas e antigas conexões?  Está se perdendo nas distrações? Ou tem conseguido concentração plena? Reflexões diversas dessa manhã invernal.

A transformação é contínua. A nova geração desconhece muitas das atividades que participamos e, embora, movimentos como o interesse por disco de vinil, encontros offline, desconexão do virtual e regresso ao real, estejam aumentando, há um número gigante influenciado pela era digital e suas alterações nas relações. Tudo tem dois lados, o bom e o ruim nesse contexto tem sido pauta de discussão. Ações de controle e segurança estão na agenda dos governos. Há muitos crimes praticados na Internet e precisam ser punidos. Todo exagero é nocivo e dependentes virtuais precisam de tratamento. Isso é bem sério.

Pessoas que ligam como eu são vistas como raras ou uma expressão que indica “antigo” que agora não lembro o nome que meu filho citou. Sim, nossos neurônios são afetados com o passar da idade. De vez em quando eu abro a geladeira e fico tentando desvendar: o que foi mesmo que eu vim pegar aqui? Voltando a ligação, sim eu gosto de ouvir e sentir a voz ao vivo. “Ah manda áudio” Não é a mesma coisa. Estou beirando a extinção? Talvez. Ainda bem que tenho amigas que atendem minhas ligações. Eu que amo o riso, ainda dou boas gargalhadas falando ao telefone em longas conversas.

Você viu o Status de fulano? Qual deles? Do WhatsApp eu nunca vejo, Stories do Instagram uns poucos que aparecem quando entro e saio, as vezes na velocidade de segundos. Minha mãe que tenta usar e já aprendeu alguma coisa do zap, vai enviar o resultado do jogo do bicho para amiga e coloca no Staus sem querer. Outro dia colocou a foto do cartão do banco. Felizmente um conhecido de plantão viu e me avisou. Liguei para minha mãe e disse que tinha faltado ela informar a senha de acesso. Pasmem!  Um dia minha mãe recebeu ligação de um desconhecido, um golpe, e lá estava ela indo fazer um depósito na conta de um tio. Ainda bem que eu interceptei a loucura. Imagina se ela usasse pix? Nem pensar. Está também proibida de atender ligações de números que não estejam em sua lista de contatos.

Antes eu era muito avessa a chamadas de vídeos, ando me acostumando, mas sou muito seletiva. Uso esse formato para me comunicar com minha filha e netos. A perene conexão de saudades acompanha meus dias nas chamadas Norte e Sul. Reuniões online podem ser produtivas? Depende da pauta, duração e outras variáveis. As que participei presenciais foram bem melhores. Uma dica é ter atenção plena na que participar e a pauta pode render. As distrações minam a produtividade. O contrário é real. Concentre-se total em uma atividade e o resultado te surpreenderá.

Eu te liguei várias vezes e você não atendeu. Está tudo bem? Sim, eu estava atuando, respondi. Ué voltou ao teatro? Ainda não. Sim, pense num palco e numa peça teatral, naquele momento você está entregue ao enredo e cenas. Pelo menos quando eu atuei senti assim. Então enquanto eu estava desempenhando a atividade, me desliguei de tudo mais e não atendi as ligações (inclusive meu telefone estava em um canto e eu noutro). Se me ligarem, enviarem mensagens, sinal de fumaça e eu não responder, já sabem que estou mergulhada. E isso vale para momentos de leitura, escrita, oração, música, podcast ou dormindo. Como sou matinal e acordo cedo, depois das 20:00 é bem difícil falar comigo.

Sim, ando ouvindo podcast. E até vencendo o desafio do microfone. Criei meu próprio podcast com a ajuda do meu irmão que já participa de um sensacional: Utopia X. O nosso Conecta Analice faz parte de um projeto que criei e estou desenvolvendo. Aprecio essa forma leve do podcast, um bate papo em que uma pergunta, resposta ou fala de um dos participantes, vai enlaçando outras e criando um diálogo nutritivo. Partilhar é verbo ação em meu cotidiano. Acredito na força da comunicação para agregar personagens e histórias que fazem diferença na vida das pessoas.

O virtual conduz ao presencial e vice e versa. Filtrar o conteúdo que importa e te faz bem pode ser um caminho. A conversa entre as gerações pode ser enriquecedora quando há respeito e interesse aprendiz. E não estou aqui para ditar nenhum modelo ou receita, afinal a que serve para um é diferente para o outro. E, ainda que mil pessoas façam uma mesma receita, o sabor será distinto. Para finalizar esses rabiscos pensamentos, digo que nenhum recurso de IA será mais criativo que o cérebro humano. Sei que o IA tem sido útil como tenho ouvido (ainda não utilizei em nada), pena é que seu uso criminoso já corre solto. Acredite que sua originalidade tem valor. Nesse mundo que te sufoca a seguir padrões, ser você mesmo, ainda que te chamem de estranho, é uma bênção.


Li recente sobre os benefícios da proximidade da natureza para a saúde. Das certezas que creio. Quanta bênção o tempo pausa da contemplação. 

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Deserto invernal

Ando num redemoinho de tempestades. Olho o céu acreditando que esse deserto é apenas uma passagem e que cada passo irá me conduzindo a outro ciclo, chegada, destino...me agarro na fé que sopra esperança de que esses tempos doloridos têm um ensinamento maior. Nem sempre compreendemos de momento. Abraço minha angústia e na leveza das libélulas, borboletas, pássaros e nos sinais, vou encontrando respostas das minhas preces. Sempre fui de reza, digamos que está no DNA.

Tive um sonho intenso e nele por duas vezes a mesma passagem bíblica, uma carta de São Paulo que eu nunca tinha lido antes. Eu que amo cartas fui chamada a ler esta que estou tentando interpretar. Há muitas mensagens nas linhas e entrelinhas e nos tantos símbolos do sonho. As pessoas, os lugares, o rio, a praça, a igreja, a fogueira, os abraços, o caminho, as orações, a janela e a construção com seus tijolos vivos que reluziam com o sol do entardecer.

Nessa hora sagrada que anuncia o crepúsculo, eu pego meu Terço e rezo caminhando. Contemplo a árvore desfolhada da estação e me vejo nela também. Embaixo de seus galhos sinto meus ancestrais soprando força, me dizendo que estão comigo, que essas adversidades que chegaram a galope irão passar. É um processo de transformação que delineará mudanças profundas. Sim eu nunca estarei sozinha. Tem os anjos celestes me protegendo e os terrenos com seus afetos abraços e orações.

As marcas dessa jornada ficarão tatuadas na alma, assim como a gratidão. Sim, eu agradeço com todo fervor do meu coração que sangra nesse deserto invernal.

A árvore invernal, logo a primavera virá. Eu creio...

terça-feira, 25 de junho de 2024

Metamorfose presente

Neste dia invernal, com céu nublado e frescor, um bálsamo na secura dos últimos dias, reservei um tempo para escrever, ainda que ligeiro, respondendo ao questionamento de quem notou a ausência da minha escrita: “cadê você, senti falta dos seus textos, está tudo bem?”

Uma pausa sem escrita em meus Blogs, uma lacuna repleta de tantos acontecimentos e emoções que nenhuma medida é capaz de sinalizar. Há uma transformação tempestade nas estações do ano, num entrelaçar de Norte e Sul, num caminho que vai rasgando a alma...mesmo desfolhada eu sigo e sinto. É esse sentir que me faz viva.

A leveza das borboletas que nos visitam, lá e cá, até pousando em nós, traz os sinais dessa metamorfose na teia do presente, ressignificando o passado e moldando os rumos do futuro. Pretas com tons azuis, amarelas, laranjas e pintadas... voando na dança dos ventos e aflorando sorrisos banhados por lágrimas. Pequenas e grandiosas como mensageiras de esperança.

Seguindo a resposta: é possível que a ausência ainda seja prolongada. Por hora, muito obrigada pela mensagem. Mesmo em silêncio, seguirei sendo presença afeto. Gratidão!

Minhas meninas Bruna e Isa, somos laços atemporais.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Notas 01/2024

Muitos dizem que janeiro foi longo. Eu digo que foi ligeiro. Eita quanta vida em 31 dias. Já até virou capítulo de 2024. Foram tantas emoções que as notas mensais renderiam um livro, então vou resumir as lembranças que pipocam aqui nessa manhã de escrita.

O Livramento
Na primeira sexta-feira do mês sofremos um acidente na Raposo Tavares. Numa fração de segundos a batida e os 2 capotamentos. O carro com os pneus para cima, meu filho preso, a Isa aterrorizada e todos nós salvos. Das frases que nunca vou esquecer, dita pela socorrista do SAMU que nos transportou ao hospital: “os anjos da guarda de vocês estão ativos.” Gratidão Senhor pelo Livramento. Ainda temos missões por aqui.

A viagem
Embarquei para Pernambuco, minha terra natal, para o sertão onde nasci. Na companhia das mochilas e do meu caçula Arthur. Dessa vez, consegui ficar duas semanas e não foi como um relâmpago como diz Vozinha, nossa matriarca prestes a completar 99 anos. A beleza e fortaleza do Sertão habitam meu espírito. Suas veredas estão em meus passos. O céu iluminado das Luas de todos os ciclos com o cintilar das estrelas próximas seguem iluminando minhas lembranças. E o riso de minha gente tatuado na alma. Um breve relato está escrito em meu Blog de Memórias.

O retorno
Cheguei em São Paulo num dia quente de verão, depois de uma turbulência no avião, daquelas que nunca mais esquecemos. No Uber, colecionei mais uma história de um motorista que seguirá em minhas orações cotidianas. Diz meu marido que sofro demais pelos outros, talvez seja porque em meu coração o sangue que circula tem a fervura do amor. No dia que eu não me compadecer pelo sofrimento do próximo, estarei morta. E bem viva cheguei e recebi o abraço da minha filha Isabelly. Bom viajar, mas retornar também é precioso. O cenário e os personagens da casa nos acolhem.

O ano letivo
Começou com a reunião, correria, livros, material, ajustes na rotina e recomeço. O ambiente escolar é desafiante. Aprender e ensinar são conexões da vida. E oxalá sejam contínuas. Um no ensino fundamental, outro no médio. Esses dias estavam no infantil. Força na lombar que grita porque está só começando. Que seja um ano aprendiz. A educação transforma. E por falar nela, destaco aqui o livro que li em janeiro, do Mario Sergio Cortella: A sorte segue a coragem.

Os aniversariantes
Minha irmã Lane no dia de Reis, minha amiga Carla e seu filho Caique, meu compadre Alisson, meu vozinho, o melhor aquariano do mundo, minhas amigas Dani e Amanda Paz, saudades dos nossos diálogos regados de café ou brisa do mar.  Ah e se eu esqueci alguém me perdoe... E por falar em aniversário, veio do Norte, no último dia de janeiro, a notícia que já é marca de 2024. Nunca esperei tanto o outono Sul Global.

Estamos em fevereiro e o relógio gira. Que seja um mês abençoado. Bora florescer

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Notas de outubro

Se eu não endoidar esse ano, não enlouqueço mais. Disse eu para minha amiga recentemente. 2023 ficará cravado como capítulo potente em distintos sentidos. Esse mês então, que turbilhão. Eita que o eclipse de outubro fervilhou por aqui movimentando as marés profundas. Para suavizar essas notas mensais porque nem tudo é estresse, vamos registrar nuances afetivas do mês que SIM, nos auxiliam a sobreviver.

Nossos churras são bálsamos mensais. Temos um grupo de amizade que sempre está junto e os encontros são regados de música, churrasco, riso e partilha de histórias e emoções. Ah e o que dizer das conversas sensoriais com as amigas então. Tem aquela que nos reconhece pelo tom da voz. É sintonia elevada demais. Quanta gratidão sinto pelos tesouros amizades.

Teve evento empreendedor do Sebrae com aprendizados turbinados. Por mais que nossa agenda seja corrida vale a pena organizar o tempo para participar de feiras como essa que tem um mix de atividades para ampliar nosso conhecimento e experiência. A Feira do Empreendedor 2023 ampliou meus horizontes.

O café marcado e remarcado que virou almoço. De uma conversa no OZ Valley para o estreitamento da conexão. Dessas presenças valiosas que vão muito além. Tem personagens que chegam em nossas vidas com traços divinos. É coisa do sentir e eu tenho plena convicção de que essa teia vai render uma costura preciosa.

As caminhadas de outubro foram mínimas. Falhei demais nesse quesito e preciso melhorar. Por outro lado, tenho me alimentado melhor. Mais frutas, muita água e menor quantidade no prato. Claro que tem as exceções, como no último sábado que fui recebida com cuscuz e baião de dois. Ah essas delícias no almoço repentino e intenso. Que oração fervorosa do Terço Mariano. A fé também nos enlaça.

Dos aniversariantes do mês, destaco meu irmão. Nossa irmandade é sagrada, com cheiro de maresia, riso do sertão e a força da eternidade. Por falar em fortaleza, agradeço as orações de vozinha e de todos os meus laços nesse mês revolucionário. Senti na pele as vibrações que ultrapassam fronteiras e me ensina que o Amor é SIM a potência que transforma.

Gratidão outubro. Que venha novembro!

A mesa do Terço, a comunhão da oração na casa da amiga

o fio de chuva, a brisa da tarde de primavera, na sacada de casa

colecionando janelas de saudades. O outono saudades do Norte

Missão cumprida

Já retornei do inverno Norte para o verão Sul Global Latino. A viagem missão quarentena pelo segundo ano consecutivo. Apesar de voltar dilac...